Setor de apostas reage a declarações de Lula e alerta para perda de até R$ 73 bilhões aos cofres públicos Representantes do segmento respondem à ofensiva presidencial contra as plataformas online, apontam impacto financeiro na arrecadação de tributos e advertem para a migração dos usuários rumo ao mercado clandestino O debate em torno do funcionamento das plataformas de apostas online no Brasil ganhou um novo capítulo após manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizarem uma ofensiva institucional com vistas a encerrar as atividades do setor no país. A postura do chefe do Executivo provocou uma resposta contundente por parte dos agentes econômicos do segmento, que vieram a público para rebater a ideia de extinção das operações e alertar para as consequências fiscais e estruturais dessa medida. A reação foi liderada pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade que atua na representação das empresas de apostas esportivas e jogos virtuais. De acordo com o posicionamento apresentado pela organização, uma eventual interrupção forçada ou inviabilização das companhias licenciadas representaria um severo golpe nas finanças do Estado brasileiro, abrindo uma lacuna bilionária nas projeções orçamentárias da União. O principal ponto de alerta levantado pelo setor diz respeito ao montante financeiro que pode deixar de ingressar nos cofres da administração pública. Pelos cálculos evidenciados em meio ao embate, a suspensão ou o banimento das apostas online coloca em risco direto até R$ 73 bilhões em recolhimento de impostos e tributos associados, valor que deixaria de irrigar o orçamento governamental nos próximos anos. Além do expressivo rombo tributário estimado, o IBJR destacou a questão dos investimentos já vinculados ao processo de conformidade regulatória. As empresas interessadas em operar formalmente no território nacional precisam arcar com valores fixados em R$ 30 milhões relativos ao pagamento de outorgas oficiais. Para o setor, desconsiderar essa etapa compromete a credibilidade institucional e anula a arrecadação imediata decorrente das autorizações de funcionamento. Outro pilar central na argumentação dos representantes das bets envolve a segurança jurídica e a proteção dos consumidores. A entidade adverte que o fim das plataformas autorizadas não implicará na diminuição do interesse do público em apostar, mas sim na transferência inevitável dessa demanda para o mercado clandestino. Segundo a avaliação do setor, a atuação ilegal, desprovida de qualquer controle governamental ou exigência técnica, impede a fiscalização dos serviços e elimina qualquer possibilidade de tributação. Em um cenário de proibição total, os usuários ficariam expostos a páginas não fiscalizadas, enquanto o poder público perderia simultaneamente a arrecadação e a capacidade de monitoramento das atividades. O impasse expõe um contraste direto de visões sobre os rumos da política econômica e regulatória do país. De um lado, a fala de Lula evidencia a intenção do governo federal em colocar um ponto final nas apostas online, adotando um tom de enfrentamento ao avanço da indústria. Do outro, o mercado sustenta que a saída mais equilibrada reside na disciplina fiscal e na operação regular das companhias, sustentando que medidas punitivas radicais trarão perdas bilionárias irrecuperáveis para a arrecadação nacional. Com a tensão instalada entre a presidência da República e os operadores privados, a discussão segue sob os holofotes. O embate tende a mobilizar diferentes setores da economia e da gestão pública, sobretudo diante do desafio de equilibrar as metas de receita federal em contraposição a posicionamentos que defendem o encerramento definitivo das apostas eletrônicas no Brasil.
Fonte: Economia SC







