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Em carta golpista, Flávio agradece Milei e Trump por apoio para fuga

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Em carta golpista, Flávio agradece Milei e Trump por apoio para fuga

Flávio Bolsonaro agradece Milei e Trump em carta após fuga para os Estados Unidos Ex-candidato derrotado à Presidência divulga comunicado oficial a partir de solo norte-americano, enquanto Polícia Federal investiga os passos de sua saída do Brasil e aliados enfrentam repercussão internacional. Após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, o candidato derrotado na eleição presidencial Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta nesta quarta-feira (28) na qual agradece formalmente aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio recebido para concretizar sua saída do país. O documento foi distribuído pela assessoria de imprensa do senador poucas horas depois de sua chegada a Miami, acompanhado da esposa e das duas filhas, culminando uma operação de fuga que envolveu travessia de fronteira terrestre e deslocamento por avião particular. A divulgação da carta foi marcada por alterações de tom logo em sua emissão inicial. Em uma primeira versão do comunicado, o parlamentar declarava-se abertamente como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois da distribuição aos jornalistas, o termo foi modificado para “líder do Brasil”. O texto também veio acompanhado de um erro institucional no timbre: o brasão da República utilizado trazia a denominação anacrônica “Estados Unidos do Brazil”, com a letra z, nomenclatura que deixou de vigorar no país em março de 1967. No documento, Flávio Bolsonaro afirma, sem apresentar provas, que a eleição presidencial brasileira foi fraudada. Ele direciona críticas severas a uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, que atendeu a um pedido conjunto das campanhas do PL e do PT para estender o prazo de votação em duas horas, permitindo que os portões permanecessem abertos até as 19h no último domingo (25). Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a extensão computou apenas 34.393 votos em um universo de cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos. Na disputa presidencial, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 64 milhões de votos, consagrando-se vitorioso no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou pouco mais de 59 milhões de sufrágios. Na carta, o senador reclamou que a ordem da Suprema Corte teria chegado após o fim do horário legal, com as urnas já encerradas. As contestações do candidato derrotado entram em choque direto com a apuração oficial chancelada pelo TSE, além do reconhecimento do pleito emitido pela Organização dos Estados Americanos (OEA), por governos de diversos continentes e pelo próprio Partido Liberal (PL), legenda à qual Flávio é filiado. O comunicado oficial também investe contra outra decisão do STF, desta vez assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinou a proibição de deixar o país e ordenou a entrega imediata dos passaportes pessoal e diplomático do senador. A medida cautelar foi imposta a pedido da Polícia Federal, que apontou risco iminente de fuga diante do avanço de investigações criminais contra o parlamentar. Flávio é alvo de dois inquéritos em curso na Suprema Corte: um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas online, envolvendo também o advogado Willer Tomaz, e o outro investiga o financiamento do filme Dark Horse, focado na trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar das restrições judiciais e das investigações, a articulação da saída do Brasil ocorreu de forma rápida. Flávio, a esposa e as filhas cruzaram a fronteira terrestre com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), passando pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Às 23h30 da mesma noite, a família embarcou em um avião privado com destino a Guayaquil, no Equador, de onde prosseguiu viagem até pousar em Miami na manhã desta quarta-feira. A rota é agora objeto de apuração rigorosa pela Polícia Federal, que investiga as circunstâncias logísticas e financeiras que viabilizaram a evasão. A fuga foi duramente repudiada pelo Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o episódio como um “ato vergonhoso”. Em sua defesa na carta, Flávio argumenta que optou por se estabelecer no exterior para assumir a linha de frente da oposição sem as amarras impostas pela Justiça brasileira. “Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu o senador, acrescentando que assumirá os riscos que os parlamentares do PL mantidos no Brasil não poderiam suportar. A chegada do senador aos Estados Unidos gerou reflexos políticos imediatos no cenário norte-americano. Na manhã desta quarta-feira, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, controlado pelo Partido Democrata, emitiu duras críticas à decisão do governo de Donald Trump de conceder visto de entrada a Flávio Bolsonaro. Por meio de publicações em redes sociais, o colegiado contrastou a rigidez da política migratória aplicada a solicitantes de refúgio oriundos de zonas de conflito com o tratamento dispensado ao clã brasileiro. “Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas o secretário de Estado Marco Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, publicou o comitê. A presença de Flávio nos Estados Unidos o coloca próximo a seu irmão mais novo, Eduardo Bolsonaro, que reside no país desde março de 2025. Dias antes do segundo turno das eleições brasileiras, Eduardo já havia declarado publicamente que o irmão deveria abandonar o Brasil caso fosse derrotado nas urnas. Atualmente, Eduardo acumula condenações no STF, tendo sido sentenciado por articular um tarifaço aplicado pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil em julho de 2025, manobra cujo objetivo declarado era tentar barrar o julgamento e a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, sentenciado posteriormente a 27 anos de prisão por crimes relacionados a tentativa de golpe de Estado.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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