Eleições 2026: Da primeira votação aos 16 anos à cidadania aos 95, urnas reúnem todas as gerações Com mais de 158 milhões de eleitores aptos no país, segundo turno no Distrito Federal e em todo o Brasil é marcado por histórias de superação, estreias na democracia e engajamento voluntário em meio à polarização política. Aos 95 anos, Horácio da Silva manteve firme a tradição de exercer o direito ao voto neste domingo, mesmo estando na faixa etária em que a participação nas urnas é facultativa. Logo na abertura da seção eleitoral na única escola pública do Varjão, periferia do Distrito Federal, o nordestino natural de Icó, no Ceará, chegou vestindo uma camiseta com a estampa de seu candidato. Ajudado pela família, que se reveza para levá-lo aos locais de votação — no primeiro turno foi a filha, e agora uma de suas netas, a contadora Rayane Ferreira da Silva —, Seu Horácio conheceu bem o rito: teve preferência na fila, identificou-se com a digital do polegar e votou. “Meu avô se preocupa com os outros, com os filhos, netos, bisnetos e até os tataranetos que tem. Ele quer deixar um país melhor para a gente”, resume a neta. Enquanto o patriarca acumula décadas de participação cívica, o pleito de 2026 marca a estreia oficial de Maria Teresa Neves Hora na democracia brasileira. A jovem completou 16 anos há menos de um mês e, influenciada pelos pais, fez questão de tirar o título eleitoral. Conhecida como “Tetê”, ela votou voluntariamente no Centro de Ensino Médio Paulo Freire, na Asa Norte, no plano piloto de Brasília. “É muito importante que os adolescentes votem, porque isso impacta a vida de todo mundo”, afirma a jovem, que projeta um futuro baseado em igualdade social e respeito à diversidade religiosa. O universo de mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar neste domingo é composto por perfis plurais cujas motivações variam da busca por melhorias econômicas até a garantia de direitos sociais fundamentais. Para o chapeiro Janaildo Santana, que trabalhou em uma lanchonete de Brasília, a obrigação profissional não impediu o exercício da cidadania na Escola Classe 01 do Varjão. Antes do expediente, ele garantiu o voto na expectativa de melhorias na saúde, educação e segurança pública. Na mesma linha, a professora Orícia Azevedo Chaves, de 18 anos, escolheu ir além do voto e atua como voluntária na Justiça Eleitoral. Após passar por cargos de secretária e mesária, ela assumiu neste ano a presidência da seção eleitoral onde vota Seu Horácio, cumprindo o que define como sua missão cívica. Outro papel de destaque na fiscalização do pleito é exercido pela professora Ecleidiane Nascimento dos Santos, que atua como fiscal de partido na mesma região administrativa. Segundo ela, a presença de fiscais locais é vital para assegurar a lisura do processo, coibindo irregularidades como boca de urna, compra de votos e o transporte irregular de eleitores sob coação. A segurança do processo e a igualdade garantida pela Constituição Federal de 1988 contrapõem-se, na prática, às demandas específicas de cada cidadão nas cabines de votação. O auxiliar de almoxarifado Marcio Sampaio, trajando verde e amarelo, focou seu discurso na urgência de mudanças legislativas e no combate à criminalidade, defendendo inclusive a redução da maioridade penal. Em contrapartida, o estudante universitário João Lucas Sousa Rodrigues, de 19 anos, utilizou o momento para demarcar sua representatividade. Homem preto, gay e aluno da Universidade Federal de Brasília, o jovem desempregado afirmou que seu voto carrega a história de sua mãe, de sua família e das vivências de sua infância. As urnas também abrigam pautas de sobrevivência econômica e social, como no caso dos irmãos Dagoberto e Poliana Fernandes Leite. Aposentados por incapacidade permanente devido a crises severas de epilepsia que enfrentam desde a infância, eles votaram na Escola Classe 01 do Varjão com o foco na manutenção do Benefício de Prestação Continuada, o BPC/LOAS. Poliana enfatiza que o auxílio equivalente a um salário mínimo é indispensável para a subsistência da família, composta por cinco pessoas, cobrindo despesas com alimentação, água, luz e IPTU. Em meio ao cenário de forte polarização política entre esquerda e direita que marcou a disputa presidencial, eleitores como Taylla Gabriele defendem que o processo eleitoral deve servir, acima de tudo, para garantir voz à sociedade. Na visão da enfermeira Eliane Gomes dos Santos, eleitora em Brasília e parte dos 2,56 milhões de eleitores do Distrito Federal que participam da escolha de governadores e do presidente da República, a política deve ser compreendida como um elemento indissociável do cotidiano. Defendendo que não devem existir cidadãos apolíticos, a profissional de saúde advoga pelo diálogo respeitoso e pela diversidade de opiniões como ferramentas fundamentais para alcançar conquistas sociais ao longo da trajetória democrática do país.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







