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Eleitores dos EUA derrotam big techs e ações de IA despencam

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Eleitores dos EUA derrotam big techs e ações de IA despencam

Rejeição popular a data centers e avanço da IA derrubam ações de big techs após eleições nos EUA Derrota do partido de Donald Trump nas eleições de meio de mandato foi marcada por 40 derrotas em plebiscitos locais sobre megaestruturas tecnológicas, refletindo preocupações com o custo de vida e impactos ambientais. Os eleitores dos Estados Unidos impuseram uma derrota expressiva às grandes empresas de tecnologia durante as eleições de meio de mandato realizadas na última terça-feira (3). Em dez estados do país, a população rejeitou maciçamente a instalação de data centers em suas comunidades e manifestou forte preocupação com o encarecimento do custo de vida associado a essas megaestruturas energéticas. O recado popular reverberou imediatamente nos mercados financeiros globais, provocando uma forte queda nas ações de tecnologia e abalando a coalizão política do presidente Donald Trump, cujos aliados do setor enfrentam agora um cenário de maior regulação e escrutínio público. Dos 41 plebiscitos locais realizados simultaneamente ao pleito legislativo, 40 terminaram com a rejeição popular aos projetos das chamadas big techs. A movimentação faz parte de um ciclo de consultas públicas organizadas por meio de petições populares que já contabiliza 47 votações realizadas, das quais apenas uma foi favorável ao desenvolvimento dos centros de dados. A maioria dessas iniciativas propõe restrições severas ou proibições a estruturas com demanda energética igual ou superior a 25 megawatts, patamar típico de centros de hiperescala necessários para processar dados de inteligência artificial. Dados compilados pela organização não governamental Ballotpedia revelam índices expressivos de oposição, com rejeições consistentemente acima de 60%. Um dos exemplos mais marcantes ocorreu na cidade de Ottawa, no Kansas, onde a proibição de construir centros de dados com consumo superior a 25 megawatts venceu com 72% dos votos. A insatisfação popular também se refletiu no cenário político nacional, contribuindo para a derrota do Partido Republicano, que perdeu as maiorias na Câmara e no Senado norte-americanos. O revés eleitoral coincidiu com uma mudança perceptível no humor do eleitorado em relação à inteligência artificial. Pesquisa da emissora NBC News realizada na boca da urna indicou que 57% dos eleitores americanos acreditam que a IA trará mais malefícios do que benefícios para a sociedade, enquanto 76% se posicionaram contrários à construção de data centers em suas próprias comunidades. Para o diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, o fenômeno político transcende as divisões partidárias tradicionais e evidencia uma exigência de controle democrático sobre a expansão tecnológica. A reação do mercado financeiro foi imediata diante da perspectiva de um ambiente regulatório mais rígido. As bolsas de valores ao redor do mundo registraram perdas generalizadas, puxadas pela baixa dos títulos das gigantes da tecnologia. Na bolsa eletrônica Nasdaq Composite, nos EUA, as ações registraram queda de 5,5% na última sexta-feira (6). O diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor da Universidade de Brasília, André Roncaglia, explicou que os resultados abalaram a base de sustentação de Trump, fortemente alinhada com as big techs. Segundo Roncaglia, os estados norte-americanos que tradicionalmente mantinham regulações mais flexíveis para a instalação de data centers atraíram um volume expressivo de investimentos, gerando impactos ambientais severos, além do encarecimento expressivo das tarifas de energia elétrica e do consumo de água. Essa pressão sobre os recursos locais foi o principal motor da mobilização popular. Com a nova maioria democrata no Congresso, a expectativa do mercado é de que o cenário de isenção regulatória dê lugar a um processo de acomodação baseada em novas regras para o setor. A alta no custo de vida nas regiões afetadas mobilizou candidatos democratas a defenderem maior intervenção estatal e regulação rigorosa da atividade, posicionando-se em contraponto à defesa de Trump pela autorregulação e ausência de travas aos investimentos privados. Em setembro deste ano, diante do desgaste político, o governo havia anunciado uma agenda na qual as próprias empresas definiriam seus mecanismos de segurança. A deputada eleita pelo Arizona Yassmin Ansari afirmou que a prioridade da bancada no Congresso deve incluir uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e a imposição de limites claros à indústria. Especialistas apontam que a inteligência artificial consolidou seu espaço na agenda eleitoral dos Estados Unidos e deve figurar como um dos temas centrais da disputa presidencial de 2028. O desgaste da aliança entre Trump e o empresário Elon Musk perante a opinião pública também pesou na avaliação dos eleitores. Enquanto organizações da sociedade civil e movimentos sociais em diferentes países acompanham os desdobramentos, o debate central permanece focado em definir quem efetivamente reterá os lucros da revolução tecnológica e quem arcará com os custos sociais e ambientais deixados por ela.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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