Cine Sesi leva mostra de curtas filmados com celular para o Complexo da Maré Iniciativa capacitou 40 jovens da zona norte do Rio de Janeiro por meio de oficinas de audiovisual, resultando em sete produções que retratam a realidade, os desafios e as potências do território. Jovens moradores do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, apresentam neste sábado (10) produções de curtas-metragens filmados inteiramente com o celular durante a mostra Cine Sesi + Curta Periferias. O evento, que ocorre no Galpão Bela Maré a partir das 10h, marca a conclusão de uma jornada de formação que uniu experimentação artística, desenvolvimento de projetos e capacitação técnica para o mercado audiovisual. A edição da mostra contou com a participação de duas turmas, atendendo um total de 40 jovens da comunidade. O objetivo central da iniciativa foi promover o desenvolvimento de competências criativas, técnicas e profissionais por meio da construção de narrativas focadas na visão dos próprios participantes sobre seus territórios, vivências e cotidianos. O programa é resultado de uma parceria que combina fomento e execução pedagógica. A proposta foi desenvolvida pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio e implementada pela Universidade Internacional das Periferias, a Uniperiferias. O projeto conta com o apoio do Conselho Nacional do Sesi, por meio do edital Conexão Sesi, utilizando a linguagem cinematográfica como ferramenta pedagógica em interlocução direta com a indústria criativa. A formação em audiovisual para jovens de favelas cariocas foi realizada entre 11 de agosto e 29 de setembro, contando com uma carga horária de 24 horas distribuídas em 22 oficinas. O processo seletivo foi marcado por alta procura, registrando 137 inscrições — o equivalente a mais de três candidatos por vaga — para selecionar os participantes com idades entre 16 e 35 anos. Ao final do percurso, 32 alunos concluíram a capacitação, o que representa um índice de aproveitamento de oito em cada dez selecionados. Durante as aulas, os estudantes aprenderam técnicas de roteiro e outras etapas fundamentais da realização cinematográfica para produzir, em grupo, curtas-metragens sobre o ambiente em que vivem. O resultado da imersão criativa foram sete obras que somam quase 38 minutos de tela: Kemillym Luta, com direção de Kemillym e Letícia Moura; A Dança da Vida, dirigido por Jordan Balbino; Memórias da Mata, de Luciana Barros Migrantes; Conexão Maré x África, sob a direção de Bruno Carlos; Àdurá, dirigido por Kley Hudson; Entre a Maré e o Meu Mundo, assinado por Adrielle Soares e Ynara Baltazar; e A Maré Ensina, com direção de Caio Aragão. Os filmes foram avaliados por um júri composto por cinco profissionais do cinema do Rio de Janeiro, que deixaram comentários construtivos para cada grupo e escolheram os três curtas premiados com troféus. A programação do evento de encerramento inclui a recepção dos convidados, a apresentação institucional do projeto, a exibição de todas as obras produzidas, a cerimônia de premiação e o encerramento oficial. Para os realizadores e parceiros institucionais, o projeto cumpre um papel transformador na inserção profissional e na valorização identitária. O presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, destacou que os jovens das periferias possuem narrativas legítimas a serem contadas e que o programa atua como uma ponte para viabilizar esse acesso e fortalecer o mercado de trabalho. Segundo ele, a proposta começa com um celular na mão para o aprendizado da linguagem cinematográfica, mas tem como horizonte ampliar oportunidades a partir da realidade de cada localidade. Na mesma linha, Vinícius Mano, gerente de Educação Básica da Firjan Sesi, pontuou que o uso da linguagem do cinema serve para despertar a curiosidade e o pensamento crítico dos estudantes. Já Mateus Affonso, coordenador de Tecnologia e Inovação na Uniperiferias, enfatizou que a iniciativa toca na missão de promover a dignidade de sujeitos periféricos ao conferir autonomia para que os adolescentes contem suas próprias histórias, colocando em evidência os desejos, as vontades e as potencialidades da comunidade. Entre os participantes que vivenciaram a transformação na prática está Jordan Balbino Ferreira, de 26 anos. Ele integrou a equipe responsável pelo curta A Dança da Vida, que retrata a trajetória de Isis, personagem que cresceu dançando no Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral, na Maré, e hoje atua como professora no mesmo espaço, repassando os passos que aprendeu e demonstrando como um sonho de infância pode mudar destinos. Para Jordan, o contato inédito com a produção audiovisual por meio do próprio telefone permitiu materializar o aprendizado de sala de aula em uma obra concreta.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







