Eleições no Brasil: Trump questiona pleito e Alckmin rebate críticas Vice-presidente classifica declarações do líder norte-americano como equivocadas e reforça solidez da democracia e da segurança jurídica brasileira após o segundo turno. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o processo eleitoral brasileiro geraram pronta resposta do governo federal nesta segunda-feira (26). Em conversas com jornalistas nos Estados Unidos, o líder norte-americano colocou em dúvida a lisura das eleições no Brasil, ecoando o posicionamento da campanha do candidato derrotado no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro, ao criticar a decisão judicial que prorrogou o horário de votação. O questionamento de Trump concentrou-se na alteração do prazo das urnas, realizada após registros de restrições na circulação do transporte coletivo em diversas cidades brasileiras durante o domingo de eleições. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, determinou a ampliação do horário em duas horas, permitindo que os eleitores votassem até as 19h. Na disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 59,8 milhões de sufrágios. Para o presidente dos Estados Unidos, a organização do pleito pareceu estranha e a eleição teria aparentado irregularidades, embora ele tenha ressalvado que não aprofundou o assunto e que não governa o Brasil. Trump também pontuou que mantém uma boa relação com o presidente reeleito e que apenas acompanhou o processo de forma imparcial, sem escolher um lado na disputa, e que não interfere na política interna do país sul-americano. A reação do governo brasileiro veio por meio do vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin. Em entrevista concedida à TV Vanguarda, no interior de São Paulo, Alckmin classificou a opinião de Trump como totalmente equivocada e ressaltou que a interferência na política externa de outra nação viola regras basilares de diplomacia. O vice-presidente enfatizou que o sistema eleitoral brasileiro, baseado no uso de urnas eletrônicas e na segurança jurídica, serve de exemplo para o mundo. Alckmin também pontuou que o processo democrático prevê vitórias e derrotas decididas diretamente pela vontade popular, desqualificando qualquer narrativa de fraude. Na mesma entrevista, o vice-presidente abordou as relações comerciais bilaterais e as tratativas econômicas em curso, mencionando o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos que acabou por inviabilizar a entrada de determinados produtos brasileiros no mercado norte-americano. Apesar das barreiras comerciais, Alckmin destacou que o Brasil tem buscado alternativas de mercado com sucesso, citando os entendimentos comerciais avançados entre o Mercosul e blocos ou países como Singapura, União Europeia e Canadá. Segundo o vice-presidente, mesmo com o cenário adverso de tarifas elevadas, o país bateu recorde de exportações e continuará negociando acordos sólidos com os norte-americanos após o encerramento do processo eleitoral. O posicionamento de Trump sobre o pleito brasileiro ocorre em um contexto de atritos e falta de consenso político em Washington em relação ao Brasil. Dias antes da votação, em 24 de setembro, um grupo de 31 parlamentares do Partido Democrata enviou uma carta formal à Casa Branca na qual acusava o governo Trump de adotar um esforço coordenado para ameaçar a aliança estratégica com o Brasil e enfraquecer a democracia nacional. Os parlamentares norte-americanos apontaram na ocasião que a administração de Trump teria tomado medidas deliberadas para favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro. Entre as acusações listadas pelos democratas constavam a imposição do tarifaço às mercadorias brasileiras como forma de pressão política e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, evidenciando as divergências internas na política dos Estados Unidos em relação às eleições brasileiras.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







