Agência Brasil e TV Brasil conquistam Prêmio Vladimir Herzog com coberturas sobre direitos humanos Fotografia de operação policial no Rio de Janeiro e reportagem investigativa sobre trabalho escravo doméstico foram os destaques da Empresa Brasil de Comunicação na 48ª edição da premiação. O jornalismo público brasileiro foi destaque nacional nesta semana com a premiação de profissionais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O fotógrafo Tomaz Silva, da Agência Brasil, e a equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, foram os vencedores em suas respectivas categorias por trabalhos que documentaram graves violações de direitos humanos no país. A cerimônia celebrou a força da comunicação pública na defesa da democracia, da justiça e da memória nacional. Tomaz Silva levou o prêmio na categoria de fotografia com a imagem intitulada “Viúva se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro”. A foto histórica foi registrada no Complexo da Penha, na Zona Norte carioca, e retrata o desespero e a dor de Fernanda da Silva Martins ao abraçar o corpo de seu companheiro. A ação violenta ocorreu em outubro de 2025 e a imagem repercutiu profundamente, sendo republicada por diversos jornais e portais de notícias no Brasil e no exterior. Durante o evento, o fotógrafo relatou a carga emocional enfrentada na cobertura e destacou o papel social do registro visual. Segundo ele, os jurados reconheceram na fotografia não apenas um instante isolado, mas a dor coletiva de centenas de pessoas atingidas pela violência policial. O profissional descreveu a manhã no Complexo da Penha como o dia mais difícil de sua trajetória na reportagem, marcado por dezenas de corpos e pelo desespero de famílias inteiras que tentavam reconhecer entes queridos. O gerente executivo de Imagem, Arte e Web da EBC, Joédson Alves, pontuou que o reconhecimento valida a missão fundamental da fotografia jornalística, que é documentar a realidade com rigor ético e preservar a memória histórica, mantendo absoluto respeito pelas pessoas retratadas. Para o gestor, a premiação corrobora o compromisso coletivo da Agência Brasil com um jornalismo voltado para o interesse público, pautado pela responsabilidade e pela transparência perante a sociedade. Na categoria de vídeo, o reconhecimento foi para a TV Brasil com o episódio “Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão”, exibido em abril de 2026 pelo programa Caminhos da Reportagem. A produção investigativa levou ao público histórias impactantes de mulheres submetidas a condições análogas à escravidão e promoveu um debate aprofundado sobre os caminhos necessários para aprimorar o acolhimento e o pós-resgate dessas vítimas. A repórter Marieta Cazarré celebrou a honra de receber a premiação e destacou a emoção proporcionada pela presença de três mulheres entrevistadas no programa, que hoje estão libertas e puderam comparecer à cerimônia. Para a jornalista, a conquista evidencia que a pauta conseguiu jogar luz sobre uma grave violação que lamentablemente ainda persiste na realidade brasileira. O editor de texto do programa, Paulo Leite, reforçou que a conquista consolida a credibilidade e a resiliência do Prêmio Vladimir Herzog em sua quadragésima oitava edição, além de reafirmar a comunicação pública como um processo essencial e coletivo. A diretoria da EBC também enfatizou a relevância das pautas premiadas. A diretora de Jornalismo da instituição, Myrian Pereira, celebrou a sensibilidade e a coragem das equipes envolvidas ao cobrir temas complexos e dolorosos que exigem apuro ético rigoroso. Na mesma linha, o gerente executivo da TV Brasil, Paulo Mondego, pontuou que a emissora cumpre sua vocação constitucional ao dar visibilidade a pautas fundamentais para os direitos humanos e ao denunciar realidades que muitas vezes permanecem invisibilizadas. Criado em 1979, o Prêmio Vladimir Herzog homenageia anualmente jornalistas, repórteres fotográficos e artistas gráficos que se destacam na defesa da democracia e dos direitos fundamentais. A premiação carrega o nome do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura civil-militar em outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo, transformando-se em um dos maiores símbolos da resistência e da liberdade de imprensa no Brasil.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







