Exposição em São Paulo reúne 26 artistas para reescrever a história do Brasil sob novas perspectivas Com entrada gratuita no Sesc Ipiranga, mostra “Margem de Dentro” aposta em mais de 50 obras de múltiplas linguagens para dar visibilidade a narrativas historicamente marginalizadas pela cultura oficial. O Brasil que emerge da miscigenação entre povos indígenas, africanos escravizados e colonizadores europeus ganha novos contornos e provocações a partir desta quarta-feira (07), com a abertura da exposição “Margem de Dentro: Não Vi o Bastante que Pensei Ter Visto Demais”, no Sesc Ipiranga, na capital paulista. Com entrada gratuita, a mostra reúne mais de 50 obras de 26 artistas de diferentes regiões do país, propondo uma revisão profunda da identidade nacional por meio de pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, arte têxtil, luteria e muralismo. Idealizada pelo artista visual e curador Claudinei Roberto Silva, a exposição parte de reflexões fundamentais sobre a formação social brasileira, dialogando diretamente com o pensamento do antropólogo Darcy Ribeiro sobre a complexidade e a violência desse processo de mistura cultural e racial. A enorme extensão geográfica do país, que culminou em características sociais e culturais distintas em cada região, serve de pano de fundo para as discussões propostas pelos criadores reunidos no espaço cultural da zona sul de São Paulo. Para o curador, a mostra atua como um convite urgente para aprofundar a experiência democrática no Brasil, apontando que somente esse avanço político e social é capaz de trazer à tona as muitas vozes que compõem a verdadeira diversidade da população. Nesse sentido, o projeto busca lançar luz sobre narrativas que foram historicamente invisibilizadas ou tratadas com menor importância pelos circuitos tradicionais da arte. A curadoria destaca que a ideia central é dar espaço àquela produção artística que foi historicamente menosprezada por ter sido gerada, por exemplo, por mulheres unidas nas periferias das grandes cidades vizinhas da capital paulista. Como reflexo dessa proposta, a exposição apresenta um mural assinado por Soberana Ziza, obra que promove um diálogo sensível entre o interior e a metrópole ao abordar a migração histórica de famílias e fazer referência direta à Madrinha Eunice, a primeira presidenta de uma escola de samba de São Paulo. Outro pilar conceitual da exposição é a valorização da manualidade, evidenciada em trabalhos criados e manipulados artesanalmente a partir de elementos como cimento, cerâmica, madeira e tecidos. De acordo com Claudinei Roberto Silva, essas produções funcionam como um resgate direto de técnicas ancestrais herdadas da África, promovendo uma ponte viva entre o passado e o presente. A mostra opera, portanto, como uma espécie de revisão de saberes tradicionais ligados a ofícios como a ferramentaria, a marcenaria e a tecelagem. Ao colocar esses conhecimentos populares em contato direto com a linguagem da arte contemporânea, o Sesc Ipiranga se transforma em um território de escuta e valorização de sabedorias que resistem à margem dos grandes centros hegemônicos de circulação cultural.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







