Tom Zé ganha exposição interativa em São Paulo para celebrar seus 90 anos Mostra “Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons” ocupa a Caixa Cultural com imersão na trajetória do artista baiano, réplica do buzinório e marcos do Tropicalismo. A Caixa Cultural de São Paulo inaugurou na noite desta terça-feira (6) uma exposição sensorial e interativa dedicada a celebrar os 90 anos do cantor e compositor baiano Tom Zé. Intitulada “Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons”, a mostra convまさにca o público a percorrer a trajetória, as referências literárias e musicais e as invenções sonoras do artista, que completa nove décadas de vida no próximo domingo (11), data em que também se celebra seu nascimento na cidade de Irará, em 1936. Durante a visita prévia realizada no centro da capital paulista, o homenageado não escondeu a emoção ao se deparar com a homenagem. Brincando com o próprio entusiasmo, o artista afirmou ter ficado “criança de alegria” e agradeceu o esforço dedicado pela equipe de produção na concepção de cada detalhe da estrutura montada no espaço cultural. Segundo a curadora Neuseli Martins, a proposta foi concebida para ir além da contemplação visual. A ideia central é proporcionar uma vivência imersiva por diferentes momentos da vida do músico, destacando sua marca registrada de constante busca por inovação e novas sonoridades. A jornada do visitante começa em um setor dedicado às memórias e às influências que moldaram o repertório do artista. Em seguida, a exposição relembra momentos cruciais de sua carreira, como a emblemática vitória no 4º Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, quando conquistou o público e os jurados com a canção “São Paulo, Meu Amor”. O percurso também conta com registros de shows, um quiz interativo sobre a trajetória do compositor e ambientes cenográficos, incluindo a recriação da casa do artista. Há ainda um espaço focado na fase em que Tom Zé passou a criar instrumentos próprios e buscar alternativas fora dos padrões tradicionais da música por acreditar que havia muito mais a ser explorado. Entre as atrações interativas, o público tem a oportunidade de tocar em uma réplica do buzinório — instrumento icônico inventado pelo músico — e deixar mensagens escritas para o aniversariante. Um dos primeiros visitantes a conferir a mostra foi o músico Jarbas Mariz, que integrou a banda de Tom Zé por 32 anos. Ele relembrou que a parceria de longa data começou em 1988, quando foi convidado pelo compositor a ceder dois anos e meio de sua carreira. Ao lado do mestre, Mariz aprendeu não apenas a avaliar a qualidade dinâmica da música popular, mas também a incorporar objetos do cotidiano e materiais não convencionais como instrumentos sonoros. O instrumentista destacou ainda o rigor profissional e a criatividade inesgotável do parceiro, lembrando com bom humor que a pontualidade exigida pelo compositor transformava a chegada no horário marcado em sinônimo de atraso. Embora os arranjos fossem lapidados em conjunto com a banda, Jarbas ressalta que a “primeira cabeça” e a concepção original sempre partiam de Tom Zé. Reconhecido internacionalmente como um dos pilares do Tropicalismo — movimento vanguardista de contestação política e ressignificação cultural no Brasil —, Tom Zé mantém sua rotina criativa e produtiva às vésperas de completar 90 anos. Ocupante de uma cadeira na Academia Paulista de Letras desde 2022, o artista atribui sua vitalidade a práticas matinais que englobam o funcionamento físico e mental, declarando o desejo de alcançar os 100 anos em plena atividade. Para a curadora da mostra, a capacidade de Tom Zé em dialogar com diferentes gerações — inspirando pessoas dos 10 aos 100 anos — consolida sua relevância cultural. A exposição gratuita permanece em cartaz até o dia 13 de dezembro na Caixa Cultural São Paulo, situada na Praça da Sé, com visitação aberta ao público interessado em mergulhar no universo de um dos maiores inventores da música brasileira.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







