Redação do Enem: saiba como estruturar o texto nota 1.000 e evitar erros que levam ao zero Mais de 5 milhões de estudantes encaram a prova neste domingo; conheça os critérios dos avaliadores, a divisão recomendada em quatro parágrafos e as regras da proposta de intervenção. Mais de 5 milhões de candidatos em todo o Brasil realizam, neste domingo, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), tendo a prova de redação como um dos momentos mais decisivos para a pontuação final. Com a exigência de construir um texto dissertativo-argumentativo em até 30 linhas a partir de textos de apoio, os participantes precisam demonstrar capacidade crítica para defender um ponto de vista bem fundamentado e convencer os avaliadores. Para alcançar a nota máxima, o participante deve dominar a estrutura explicada pelo Guia do Participante do exame. A tipologia dissertativo-argumentativa possui natureza dupla: é argumentativa porque sustenta uma tese e dissertativa porque recorre a explicações e dados para justificá-la. A correção é dividida em cinco competências textuais, com valores de 0 a 200 pontos cada, que somadas podem atingir a nota 1.000. O sistema de avaliação observa o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e a correta compreensão da proposta temática combinada com áreas diversas do conhecimento. Também são pontuadas a seleção e organização dos argumentos em defesa do ponto de vista, o uso de mecanismos linguísticos coesivos e a elaboração de uma intervenção detalhada para o problema, formulada em respeito aos direitos humanos. Na administração do tempo, especialistas alertam para a obrigatoriedade de transcrever a versão final na Folha de Redação dentro do período de aplicação. Como o rascunho não é considerado pelos corretores, reservar minutos exclusivos para passar o texto a limpo impede a perda involuntária de pontos essenciais. Em entrevista à Rádio Nacional, o professor de redação Renato Júdice destacou que o exame não costuma cobrar assuntos de forma ampla, mas recortes específicos guiados pelos textos motivadores. Segundo ele, a prova não abordará um conceito genérico como inteligência artificial de maneira vaga, e sim uma vertente delimitada, a exemplo de seus impactos práticos no ambiente educacional. O especialista sugere organizar a produção em quatro parágrafos bem definidos. A estrutura começa com uma introdução contendo a apresentação do tema e da tese central, avança para dois parágrafos de desenvolvimento que aprofundam dimensões distintas do impasse e termina com o parágrafo conclusivo, onde deve constar a solução prática obrigatória. Essa proposta de intervenção não pode ser vaga ou recorrer a frases simplistas como apelos genéricos de que a sociedade precisa mudar ou de que o governo deve tomar providências. A banca exige a especificação do que deve ser feito, qual agente executará a ação e com quais instrumentos. Para Júdice, o exame funciona como um exercício de cidadania intelectual, exigindo que o estudante transforme o diagnóstico do problema público em uma ação propositiva viável. O candidato também precisa estar atento aos critérios eliminatórios estabelecidos no edital. A fuga total ao tema, produções com menos de oito linhas, inserção proposital de trechos desconectados do assunto, desobediência à estrutura dissertativa-argumentativa e o desrespeito à seriedade do exame são motivos diretos para a atribuição de nota zero. O histórico das últimas edições confirma o padrão de focar em dilemas sociais profundos do país. Temas recentes discutiram desde as perspectivas sobre o envelhecimento na sociedade brasileira em 2025 e a valorização da herança africana em 2024, até a invisibilidade do trabalho de cuidado da mulher em 2023 e a preservação de povos tradicionais em 2022. Questões sobre acesso à cidadania via registro civil, saúde mental, cinema, vigilância de dados na internet, formação de surdos e intolerância religiosa completam o panorama dos últimos dez anos. Logo após o encerramento do primeiro dia de provas, a cobertura completa das questões e da temática abordada na redação será analisada por especialistas. A partir das 19h30 deste domingo, a Agência Brasil transmite o programa ao vivo Resenha do Enem pelos canais da agência e da TV Brasil no YouTube, além da veiculação pelas emissoras da Rádio Nacional.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







