Guia da Prefeitura de Jaraguá do Sul orienta produtores rurais a proteger lavouras contra tempestades e impactos do El Niño Material elaborado pelo poder público municipal traz medidas preventivas contra chuvas intensas, vendavais e alagamentos, buscando evitar que meses de dedicação no campo sejam destruídos por eventos climáticos extremos. A rotina de quem depende da terra envolve meses de trabalho contínuo, planejamento e investimentos financeiros expressivos. No entanto, todo esse esforço pode ser desfeito em questão de poucas horas quando tempestades severas atingem as lavouras e criações. Atenta a essa vulnerabilidade histórica e aos riscos climáticos que rondam a atividade agrícola, a Prefeitura de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, desenvolveu um guia específico com orientações preventivas voltadas aos produtores rurais da região. A iniciativa surge no momento em que o fenômeno El Niño influencia os padrões meteorológicos, aumentando a frequência e a intensidade de eventos adversos no Sul do país. O material reúne diretrizes práticas para preparar propriedades e trabalhadores rurais diante da possibilidade de tempestades severas, chuvas volumosas, vendavais e alagamentos. A perda de um ciclo produtivo inteiro representa um golpe pesado não apenas para o sustento das famílias que vivem da agricultura, mas também para a estabilidade do abastecimento e da economia local. O documento produzido pelo município de Jaraguá do Sul parte do princípio de que, embora a força da natureza não possa ser controlada, a adoção antecipada de práticas adequadas de manejo, manutenção e resposta rápida é capaz de reduzir sensivelmente os prejuízos estruturais e econômicos. O El Niño é conhecido por provocar anomalias na circulação atmosférica global. Na Região Sul e, particularmente, em território catarinense, sua manifestação costuma estar associada a períodos de precipitação muito acima da média e à formação de tempestades convectivas isoladas, que trazem ventos de forte intensidade e grande volume de água concentrado em curtos intervalos de tempo. Para o setor agropecuário, os desdobramentos dessas condições climáticas são múltiplos. O excesso de água acumulada no solo pode asfixiar raízes, favorecer o surgimento de doenças nas plantas, atrasar cronogramas de plantio ou colheita e provocar a erosão de camadas férteis da terra. Por sua vez, vendavais e rajadas violentas de vento têm potencial para destelhar galpões, derrubar estufas, comprometer redes de energia e derrubar plantações inteiras que se encontravam próximas do ponto de colheita. Diante desse cenário desafiador, as orientações elaboradas pela administração municipal buscam fornecer aos agricultores um plano de ação preventivo. O guia aborda a importância da revisão periódica das estruturas físicas das propriedades, como coberturas, estufas e instalações de abrigo para animais, de modo que consigam resistir melhor a eventuais episódios de vendavais. Outro ponto central tratado pelo documento diz respeito aos alagamentos e ao gerenciamento das águas pluviais. A manutenção preventiva de canais de drenagem, valas de escoamento e curvas de nível surge como uma prioridade para evitar que a água das chuvas torrenciais fique represada nas áreas de cultivo. Quando os sistemas de drenagem funcionam de forma eficiente, a água flui sem devastar o terreno, minimizando perdas materiais e prevenindo deslizamentos de encostas nas imediações das áreas cultivadas. O material também reforça a necessidade de acompanhar os alertas meteorológicos oficiais emitidos pelos órgãos de monitoramento e pela Defesa Civil. Ao antecipar a chegada de uma frente de tempestade ou de um episódio crítico de precipitação, o produtor tem a oportunidade de recolher maquinários e ferramentas para locais protegidos, remanejar rebanhos para pontos mais altos e seguros da propriedade e realizar colheitas emergenciais daquelas culturas que já atingiram a maturação. Com a publicação do guia, o município de Jaraguá do Sul busca fortalecer a cultura da prevenção no campo, integrando a gestão de riscos às práticas diárias de quem trabalha na agricultura. O objetivo é criar uma rede de proteção e conscientização capaz de blindar os agricultores contra as incertezas do clima, preservando o patrimônio construído com dedicação e trabalho ao longo do ano.
Fonte: Economia SC







