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Milei lança plano para demitir 21 mil servidores na Argentina

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Milei lança plano para demitir 21 mil servidores na Argentina

Governo da Argentina lança plano de demissão voluntária para cortar até 21 mil servidores públicos Medida assinada por Javier Milei prevê supressão permanente de vagas e restrição de oito anos para retorno ao Estado, acumulando 77 mil postos estatais fechados desde o início da gestão. O governo do presidente Javier Milei oficializou nesta segunda-feira (19), por meio da publicação de um decreto, um novo plano de demissão voluntária na Argentina que tem o potencial de alcançar até 21 mil servidores públicos federais. A iniciativa faz parte da estratégia de forte ajuste fiscal e corte de despesas da Casa Rosada, simbolizada pela promessa de campanha da motosserra, voltada à redução drástica do tamanho e do custo do Estado argentino. O Decreto 1.203 estabelece as regras para a adesão de três grupos distintos dentro do serviço público federal, ficando de fora da medida os militares e os funcionários das áreas de segurança e inteligência. A normativa determina que as vagas ocupadas pelos servidores que decidirem aderir ao programa serão suprimidas de forma permanente pelo poder público. O plano é voltado especialmente a funcionários que estão próximos da idade de aposentadoria, situados na faixa etária entre 58 e 64 anos, ou que já cumpriram todos os requisitos legais para se aposentar. Entre as modalidades de rescisão previstas na norma, destaca-se o pagamento de indenização equivalente a um salário por ano trabalhado no Estado, além de um repasse mensal correspondente a 60% do salário pelos três anos seguintes. Fede Sturzenegger, ministro da desregulação e transformação do Estado, enfatizou que os profissionais que optarem por aceitar o plano de demissão ficarão impedidos de retornar a qualquer cargo ou emprego público pelos próximos oito anos. Segundo o governo, a restrição tem o objetivo de evitar o fenômeno conhecido como porta giratória na administração pública. Com a nova medida, o balanço da gestão acumula 77,5 mil postos de trabalho suprimidos no setor público argentino entre dezembro de 2023, quando Milei assumiu o poder, e agosto de 2026. Do total de vagas cortadas no período, 44,7 mil pertencem à administração pública direta e indireta, 11,1 mil foram eliminadas nas Forças Armadas e forças de segurança, e 21,6 mil correspondiam a funcionários de empresas estatais. Dados oficiais divulgados pelo governo apontam que a Administração Pública Nacional reduziu seu quadro de pessoal em 21,8%, enquanto nas empresas estatais a queda atingiu 23,7%. Na APN centralizada, a retração foi de 30%, ao passo que na área descentralizada o índice de redução chegou a 18%. A administração justifica as supressões como uma economia anual estimada em US$ 3,2 bilhões, reafirmando o compromisso oficial com a eficiência e a austeridade fiscal. Em contrapartida, a iniciativa gerou forte reação de entidades sindicais. A Associação dos Trabalhadores do Estado da Argentina classificou o decreto como uma medida de desmantelamento dos serviços essenciais e acusou o governo de utilizar intimidação e ameaças para forçar os funcionários a aderirem ao plano voluntário. Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE Nacional, relatou que chefias estariam pressionando os trabalhadores sob o argumento de que a recusa pode resultar em licenças forçadas e posteriores demissões sem os mesmos benefícios. O dirigente sindical também recomendou formalmente que a base rejeite a proposta, relembrando os impactos negativos de planos semelhantes implementados na Argentina durante a década de 1990. O cenário de enxugamento da máquina estatal ocorre em um contexto de pressão sobre o mercado de trabalho no país. Estatísticas do Instituto Nacional de Estatística e Censos indicam que a taxa de desemprego na Argentina subiu 0,3 ponto percentual no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo 7,9% da população economicamente ativa. Levantamentos do Centro de Economia Política Argentina apontam que, em 31 meses sob a atual administração, o país registrou o fechamento de 31,3 mil empresas, o equivalente a 6,1% das companhias registradas, além da extinção de 245 mil postos formais de trabalho, representando uma queda de 3,9% no total de empregos formais da economia argentina.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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