Ministério Público do Trabalho apura carta de supermercado com teor eleitoral distribuída a funcionários no Rio Documento assinado pela presidência da rede Zona Sul fala em “voto consciente” e “mudança”, o que motivou denúncias de assédio eleitoral e ações de órgãos de fiscalização e sindicatos. O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro instaurou uma Notícia de Fato para investigar o envio de uma carta com teor eleitoral pela rede de Supermercados Zona Sul aos seus funcionários, em pleno período às vésperas da eleição. O caso veio a público após a circulação de um comunicado interno assinado pelo presidente da empresa, no qual a rede de supermercados de grande atuação na capital fluminense defende conceitos como o “voto consciente” e a necessidade de mudanças, embora o texto não cite nenhum candidato nominalmente. A manifestação da empresa gerou forte reação política e sindical no estado, resultando em denúncias formais de assédio eleitoral. O comunicado foi inicialmente repudiado pelo vereador Rick Azevedo, do Psol, recentemente eleito deputado federal, que classificou a atitude da diretoria como uma tentativa indevida de influenciar o posicionamento político dos trabalhadores. Em sua manifestação pública sobre o episódio, o parlamentar criticou a distribuição do material impresso pela rede de supermercados voltada a um público de maior poder aquisitivo na zona sul do Rio de Janeiro. Para o deputado, a utilização da estrutura corporativa para disseminar mensagens sobre o cenário político às vésperas do pleito configura assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Diante do avanço da controvérsia, o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro também decidiu agir e ingressou com uma ação judicial contra a rede de supermercados Zona Sul. A entidade sindical sustenta que, ao se valer da posição hierárquica de empregador para veicular mensagens de cunho político entre a base de funcionários, a empresa ultrapassa os limites legais e éticos das relações trabalhistas. Em nota oficial divulgada à imprensa, o sindicato destacou que nenhum patrão detém a tutela sobre a consciência política de seus empregados ou o direito de exercer qualquer tipo de coação. A entidade argumenta ainda que discursos genéricos sobre a necessidade de transformar o país frequentemente mascaram interesses econômicos e políticos específicos que divergem das pautas da classe trabalhadora. Segundo o sindicato dos comerciários, essa divergência fica evidente quando estão em pauta direitos trabalhistas fundamentais e conquistas históricas da categoria, citando como exemplo os debates recentes em torno do fim da escala de trabalho 6×1. A investigação conduzida pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro buscará esclarecer se o teor da correspondência corporativa violou a legislação eleitoral e trabalhista ao pressionar ou tentar direcionar o voto dos colaboradores durante o expediente ou por meio da estrutura da empresa. Até o fechamento desta reportagem, a Agência Brasil tentou contato com a direção da rede de Supermercados Zona Sul para obter um posicionamento oficial sobre as acusações e a abertura da investigação pelo MPT, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação da empresa.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







