De olho no Planalto: estudante com deficiência visual que abraçou Lula planeja carreira política e cobra acessibilidade Aos 13 anos, Daniel Vidal defende a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência, quer incentivar a juventude e sonha em governar o Brasil O estudante brasiliense Daniel Vidal, de 13 anos, precisou de apenas 50 segundos para marcar presença durante as homenagens de aniversário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em frente ao Palácio da Alvorada. Acompanhado do pai, o garoto aproveitou o breve contato na grade da residência oficial para agradecer pelas políticas públicas e declarar sua admiração ao chefe do Executivo, mas o tempo escasso impediu que revelasse sua maior ambição: o desejo de também ser presidente da República. Morador da Asa Sul, bairro central de Brasília, Daniel vestia a camisa número 13 da seleção brasileira — peça que agora virou símbolo para a família — ao faltar ao treino de futebol para prestigiar o evento no dia 27. O jovem convive com a Amaurose Congênita de Leber, uma doença genética rara diagnosticada aos dois meses de vida, que reduziu sua visão a menos de 5% em ambos os olhos. O estímulo constante recebido desde a infância, contudo, consolidou uma rotina ativa e despertou nele uma precoce vocação pública. Caso tivesse uma audiência mais longa com Lula, Daniel afirma que apresentaria sugestões pontuais para a estrutura do governo federal. Entre as principais ideias do estudante está a transformação da atual Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência — criada em janeiro de 2023 e vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — em um ministério exclusivo e dotado de maior autonomia. A ampliação das condições de mobilidade urbana no país também figura entre as prioridades do adolescente. Daniel relata que enfrenta barreiras arquitetônicas cotidianamente, destacando calçadas esburacadas que impedem a circulação de cadeiras de rodas, edifícios sem rampas ou elevadores e deficiências severas na infraestrutura do transporte coletivo. Para ele, o poder público precisa corrigir essas falhas com urgência para garantir autonomia à população. Na área da educação, o estudante utiliza um teclado eletrônico em braille acoplado a um computador para acompanhar as aulas escolares. Com base na própria experiência pedagógica, ele sugere a distribuição governamental em larga escala desse tipo de tecnologia assistiva para todos os alunos cegos ou com baixa visão matriculados na rede pública de ensino. O interesse do garoto por temas como geopolítica, economia e desigualdade social é estimulado ativamente pelos pais, a servidora pública Raquel Vidal, de 45 anos, e o bancário Fernando Moura, de 46. Daniel acompanha de perto os indicadores nacionais, celebrando dados recentes como a saída do Brasil do Mapa da Fome e a redução do desemprego aos menores patamares desde 2015. Dentro de casa, as conversas envolvem o combate permanente a todas as formas de preconceito, com ênfase no capacitismo e no racismo estrutural. O pai, que é negro, dialoga frequentemente com o filho, que é branco, a respeito do legado da escravidão no país e da importância da tolerância com a diversidade humana, reiterando a rejeição completa a qualquer postura preconceituosa. Mesmo ciente de que o direito ao voto só ocorre aos 16 anos, Daniel defende o engajamento cívico dos jovens antes do prazo eleitoral formal. Emocionado ao acompanhar as manifestações de rua realizadas por adolescentes durante o último período eleitoral, ele argumenta que o desenvolvimento socioeconômico brasileiro depende diretamente do interesse das novas gerações pelos rumos da administração pública. Na visão de Daniel, a sociedade civil deve se manter vigilante e pressionar a Presidência da República pelo cumprimento das promessas de campanha e pela expansão de programas sociais. Ele resume que a meta do país precisa ser a transição definitiva de nação emergente para país plenamente desenvolvido, ambição que os pais acompanham com orgulho, esperando que o filho encontre portas abertas para construir o próprio caminho.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







