França proíbe protestos classificados como ‘ilegítimos’ e mobiliza blindados após onda de violência Presidente Emmanuel Macron acusa grupos radicais de tentarem derrubar a República; medida antecede nova mobilização e busca proteger o comércio após ataques a milhares de lojas. O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) a proibição de manifestações e ações de protesto consideradas “ilegítimas” para os próximos dias. A determinação acontece a menos de 48 horas de uma nova mobilização convocada no país e busca frear a escalada de confrontos urbanos e saques que marcaram os atos do último sábado (17). A decisão foi divulgada após uma reunião de emergência de Macron com ministros e a cúpula dos serviços de inteligência no Palácio do Eliseu. Para as passeatas organizadas por entidades estruturadas, como os sindicatos, as autoridades estabelecerão trajetos alternativos, com o objetivo central de blindar os estabelecimentos comerciais e evitar vandalismos. Em pronunciamento de pouco mais de três minutos, o chefe de Estado francês adotou tom enérgico e atribuiu os distúrbios a grupos de ultraesquerda que classificou como “sediciosos” e de “extrema periculosidade”. De acordo com o líder francês, tais organizações atuam na incitação de desordens para atingir diretamente as instituições democráticas. “Tivemos, simultaneamente, atos políticos e até sediciosos, conduzidos por grupos organizados de ultraesquerda que visam derrubar a República”, afirmou Macron. Ao defender a resposta dura do governo perante o cenário de instabilidade, o presidente asseverou que “a mão não deve tremer no topo do Estado”. A postura de rigidez também tem sido ecoada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Nos últimos dias, o premiê cobrou das forças partidárias um posicionamento claro “entre a violência e a República”, isolando em suas declarações a legenda de extrema-esquerda A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. Lecornu convocou os partidos e prometeu transparência sobre as dificuldades enfrentadas na contenção dos atos do fim de semana anterior. A cautela das autoridades encontra respaldo no temor manifestado pelo setor produtivo. Balanços oficiais revelam que aproximadamente 3 mil lojas foram alvo de roubos, furtos e depredações nos distúrbios de 17 de outubro. Em declaração à agência France-Presse, o presidente da Confederação dos Comerciantes da França, Pierre Bosche, resumiu que o nível de preocupação da categoria para o próximo sábado é máximo. Para tentar conter o avanço das turbulências nas ruas, as forças de segurança francesas preparam uma operação em grande escala para o próximo sábado. O plano de contenção envolverá unidades policiais de elite e o suporte de veículos blindados em pontos estratégicos. Medidas de restrição já entraram em vigor de forma antecipada. O governo restabeleceu toques de recolher na noite de quarta-feira (21) em diferentes cidades do país, resultando em pelo menos 174 detenções até o momento.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







