Violência política em Montes Claros: vereadora do PT é atingida no rosto durante carreata Agressão contra Iara Pimentel e ataques a candidatas e servidores da Justiça Eleitoral acendem alerta sobre a escalada da intolerância em período de votação no país. A vereadora Iara Pimentel (PT) foi atingida no rosto por um objeto e precisou ser socorrida por uma ambulância do Samu após ser alvo de violência política durante um ato de campanha realizado na noite de ontem, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. O episódio ocorreu em meio a uma escalada de hostilidades registradas no segundo turno das eleições, que tem atingido candidatos, militantes, agentes públicos e cidadãos em diferentes regiões do país. De acordo com relatos divulgados sobre a ocorrência, o carro de som em que a parlamentar estava foi cercado e alvo do lançamento de garrafas, tijolos e outros objetos por pessoas não identificadas durante a carreata. O caso gerou forte repercussão entre lideranças políticas e entidades sociais, que voltaram a cobrar rigor das autoridades na apuração e na punição de crimes motivados por intolerância partidária. Após o ataque, Iara Pimentel emitiu declaração pública na qual classificou a agressão como totalmente incompatível com os princípios democráticos. A vereadora defendeu a liberdade de manifestação política, cobrou investigação rigorosa e a responsabilização imediata dos envolvidos, além de enfatizar que a violência política não pode ser naturalizada sob nenhuma circunstância. Para a parlamentar, pensar diferente é um direito assegurado, mas nenhuma divergência justifica agressões ou a colocação de vidas em risco. O episódio em solo mineiro também foi repudiado publicamente pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que definiu a agressão sofrida pela colega de partido como inadmissível e reforçou que a democracia não combina com pedras, ameaças e violência física. A parlamentar manifestou solidariedade à vereadora e às demais pessoas que ficaram feridas durante o ato político em Montes Claros. A própria deputada eleita tem sido alvo recorrente de graves episódios de violência política. Ana Elisa relatou ter precisado desativar sua conta na rede social X após sofrer sucessivas ameaças de morte e de estupro, recebendo mensagens com conteúdos racistas, misóginos e de violência sexual a cada dois minutos. Diante da situação de extrema vulnerabilidade, a parlamentar registrou denúncia na Polícia Civil de Minas Gerais e acabou sendo incluída no Programa Estadual de Proteção de Montes Gerais e do estado. O cenário de hostilidade também foi abordado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após registrar seu voto em São Bernardo do Campo, em São Paulo, o chefe do Executivo federal lamentou os episódios de violência registrados ao longo da campanha eleitoral e defendeu a convivência pacífica entre cidadãos com opiniões divergentes, sejam elas políticas, religiosas ou visões de mundo distintas. Citando nominalmente o caso ocorrido em Minas Gerais, o presidente pontuou que divergências partidárias ou ideológicas jamais devem resultar em agressões físicas ou verbais. Segundo ele, a coisa mais sagrada dentro do regime democrático é a convivência na diversidade, destacando que vizinhos não precisam torcer para o mesmo time político, frequentar a mesma igreja ou apoiar o mesmo candidato, mas devem respeitar os direitos alheios para que a democracia seja exercida em sua plenitude. As intimidações e ataques, contudo, não se restringem aos concorrentes aos cargos eletivos. A segurança de servidores da Justiça Eleitoral também tem sido alvo de ameaças desde o primeiro turno do pleito, o que motivou a Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União a publicar nota oficial de repúdio e a cobrar providências enérgicas para resguardar a integridade dos trabalhadores. No Distrito Federal, a União Brasileira de Mulheres denunciou uma agressão registrada na véspera do segundo turno contra a presidenta da entidade, Maria das Neves Filha, e contra a presidenta da Mocidade do Gama, Edilamar Melo. O caso aconteceu durante uma ação de panfletagem em frente a um centro de ensino no Gama e foi capturado em imagens de vídeo. Segundo a denúncia formalizada pela entidade feminina, o agressor seria um policial militar aposentado, que teria arremessado uma mesa e destruído os materiais de campanha das militantes. A organização informou ter registrado um boletim de ocorrência, adotado medidas judiciais cabíveis e divulgado as imagens para expor o ocorrido, classificando o episódio como uma clara manifestação de violência política de gênero e reforçando que a barbárie contra as mulheres não pode ser tolerada ou naturalizada pela sociedade.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







