Tornados e temporais deixam rastro de destruição e centenas de desalojados em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul Fenômenos extremos confirmados por radares meteorológicos provocaram destelhamentos, enchentes e dezenas de resgates nos dois estados, enquanto a instabilidade avança para o Paraná e São Paulo. Uma sequência de tempestades severas, incluindo a confirmação de tornados, atingiu a Região Sul do Brasil desde o último domingo (1), provocando danos generalizados em dezenas de municípios, centenas de desabrigados e desalojados, além de dezenas de feridos, conforme balanços divulgados pelas Defesas Civis estaduais. Em Santa Catarina, o órgão de proteção e defesa civil confirmou a ocorrência de tornados na manhã desta quarta-feira (4) nos municípios de Chapecó e Xanxerê, situados no oeste catarinense. Desde o início das instabilidades, 86 municípios do estado registraram ocorrências ligadas à chuva intensa, ventos fortes e queda de granizo, totalizando 4.441 residências afetadas e treze decretos de situação de emergência. Os impactos mais severos no território catarinense concentraram-se na região de Chapecó, onde os fortes ventos causaram destelhamentos generalizados e atingiram a estrutura do aeroporto local, danificando hangares e o saguão principal. Na cidade de Fraiburgo, houve o registro de inundações significativas, enquanto equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina atuaram em resgates cruciais em outras regiões. Em Rio do Sul, equipes de salvamento resgataram 30 pessoas, entre adultos e crianças, que estavam ilhadas nas dependências de uma escola. Já em Lages, na Serra Catarinense, a mobilização dos bombeiros resultou no resgate de 76 pessoas afetadas por enchentes, sendo a ocorrência mais expressiva registrada na área central, onde 60 cidadãos foram retirados de outra unidade escolar. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, mais de 200 efetivos foram mobilizados para o atendimento às ocorrências climáticas. No início da tarde, o número de chamados atendidos chegava a 45, sem registro de vítimas fatais até o momento. A confirmação dos tornados em solo catarinense veio após análises técnicas conduzidas pela Defesa Civil do estado, que utilizou a integração de diferentes produtos de radar meteorológico. Os dados apontaram a circulação rotativa dos ventos no interior de tempestades severas, validando o fenômeno. A estação meteorológica da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil em Chapecó registrou rajadas de 93 km/h, enquanto uma estação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) apontou ventos de até 126 km/h em outro ponto do município. Em Xanxerê, o radar identificou características semelhantes, com ventos estimados em 80 km/h. No Rio Grande do Sul, o cenário também é de alerta e recontagem de prejuízos. A Defesa Civil gaúcha contabiliza 102 municípios atingidos pelas intempéries desde domingo, com 6.373 casas danificadas, incluindo 2.079 destelhamentos. O estado registra atualmente 234 pessoas desalojadas e 93 desabrigadas, além de 24 feridos e aproximadamente 47 mil afetados por episódios de granizo, vendavais, chuvas intensas, enxurradas e descargas elétricas. O município gaúcho mais castigado foi Espumoso, onde 600 moradias sofreram danos e duas pessoas ficaram feridas. Em Nova Prata, a força dos ventos danificou 2.700 residências e deixou 15 feridos. Em Passa Sete, um vendaval impactou 4.132 moradores, destelhou 32 casas e provocou quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Já em Passo Fundo, a incidência de granizo afetou 1.360 pessoas, danificou 335 casas — com a destruição total de uma delas — e provocou a obstrução de 29 vias locais. Os municípios de Água Santa e Áurea reportaram, cada um, mais de 50 residências destelhadas. Diante do avanço das frentes frias, a instabilidade climática deve mudar de eixo a partir de quinta-feira, deslocando-se em direção ao Paraná e a São Paulo, onde a previsão de tempestades se estende até sábado. A Defesa Civil paulista e órgãos paranaenses alertam para a possibilidade de rajadas de vento de até 80 km/h, descargas elétricas frequentes e queda isolada de granizo. Segundo a Defesa Civil de São Paulo, o padrão de instabilidade deve ocorrer de forma irregular, intercalando períodos de melhoria temporária com pancadas de chuva forte concentradas em curtos intervalos, com maior probabilidade de ocorrência durante os períodos da tarde e da noite. As autoridades recomendam que a população de áreas de risco permaneça atenta aos alertas emitidos pelos canais oficiais durante o período de instabilidade.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







