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Conselho Nacional de Direitos Humanos pede suspensão do Smart Sampa

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Conselho Nacional de Direitos Humanos pede suspensão do Smart Sampa

Conselho Nacional de Direitos Humanos pede suspensão imediata do programa Smart Sampa em São Paulo Falhas graves de segurança deixaram expostas 58 mil câmeras de monitoramento, dados de agentes públicos e rotinas sensíveis da cidade por quase um ano, motivando acionamento do Ministério Público. O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) formalizou um pedido de suspensão do programa de videomonitoramento Smart Sampa, gerido pela Prefeitura de São Paulo, após a revelação de falhas críticas de segurança que permitiram o acesso de terceiros não autorizados ao sistema. A vulnerabilidade, que comprometeu dados sigilosos e imagens de escolas, hospitais e espaços públicos da capital paulista, foi descoberta e tornada pública pelo portal UOL em 20 de outubro. De acordo com as investigações, 181 logins e senhas de usuários, informações cadastrais de mais de 6 mil agentes de segurança e orientações detalhadas para replicar a interface da plataforma permaneceram expostos em um repositório público por aproximadamente 11 meses. O material vulnerável concedeu acesso irrestrito a imagens de mais de 58 mil câmeras espalhadas por creches, escolas, unidades básicas de saúde e centros de atenção psicossocial em São Paulo, além de possibilitar a consulta a cadastros de pessoas físicas, nomes, placas de veículos e a inserção direta de dados na plataforma municipal. Para o CNDH, a ausência de mecanismos básicos de proteção, como a autenticação de duas etapas, somada ao uso de senhas dedutíveis, colocou em risco iminente a segurança de dados públicos e a privacidade da população. O órgão federal destacou a gravidade de o sistema ter ficado vulnerável por quase um ano, período em que qualquer pessoa com as credenciais vazadas poderia monitorar a movimentação na cidade e rastrear alvos específicos. Segundo o conselho, o incidente pode ter exposto o trajeto diário de policiais militares, guardas civis metropolitanos e policiais penais entre suas residências e bases de trabalho, além de comprometer a rotina de militares das Forças Armadas. O órgão também alertou para os riscos enfrentados por profissionais como advogados e jornalistas, cujos trabalhos e sigilos profissionais e de fontes ficaram vulneráveis à identificação, acompanhamento e perseguição por terceiros desconhecidos, sem que as vítimas tivessem ciência de que estavam sendo vigiadas. O CNDH aponta ainda que a Prefeitura de São Paulo violou regras estabelecidas pela Resolução CNDH nº 17/2025, que regulamenta o uso de tecnologias de reconhecimento facial e videomonitoramento em espaços públicos. O colegiado sustenta que a manutenção de credenciais ativas e sem criptografia ou autenticação multifator ao longo de 11 meses afronta diretamente a obrigação de segurança prevista na norma, além de comprometer a integridade dos registros de auditoria e impossibilitar a identificação individualizada dos acessos. Outro ponto levantado pelo conselho é que a exposição da falha ocorreu exclusivamente por meio de reportagem jornalística, e não pelos mecanismos internos de controle e fiscalização do próprio sistema, o que evidenciaria uma grave ausência de supervisão por parte da administração municipal. Diante do cenário, o CNDH anunciou que comunicará formalmente o caso ao Ministério Público do Estado de São Paulo e ao Ministério Público Federal, recomendando a instauração de inquérito civil e o ajuizamento de ação civil pública contra o município. O conselho expediu uma notificação direcionada ao MPSP solicitando a suspensão cautelar do uso do sistema, a preservação integral dos registros de acesso e a apuração de reparação por danos morais coletivos causados aos direitos difusos e coletivos da população paulistana. Procurada pela reportagem para se posicionar sobre as acusações e as medidas exigidas pelo órgão de direitos humanos, a Prefeitura de São Paulo não havia emitido resposta até o fechamento desta edição.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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