Vacina contra HPV no SUS reduz em quase 78% consultas por lesões pré-cancerígenas em adolescentes Estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics aponta queda expressiva nos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde, destacando a eficiência da imunização em massa na faixa etária dos 9 aos 14 anos. As consultas médicas por lesões pré-cancerígenas no colo do útero em adolescentes despencaram quase 78% no Brasil após a consolidação da vacinação contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS), revelando o impacto direto e precoce da imunização na prevenção de neoplasias graves entre jovens de 15 a 19 anos. O dado faz parte de uma pesquisa inédita publicada recentemente na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, que analisou o comportamento dos atendimentos na rede pública de saúde nas últimas décadas. O levantamento utilizou informações do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde, focando em primeiras consultas registradas com códigos diagnósticos específicos para lesões intraepiteliais cervicais de alto grau, que são as principais precursoras do câncer de colo do útero se não forem tratadas adequadamente. A queda nos registros foi vertiginosa ao longo dos anos avaliados. Em 2011, antes da ampla circulação da vacina, o SUS contabilizou 474 atendimentos a adolescentes de 15 a 19 anos devido a essas complicações. O número subiu para 603 em 2015, logo após o início da distribuição do imunizante, refletindo o período de transição. No entanto, a partir de então, a curva despencou para 299 consultas em 2019, chegando a apenas 136 em 2023. Para isolar o fator de crescimento ou redução populacional, os pesquisadores calcularam a taxa de consultas a cada 100 mil adolescentes. O índice despencou de 7,1 por 100 mil em 2015 para 1,8 por 100 mil em 2023. O estudo ressalta que essa faixa etária foi a única a registrar quedas tão expressivas, o que coincide exatamente com o público-alvo que passou a ser vacinado em massa pela rede pública desde 2014, quando o imunizante passou a ser oferecido para meninas, com posterior ampliação para os meninos em 2017. Atualmente, a recomendação oficial do Ministério da Saúde prioriza a aplicação em crianças e adolescentes dos 9 aos 14 anos de idade. Para confirmar que a melhora não decorria de alterações comportamentais gerais na sociedade, os autores do estudo avaliaram também as primeiras consultas por outras infecções sexualmente transmissíveis no mesmo período. O resultado apontou um movimento completamente inverso: entre adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de procura por atendimento médico saltou de 1,7 em 2015 para 10,8 em 2023. Na avaliação dos pesquisadores, esse contraste reforça que a redução drástica das lesões pré-cancerígenas é fruto direto da vacinação e não de mudanças seculares na saúde sexual ou na utilização dos serviços de saúde. Com base na curva estatística projetada antes da introdução da vacina, os pesquisadores estimam que o SUS evitou cerca de 5 mil casos de lesões graves. De 2011 a 2019, foram registradas 2.620 primeiras consultas, mas o total projetado sem a intervenção do imunizante seria de 7.688 ocorrências. Os dados reforçam a urgência de manter altas coberturas vacinais, visto que o papilomavírus humano é o principal causador do câncer de colo do útero, a terceira neoplasia mais frequente entre as mulheres no Brasil. De acordo com o perfil epidemiológico nacional, o país diagnostica cerca de 19 mil novos casos da doença todos os anos, contabilizando aproximadamente 7 mil óbitos anuais. A Organização Mundial da Saúde aponta que a enfermidade tem potencial de erradicação nas próximas décadas, desde que os países consigam aliar a imunização em massa de altas coberturas, o rastreamento por exames preventivos como o papanicolau e o tratamento precoce. Embora o estudo demonstre o sucesso da estratégia nacional, os responsáveis pela pesquisa alertam que a manutenção dos avanços depende da recuperação de jovens que perderam a idade ideal de imunização. Atualmente, o Ministério da Saúde mantém campanhas voltadas para o resgate de vacinação em atraso para o público de até 19 anos, além de direcionar doses para grupos vulneráveis, como vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV e pessoas que já apresentaram histórico de lesões pré-cancerígenas. O papilomavírus humano é altamente prevalente e estima-se que cerca de 80% da população mundial entre em contato com o patógeno em algum momento da vida, embora apenas subtipos específicos possuam potencial oncogênico. Além do colo do útero, o vírus está associado ao surgimento de tumores malignos na região anal, peniana, vaginal e de orofaringe, reforçando que a vacina e os exames regulares continuam sendo as ferramentas mais eficazes de proteção à saúde pública.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







