Festival Internacional Pequeno Cineasta reúne 68 produções dirigidas por crianças e jovens no Rio de Janeiro Com programação gratuita em três espaços culturais cariocas, evento promove o protagonismo infanto-juvenil no audiovisual, debates contemporâneos e intercâmbio com realizadores da Guiana Francesa A criatividade e o olhar crítico de realizadores com idades entre 8 e 17 anos ganham as telas do Rio de Janeiro a partir deste domingo (18) com a abertura da 11ª edição do Festival Internacional Pequeno Cineasta. Com exibições gratuitas até o dia 24 de outubro, o evento ocupa o Teatro Municipal Carlos Gomes, no Centro, o Instituto Cervantes, em Botafogo, e o Jardim Botânico. A iniciativa reúne 68 obras cinematográficas selecionadas a partir de um conjunto expressivo de 467 inscrições vindas de 41 países e dez estados brasileiros. O diferencial da iniciativa reside no protagonismo absoluto concedido aos jovens, que assumem a direção, o roteiro, a edição e até mesmo a composição do júri oficial. As narrativas selecionadas abrangem ficções, documentários e animações que discutem dilemas contemporâneos sob a ótica das novas gerações. Entre os temas explorados nas telas estão inteligência artificial, impactos do cyberbullying, crise climática, violência, laços afetivos e preconceito. A trajetória de Miguel Figueiredo Viglio, de 14 anos, exemplifica o amadurecimento técnico promovido pelo incentivo precoce à arte. O diretor começou a brincar com montagens caseiras de super-heróis por volta dos 5 anos e, aos 7, realizou um curso de animação quadro a quadro para aprimorar produções em stop motion com seus próprios brinquedos. Determinado a seguir carreira na sétima arte, Miguel concorre nesta edição com a obra “Circo dos Horrores”. O jovem realizador já acumula reconhecimento em mostras competitivas. Apoiado pela mãe, Chica Amoreira, o estudante conquistou troféus importantes como Melhor Filme no festival FECEA, no Rio Grande do Sul, e Troféu Geração no Festival do Rio, ambos em 2025. No ano seguinte, venceu o Júri Popular no festival É Tudo Criança, em Minas Gerais, além de ter sido selecionado como finalista em mostras na Itália, em Portugal e na Alemanha. Outro participante da mostra é Daniel Nini, de 16 anos, que iniciou sua relação com o audiovisual por meio da atuação teatral e decidiu transpor suas próprias ideias para o formato cinematográfico a partir dos 10 anos. Para tirar os roteiros do papel, o jovem utilizou inicialmente a câmera do celular e superou as limitações técnicas e de captação de som por meio de processos refinados de edição, reinvestindo os cachês de seus trabalhos como ator na compra de equipamentos próprios. Além de assinarem as obras, crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos integram o Júri Oficial responsável por avaliar os filmes em competição. A integrante Carina Ki destacou o impacto positivo de analisar obras produzidas por seus pares. Segundo ela, o nível de domínio técnico e criatividade superou as expectativas, proporcionando um contato valioso com realizações de outros jovens, alinhado ao seu plano de ingressar em um curso superior de cinema. A idealizadora, cineasta e educadora audiovisual Daniela Gracindo ressalta que o projeto busca quebrar a lógica tradicional em que apenas adultos produzem conteúdo sobre a juventude. Ela defende que a presença de estudantes no papel de jurados transforma a postura crítica do público infantil nas salas de exibição. A semente do festival começou a germinar em 2009, durante a produção de um documentário em memória de seu avô, o ator Paulo Gracindo. Na ocasião, em parceria com seu pai, Gracindo Jr., Daniela abriu uma turma pioneira com alunos de 9 a 13 anos para ensinar todas as etapas de realização fílmica. O modelo deu origem à primeira edição do festival em 2010. Desde então, as oficinas se expandiram pelo Brasil, alcançando estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de atravessarem fronteiras até a Argentina e a Guiana Francesa, acumulando um histórico de público superior a 80 mil espectadores. A competição deste ano é estruturada em categorias nacionais e internacionais, divididas nas faixas etárias de 8 a 12 anos e de 13 a 17 anos. Há ainda mostras especiais temáticas, incluindo a Mostra Filmes Hispânicos, a mostra dedicada à Oficina Pequeno Cineasta e a Sustente Sua História, voltada para sustentabilidade e preservação do meio ambiente. O panorama internacional traz reflexões sobre resiliência e conflitos em títulos como “The City”, da Ucrânia, e “Paani”, dos Estados Unidos, além de dramas sobre vínculos humanos vindos da Malásia e da Grécia. Entre as produções brasileiras em destaque estão “Passagens”, de Niterói, “Yanomamis: Guardiões da Floresta”, “Concreto”, de Minas Gerais, e os curtas porto-alegrenses “O Espelho” e “Segundo Plano”, que investigam a pressão social e o isolamento digital. O diálogo intercultural ganha força logo na abertura, no Teatro Carlos Gomes, com a apresentação de curtas-metragens produzidos por 80 jovens de Saint-Georges, na Guiana Francesa, desenvolvidos em oficinas entre 2025 e 2026. A programação inclui a Mesa Redondinha no Instituto Cervantes, criando uma arena de debate entre diretores franceses e brasileiros sobre linguagem estética e desafios práticos da produção independente. O festival contempla ainda a formação de educadores por meio do workshop Cinema na Sala de Aula, conduzido pela pesquisadora e cineasta argentina Irene Blei, fundadora da histórica Oficina de Cine El Mate. Paralelamente, o programa Pequeno Cineasta na Escola democratiza o acesso ao conceder exibições gratuitas e direito de voto popular para instituições de ensino de todo o território nacional. A cerimônia de encerramento da 11ª edição ocorre no Instituto Cervantes com a entrega dos troféus aos vencedores e uma homenagem especial ao ator e diretor Gracindo Jr., falecido em setembro aos 83 anos. O Festival Internacional Pequeno Cineasta conta com apoio institucional da Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio das Secretarias Municipais de Cultura e Educação, do Sistema Nacional de Cultura e do Ministério da Cultura.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







