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Mostra de Cinema Adelia Sampaio homenageará cineastas de duas gerações

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Mostra de Cinema Adelia Sampaio homenageará cineastas de duas gerações

VIII Mostra de Cinema Negro Adelia Sampaio começa em Brasília com filme inédito e tributo a Joyce Prado Evento no Cine Brasília e na UnB reúne 40 produções de 15 estados e de quatro países, celebrando a força histórica e a renovação de cineastas negras de diferentes gerações. A VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio estreia na próxima segunda-feira (9/11), às 19h20, no Cine Brasília, consolidando-se como um dos principais espaços de difusão da cinematografia negra no país com uma programação que une resgate histórico e homenagens a duas gerações de diretoras. Em sua oitava edição, o festival traz à capital federal 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, representados por 15 estados brasileiros e pelo Distrito Federal, além de produções internacionais vindas do Mali, de Burkina Faso, do Senegal e de Cuba. A noite de abertura no tradicional cinema da Asa Sul será marcada por um duplo tributo a importantes cineastas negras brasileiras. O público presente acompanhará a exibição inédita do curta-metragem “Agora um Deus Dança em Mim”, dirigido por Adelia Sampaio. A obra estava desaparecida há mais de 40 anos e foi recentemente restaurada pela Cinemateca Brasileira. O filme utiliza imagens de um solo da bailarina Tatiana Cobbett para debater a escassez de espaço e incentivo para bailarinos se apresentarem no Brasil. Para a diretora, que em 1984 fez história ao se tornar a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no país com “Amor Maldito”, o reencontro com a própria obra carrega uma carga emocional profunda. Ela destacou que o trabalho representa o início de sua trajetória artística e que jamais imaginou conseguir rever o material após décadas de desaparecimento. Na mesma noite, a programação homenageia postumamente a cineasta Joyce Prado, falecida no ano passado, com a exibição de sua última direção, o filme “Quase da Família” (2026). A obra retrata a luta histórica pela regulamentação da profissão de trabalhadora doméstica no Brasil, temática que dialoga diretamente com o conceito curatorial da Mostra deste ano. A idealizadora e diretora do festival, Edileuza Penha de Souza, ressalta que a homenagem é imprescindível diante da relevância de Joyce Prado para o cinema negro nacional. Segundo a curadora, a escolha do filme de abertura e da obra de encerramento, “Aqui Não Entra Luz”, de Karol Maia, estabelece um alinhamento direto com sua própria trajetória artística, marcada pelo premiado filme “Filhas de Lavadeira”. Para ela, essas produções servem como um reverente reconhecimento às mulheres domésticas que sustentaram e viabilizaram a trajetória de tantas gerações. Além das exibições audiovisuais, a programação estende-se de 10 a 14 de novembro para o Anfiteatro 10 da Universidade de Brasília (UnB), onde ocorrerão as mostras competitivas e debates. Na terça-feira (10), às 16h, a própria Adelia Sampaio revelará mais uma vertente de seu talento artístico com o lançamento de seu primeiro livro infantojuvenil, intitulado “Voos e Sonhos de uma Borboleta”. A obra literária tem caráter poético e reconstrói passagens marcantes da infância da cineasta. Nascida em Belo Horizonte, Adelia passou parte de seus primeiros anos em um abrigo localizado no município de Santa Luzia do Rio das Velhas, em Minas Gerais. Ela foi levada à instituição aos 7 anos de idade por determinação da patroa de sua mãe, Guiomar, que exercia a função de empregada doméstica. Aos 12 anos, passou a morar com a irmã e, por meio do convívio familiar, teve o primeiro contato com o cinema, paixão que mudaria os rumos de sua vida e da história cultural brasileira.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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