Endividamento das famílias bate recorde, mas Banco Central vê sistema financeiro resiliente Relatório divulgado nesta terça-feira aponta que ativos problemáticos e comprometimento da renda atingiram patamares históricos, mas autoridades garantem que bancos têm capital para resistir a cenários adversos. O Banco Central informou nesta terça-feira (27), em Brasília, que não vê risco relevante para a estabilidade financeira do país, apesar da piora acentuada nos indicadores de crédito das famílias brasileira. A avaliação consta no Relatório de Estabilidade Financeira referente ao primeiro semestre de 2026, documento que detalha a saúde e a robustez do Sistema Financeiro Nacional diante do cenário macroeconômico atual. De acordo com a autoridade monetária, o sistema financeiro continua operando com níveis confortáveis de capitalização e liquidez, mantendo plena capacidade de resistir a eventuais cenários econômicos adversos. No entanto, o relatório traz alertas importantes sobre o comportamento do crédito e o endividamento da população ao longo dos últimos meses. O documento aponta que os ativos problemáticos das famílias, indicador que reúne operações com atraso ou sinais evidentes de dificuldade de pagamento, aumentaram consideravelmente e atingiram o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades de crédito disponíveis no mercado. Segundo o Banco Central, a inadimplência foi o principal fator responsável por esse movimento de alta. A situação do orçamento doméstico também é motivo de preocupação no curto e médio prazo. O órgão informou que o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas alcançou o maior patamar dos últimos 21 anos, refletindo o peso dos compromissos financeiros no dia a dia dos consumidores. As estimativas divulgadas pela autoridade monetária apontam ainda que a pressão sobre a capacidade de pagamento dos consumidores deve continuar ao longo de todo o segundo semestre. Esse cenário é impulsionado por um ambiente de juros elevados por um período prolongado e pela própria desaceleração da atividade econômica no país. Apesar desse panorama desafiador, o Banco Central avalia que o Sistema Financeiro Nacional permanece plenamente resiliente. O órgão destaca que as provisões constituídas pelas instituições financeiras seguem rigorosamente compatíveis com as perdas esperadas, enquanto os testes de estresse de capital e de liquidez indicam que os bancos mantêm margem de segurança para enfrentar turbulências. O relatório aponta também uma desaceleração generalizada na concessão de crédito tanto para as famílias quanto para as empresas, movimento que está em linha com os juros elevados e a economia mais moderada. Segundo o Banco Central, as próprias instituições financeiras vêm demonstrando maior cautela na hora de liberar novos empréstimos e financiamentos. Essa percepção de solidez é compartilhada pelo mercado. Pesquisa realizada pela autoridade monetária revela que 73% das instituições financeiras consultadas estão muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema financeiro nacional. Apesar da confiança na robustez estrutural dos bancos, as principais preocupações apontadas pelo setor financeiro na pesquisa foram o risco fiscal e a possibilidade concreta de um aumento ainda maior da inadimplência, justamente em decorrência do ambiente de juros elevados mantido por um período prolongado. Na avaliação do Banco Central, o avanço expressivo no endividamento de famílias e empresas exige uma cautela adicional e imediata na oferta de crédito. Diante disso, o órgão informou que já está estudando a implementação de novas medidas voltadas especificamente para os segmentos de maior risco, com o objetivo de reduzir situações de superendividamento e fortalecer a sustentabilidade do crédito no Brasil.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







