Enem 2024: especialistas recomendam descanso e lazer nas 24 horas antes da prova Psicólogas alertam que a tentativa de revisar todo o conteúdo na reta final do Exame Nacional do Ensino Médio gera ansiedade paralisante; foco deve ser o autocuidado, o sono e a organização logística. Com a proximidade do primeiro dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para este domingo (8), milhões de estudantes em todo o país entram na reta final de preparação. No entanto, o cenário que antecede a avaliação é frequentemente marcado por forte apreensão. A urgência em revisar o conteúdo acumulado ao longo de anos de estudo, somada às expectativas pessoais e familiares, pode desencadear sintomas severos de ansiedade e até episódios depressivos nos candidatos. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam que uma sólida preparação socioemocional é indispensável neste momento para impedir que o estresse se torne desproporcional ou prejudicial ao desempenho cognitivo. Sob a ótica da psicologia, a tensão surge da percepção de que a capacidade e o preparo do estudante estão sendo testados, além do peso que o exame carrega para o futuro profissional e o acesso ao ensino superior. A psicóloga e professora Wilma Amorim, da Afya Porto Nacional, aponta que o Enem simboliza a concretização de projetos construídos a longo prazo, gerando receio de falhar, insegurança e cobrança excessiva. Contudo, a especialista ressalta que um nível moderado de agitação é perfeitamente esperado e pode até ser produtivo para manter o foco. Segundo Amorim, o problema não é sentir o tradicional “frio na barriga”, mas sim quando a ansiedade se torna intensa a ponto de prejudicar a concentração, o ciclo do sono e a memória. Nas vésperas da avaliação, muitos estudantes cometem o erro de abrir mão do autocuidado para estender as horas de estudo, privando-se de sono regular e de uma alimentação equilibrada. Para Stephanie Zanini, pós-graduada em psicologia positiva e diretora de Programas de Desenvolvimento de Lideranças do Ensina Brasil, esse comportamento derruba o rendimento do aluno. Nas 24 horas que antecedem o exame, Zanini desaconselha o estudo intensivo e sugere a busca por momentos de lazer ao lado de pessoas queridas, reforçando que a base teórica sólida foi construída ao longo de todo o ano letivo. De acordo com a especialista, não adianta tentar ler todos os livros ou decorar fórmulas na véspera. O momento é ideal para ir ao cinema, saborear uma comida preferida e estar com quem se ama, pois o aprendizado efetivo ocorreu nas semanas e anos anteriores. Ambas as psicólogas recomendam atenção redobrada à saúde física, incluindo sono adequado, alimentação leve e descanso. Além disso, os preparativos logísticos funcionam como aliados poderosos contra o pânico de última hora. Visitar o local de prova com antecedência, separar a documentação exigida e organizar os materiais permitidos evitam imprevistos e reduzem os picos de ansiedade. Outro fator determinante para a saúde mental na reta final é a redução drástica no tempo de tela. As redes sociais costumam intensificar comparações nocivas entre os candidatos, alimentando sentimentos de incapacidade, exaustão emocional e angústia diante do desempenho alheio. O apoio familiar também desempenha um papel central na redução da pressão sobre os estudantes. Os especialistas recomendam que pais e responsáveis adotem uma postura de escuta atenta, valorizando o esforço empregado pelo jovem ao longo de sua trajetória escolar. Esse acolhimento precisa respeitar a individualidade, compreendendo que alguns alunos preferem momentos de introspecção, enquanto outros se sentem mais confortáveis conversando sobre a prova. Apresentar alternativas concretas para diferentes cenários de resultado, garantir estabilidade emocional e colaborar com a rotina logística nas horas prévias são atitudes que ajudam a aliviar a sobrecarga. Em contrapartida, frases que criem cobranças excessivas por alta performance, como “você precisa passar” ou “estamos investindo em você”, devem ser evitadas. Segundo Wilma Amorim, cobranças explícitas ampliam o medo de decepcionar e agravam o desgaste emocional do candidato. O estudante precisa de apoio, incentivo e segurança emocional, transmitidos pela família através da confiança na preparação que já foi realizada.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







