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Bolsas de sangue raro chegam a Santa Catarina para atender paciente com anemia falciforme

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Bolsas de sangue raro chegam a Santa Catarina para atender paciente com anemia falciforme

Logística entre estados garante bolsas de sangue raro em Florianópolis para paciente com anemia falciforme Operação coordenada pelo HEMOSC mobilizou Banco de Doadores de Sangue Raro para atender paciente internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão na madrugada do último sábado. Duas bolsas de sangue com compatibilidade rara, estimada em apenas um caso a cada 100 mil pessoas, chegaram a Santa Catarina na madrugada do último sábado, dia 24, para garantir o tratamento de uma paciente com anemia falciforme internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. O material foi solicitado em caráter de urgência pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC) ao Banco de Doadores de Sangue Raro, estruturado em âmbito nacional para atender demandas de alta complexidade que exigem características sanguíneas específicas. A chegada do insumo coincide com o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme, celebrado nesta terça-feira, dia 27. A data é utilizada pelo Governo do Estado para reforçar a relevância estratégica da rede integrada de doadores e da cooperação contínua entre os serviços de hemoterapia brasileiros, fatores determinantes para o acesso rápido a perfis sanguíneos raros em situações críticas de saúde. A anemia falciforme é uma patologia de origem genética e hereditária que altera a morfologia das hemácias, fazendo com que as células adquirem rigidez e o formato semelhante a uma foice. Essa alteração estrutural facilita a ruptura celular e provoca a obstrução da circulação sanguínea, gerando quadros severos de anemia e outras complicações clínicas. Em cenários específicos, a transfusão de sangue torna-se indispensável para corrigir a deficiência ou tratar manifestações graves da enfermidade, o que evidencia a dependência de doadores perfeitamente compatíveis. De acordo com o HEMOSC, o estado de saúde da paciente que recebeu o material permanece estável. Por esse motivo, as duas bolsas enviadas de São Paulo ficarão armazenadas e disponíveis por um período de até 42 dias, respeitando rigorosamente os protocolos de conservação e validade para uma eventual utilização no tratamento. O bioquímico do HEMOSC, Everaldo Jose Schorner, detalha que o material continuará reservado tanto para a paciente em questão quanto para outro indivíduo que possa necessitar do mesmo fenótipo raro, seja no estado ou em outra unidade da federação. Apenas quando restarem cinco dias para o vencimento das bolsas, o material será redirecionado para uso geral em outros pacientes, caso não tenha sido consumido. Os dados estatísticos da instituição revelam a dinâmica de cooperação interestadual. Ao longo de 2026, o HEMOSC enviou cinco bolsas de sangue raro para atender demandas em outros estados e recebeu quatro unidades de redes externas. Para a diretora-geral do HEMOSC, Patrícia Carsten, o Programa Sangue Raro desempenha um papel vital na preservação de vidas, sobretudo com os avanços recentes na logística de transporte aéreo. A gestora destaca que o transporte do material biológico passou a ser realizado diretamente na cabine de aeronaves comerciais, deixando de ser tratado como carga comum, o que atesta o valor estratégico do sangue transportado. O procedimento é executado em embalagens apropriadas, com controle rígido de temperatura mantido entre 1ºC e 10ºC. Essa facilidade logística foi consolidada por meio de um acordo formalizado em meados de 2026 entre a Agência Nacional de Aviação Civil e as companhias aéreas comerciais. No ano passado, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes de materiais, sendo 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira. A complexidade da compatibilidade sanguínea é dimensionada pelas diretrizes da Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue, que reconhece oficialmente 49 sistemas de grupos sanguíneos, 398 antígenos e 2.001 variações genéticas. A identificação de um perfil considerado raro ocorre quando determinada característica de fenotipagem e genotipagem é encontrada em menos de uma a cada mil pessoas testadas. No Brasil, o Cadastro Nacional de Sangue Raro, instituído em 2013, contabiliza atualmente 2.032 doadores devidamente registrados e já prestou atendimento a mais de 300 pacientes em todo o território nacional. O HEMOSC, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, opera sob a gestão da organização social FAHECE. Em termos epidemiológicos, a Doença Falciforme afeta entre 60 mil e 100 mil pessoas no Brasil, enquanto a Organização Mundial da Saúde estima a existência de 7,74 milhões de doentes no mundo, com concentração de quase 80% dos casos na região da África Subsaariana. A alteração genética afeta diretamente a hemoglobina, proteína encarregada do transporte de oxigênio na corrente sanguínea, apresentando maior incidência em pessoas pretas e pardas, embora possa manifestar-se em indivíduos de variadas origens étnicas.

Fonte: noticias sc

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