Filha de Marielle Franco denuncia ataques racistas de aluno da PUC-Rio contra a vereadora em grupo de WhatsApp Família da parlamentar assassinada em 2018 aponta que mensagens continham ofensas explícitas e questionamentos sobre a trajetória acadêmica da socióloga, gerando forte reação do Instituto Marielle Franco e investigação na universidade. A memória da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018, voltou a ser alvo de ataques virtuais, desta vez em um grupo de WhatsApp integrado por um aluno da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A denúncia foi tornada pública por Luyara Franco, filha da parlamentar, que utilizou suas redes sociais para expor as ofensas de cunho racista e exigir providências imediatas tanto das autoridades quanto da instituição de ensino onde sua mãe cursou sociologia. De acordo com a denúncia compartilhada em conjunto com o Instituto Marielle Franco, as mensagens enviadas pelo estudante continham o uso do termo “macaca” e questionamentos depreciativos sobre como Marielle teria custeado seus estudos na universidade. A repercussão do caso mobilizou defensores dos direitos humanos e movimentou o debate sobre a persistência da violência política de gênero e raça no Brasil, mesmo anos após a execução da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro. Em sua manifestação pública, Luyara Franco destacou o impacto emocional e a gravidade dos ataques direcionados à trajetória de sua mãe. A jovem enfatizou que a tentativa de deslegitimar a história de uma mulher negra que ocupou espaços de poder acadêmico e político não passará em silêncio e reiterou que o racismo constitui crime inafiançável e imprescritível segundo a legislação brasileira, sem margem para ser tratado como mera opinião ou liberdade de expressão. O posicionamento de Luyara ressalta o perfil de Marielle como uma mulher negra que construiu sua carreira com rigor intelectual e compromisso com a transformação social. Segundo a família, a parlamentar continua sendo alvo de racismo e violência simbólica mesmo após ter tido sua vida interrompida pela violência política. Para o Instituto Marielle Franco, episódios como este reforçam a urgência de respostas firmes da sociedade civil e das instituições de ensino diante de condutas discriminatórias praticadas por estudantes. Procurada pela reportagem, a PUC-Rio informou por meio de nota oficial que recebeu denúncias referentes ao caso por meio de sua Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias. A administração da universidade confirmou a abertura de uma investigação interna destinada a apurar rigorosamente o ocorrido e a adotar todas as medidas administrativas e legais cabíveis diante da gravidade da situação. A instituição ressaltou que rechaça veementemente qualquer ato discriminatório, incluindo o racismo e a injúria racial. Como universidade confessional e comunitária, a PUC-Rio divulgou uma nota de repúdio a toda a comunidade acadêmica, reafirmando seu compromisso institucional com a promoção de uma educação antirracista e com a preservação histórica e o respeito à memória de Marielle Franco. O episódio na PUC-Rio soma-se a outro incidente recente de hostilização à memória da vereadora ocorrido nas proximidades da universidade. No dia 13, durante um ato público realizado por apoiadores do então presidenciável Flávio Bolsonaro, manifestantes utilizaram um carro de som para ironizar o assassinato de Marielle Franco. Nos registros em vídeo que circularam amplamente pelas redes sociais, participantes do ato fizeram chacota com a morte da parlamentar, gerando forte onda de indignação e novos pronunciamentos públicos de Luyara Franco e da tia da jovem, a deputada federal eleita Anielle Franco. O assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes ocorreu em março de 2018, quando o veículo em que estavam foi alvejado a tiros ao saírem de um evento político no centro da capital fluminense. O caso obteve importantes desdobramentos judiciais recentes com a condenação, em 2024, dos executores confessos Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, ambos ex-policiais militares. A investigação conduzida pelas autoridades também resultou na responsabilização judicial de figuras apontadas como mandantes e articuladores do crime, entre eles o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







