Governo prepara medidas fiscais e Durigan vai apresentar propostas a Lula após volta da COP31 Reunião no Alvorada reuniu ministros e economistas para debater trajetória da dívida pública e juros; plano será fechado após viagem presidencial à Turquia e Filipinas O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (5) que vai se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir a agenda de medidas fiscais do governo logo após o retorno da viagem internacional do chefe do Executivo. A missão oficial ao exterior inclui a participação na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), sediada na Turquia, além de compromissos nas Filipinas, com regresso previsto para 15 de novembro. A declaração foi dada após uma reunião ampliada no Palácio da Alvorada, em Brasília, convocada por Lula para analisar o cenário econômico brasileiro e identificar os principais entraves estruturais dos próximos anos. Apesar do foco na situação das contas públicas, o encontro terminou sem o anúncio imediato de cortes ou medidas específicas de ajuste fiscal. De acordo com Durigan, o diálogo com a equipe econômica e convidados foi marcado pela convergência no diagnóstico sobre os rumos da economia. O ministro ressaltou que não há espaço para atalhos e reforçou a necessidade de preservar as metas de superávit nos próximos anos, conciliando o rigor fiscal com a manutenção dos programas sociais prioritários do presidente. Durante o período em que Lula estiver no exterior, o Ministério da Fazenda trabalhará em conjunto com a pasta do Planejamento e Orçamento, chefiada pelo ministro Bruno Moretti. A dupla ficará responsável por tabular as contribuições colhidas e formular as propostas que serão submetidas à validação presidencial a partir de meados de novembro. O plano servirá de diretriz estratégica para o quarto mandato de Lula, que terá início formal em janeiro de 2027 e se estenderá até dezembro de 2030. A equipe econômica pretende estruturar uma agenda de desenvolvimento voltada a setores prioritários, mantendo como premissa central o equilíbrio financeiro da União e a ancoragem das contas estatais. As consultas sobre a conjuntura não ficarão restritas ao Palácio da Alvorada. Segundo a Fazenda, novas rodadas de conversas devem ocorrer nos próximos dias, abrindo espaço para ouvir demandas de representantes da sociedade civil, lideranças empresariais e interlocutores do mercado financeiro, garantindo transparência à construção das diretrizes. A reunião desta quinta-feira contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e das ministras Miriam Belchior, da Casa Civil, e Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Também integraram a mesa os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, o ex-presidente do banco Luciano Coutinho, além dos economistas Laura Carvalho e Eduardo Moreira. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chegou a ser convidado, mas não pôde comparecer ao encontro no Alvorada. A ausência decorreu do período de silêncio obrigatório imposto aos membros do Comitê de Política Monetária (Copom), que impede manifestações públicas de dirigentes logo após decisões colegiadas sobre a taxa de juros. O debate fiscal ganha tração no dia seguinte à decisão do Copom de interromper o ciclo de cortes nos juros básicos. Na quarta-feira (4), a autoridade monetária optou por manter a taxa Selic em 13,75% ao ano após cinco reduções consecutivas, gerando críticas imediatas de setores produtivos e ampliando o apelo de integrantes do governo por condições que viabilizem a retomada da queda dos juros. O avanço do endividamento público também pressiona o calendário do Executivo. Dados apurados pelo Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, alcançando R$ 11,1 trilhões. O número aponta uma expansão em relação aos 71,7% do PIB registrados em dezembro de 2022, antes do início da atual administração federal. Diante do cenário, o presidente Lula prepara um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão marcado para o próximo domingo (8). Fontes ligadas ao governo indicam que a mensagem deve reafirmar a preocupação com a sustentabilidade da dívida e a necessidade de redução dos juros, sem antecipar o detalhamento do pacote que será fechado após seu retorno da Ásia.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







