Protestos estudantis na França: Greta Thunberg apoia ato em Paris por melhorias nas escolas Manifestações entram na quarta semana com bloqueios de instituições, críticas à atuação policial e debate político acirrado a seis meses das eleições presidenciais. Alunos de escolas de ensino médio francesas saíram às ruas nesta terça-feira (13) para mais um dia de protestos na França, cobrando melhores condições estruturais nas instituições de ensino em um movimento que já dura quatro semanas e que contou com a presença surpresa da ativista climática sueca Greta Thunberg em um bairro popular de Paris. As mobilizações nacionais têm como principais bandeiras a falta de professores, as salas de aula superlotadas e o estado avançado de degradação das instalações escolares. O descontentamento tem se traduzido em marchas, bloqueios em centenas de instituições de ensino por todo o país e, em episódios recorrentes, confrontos diretos com as forças de segurança. Nesta terça-feira, Greta Thunberg participou de uma manifestação em frente ao Lycée Paul Eluard, localizado em Saint-Denis, na zona norte da capital francesa, uma das escolas onde o movimento ganhou força inicialmente. A ativista afirmou que os estudantes franceses merecem solidariedade internacional em sua luta por direitos básicos. Aos repórteres presentes no local, Greta declarou que jovens do mundo todo estão acompanhando os acontecimentos na França e se inspirando na mobilização. Ela pontuou que, seja diante da falta de financiamento para a educação, da crise climática ou de impasses relacionados à justiça social, o momento é de os jovens reivindicarem seus futuros. A ativista também direcionou duras críticas à atuação da polícia francesa no controle dos atos. Para ela, a repressão policial representa um sinal extremamente violento de que as autoridades estariam protegendo o status quo e ignorando as reivindicações da juventude. O uso de força pela polícia tem gerado intenso debate na opinião pública e no cenário político da França. Em diversos incidentes ao longo das semanas de protesto, a polícia de choque utilizou gás lacrimogêneo e avançou contra os manifestantes, resultando em centenas de feridos e milhares de prisões. Diante da escalada da violência, o governo francês suspendeu na semana passada o uso de granadas de efeito moral, medida adotada após um adolescente perder a mão durante os confrontos. A atuação das forças de segurança divide opiniões no espectro político do país. Enquanto políticos de esquerda condenam duramente a postura da polícia, lideranças da extrema-direita, como a candidata presidencial Marine Le Pen, culpam os manifestantes pelos episódios de violência. O grupo liderado por Le Pen tem destacado os danos causados ao patrimônio escolar e os ferimentos sofridos tanto por funcionários quanto por policiais durante os tumultos. O ministro da Educação, Edouard Geffray, informou à Rádio França Internacional que cerca de 200 escolas amanheceram fechadas nesta terça-feira. Segundo o representante da pasta, parte dessas paralisações ocorreu por motivos de segurança, devido à proximidade das instituições com o trajeto planejado para as marchas estudantis. Nas primeiras horas da manhã, estudantes se aglomeraram em frente aos portões de colégios em Paris e em outras cidades francesas, munidos de cartazes, megafones e palavras de ordem. Novas marchas foram programadas para ocorrer ao longo do restante do dia. Este cenário de agitação social e tensão nas ruas intensifica o clima de incerteza política na França. O movimento de protesto ocorre a apenas seis meses de uma eleição presidencial considerada crucial, na qual o país pode vir a eleger seu primeiro governo de extrema-direita desde a Segunda Guerra Mundial, sob a liderança do partido Reunião Nacional, de Marine Le Pen.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







