Eduardo Paes desiste de candidatura no Rio após STF negar recurso e confirmar vitória de Douglas Ruas no 1º turno Decisão do ministro Cristiano Zanin manteve a anulação dos votos de Anthony Garotinho, alterando o placar da eleição fluminense e encerrando a disputa pelo governo estadual. O ex-prefeito e candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) anunciou nesta sexta-feira (9) a desistência de sua candidatura ao Palácio Guanabara. A decisão ocorre após uma reviravolta jurídica na noite anterior, impulsionada por uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou um recurso crucial para a validação de um segundo turno no estado. A reviravolta teve início na noite de quinta-feira (8), quando o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por 5 votos a 2, pela retotalização dos votos válidos da eleição fluminense, excluindo da contagem oficial todos os sufrágios direcionados a Anthony Garotinho (Republicanos). Com a exclusão dos 274.411 votos recebidos por Garotinho — o equivalente a 3,71% do total —, o cenário da disputa sofreu uma alteração matemática definitiva. Antes da anulação, o candidato Douglas Ruas (PL) liderava a apuração com 4.271.199 votos, o que representava 49,27% dos votos válidos. Com a exclusão dos votos de Garotinho e a consequente retotalização, Ruas superou a marca de 50% dos votos válidos, obtendo margem suficiente para garantir a vitória ao governo do Rio de Janeiro já no primeiro turno, superando o teto necessário por cerca de 74 mil votos. Diante do cenário, Eduardo Paes havia acionado a Justiça para tentar invalidar a decisão do TSE e garantir a realização do segundo turno, argumentando que a maioria dos eleitores fluminenses havia se manifestado nesse sentido no pleito realizado no último domingo (4). No entanto, o pedido foi rejeitado pelo ministro Cristiano Zanin no STF, selando o destino da eleição. Em nota oficial divulgada após a decisão da Suprema Corte, Paes lamentou o desfecho, mas ressaltou a necessidade de cumprimento das determinações judiciais. O político afirmou que a Justiça decidiu contra o que chamou de vontade soberana dos eleitores, mas pontuou que decisões da magistratura devem ser respeitadas para a manutenção da democracia. Paes também aproveitou para agradecer aos mais de 3,7 milhões de eleitores que depositaram confiança em sua candidatura e em suas propostas durante o primeiro turno. O candidato do PSD destacou que, embora a disputa eleitoral tenha chegado ao fim de maneira antecipada, seu compromisso com o povo fluminense e com o estado permanece inalterado. O ex-prefeito enfatizou que o Rio de Janeiro ainda enfrenta desafios históricos, especialmente na área de segurança pública, e anunciou que seu grupo político e o PSD se manterão em estado de vigilância. Segundo ele, o bloco oposicionista continuará acompanhando e cobrando resultados de uma gestão que representa a continuidade do grupo político que está no poder há oito anos no estado. A validação definitiva do resultado da eleição para o governo do Rio de Janeiro agora depende apenas de um ato formal do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que deve oficializar a proclamação de Douglas Ruas como governador eleito no primeiro turno. A disputa jurídica que culminou na decisão do TSE teve capítulos complexos ao longo da semana. O imbróglio começou quando Anthony Garotinho apresentou recurso contra uma decisão anterior do TRE-RJ que havia indeferido o registro de sua candidatura. Embora o recurso estivesse pendente de julgamento, Garotinho obteve o direito de manter seu nome e número nas urnas eletrônicas no dia da votação. No entanto, logo após o término do pleito no domingo, Garotinho tentou desistir do recurso que tramitava na Justiça Eleitoral. Por unanimidade, o TSE rejeitou a tentativa de desistência e colocou o caso em pauta, culminando na sessão de quinta-feira que determinou a nulidade dos votos. Dias antes, na sexta-feira anterior ao pleito, o relator do caso no TSE, ministro Floriano de Azevedo Marques, já havia emitido entendimento de que os votos dados a Garotinho não poderiam ser contabilizados como válidos, devendo constar como sub judice. Contudo, no próprio domingo de eleição, uma decisão divergente do ministro Nunes Marques determinou que os sufrágios fossem totalizados provisoriamente até que o plenário do TSE analisasse o mérito da questão, o que se concretizou nesta semana com o desfecho desfavorável aos planos de segundo turno de Eduardo Paes.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







