Lula e Flávio Bolsonaro travam debate tenso na Band com embate sobre sigilos, pandemia e segurança Primeiro confronto televisivo entre os candidatos à Presidência reuniu acusações mútuas, divergências sobre o SUS e a escala 6×1, além de uma suspeita de bomba que mobilizou a polícia no encerramento. Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram, neste domingo (18), do primeiro debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes. O encontro em São Paulo foi marcado por sucessivas trocas de provocações e discussões acaloradas, exigindo a intervenção dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue na mediação das falas no estúdio. Logo no primeiro bloco, os postulantes trocaram acusações no campo da conduta pública e de investigações. Lula abriu a rodada questionando Flávio sobre o repasse de R$ 134 milhões envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e a atuação do adversário na defesa de um homem acusado de assassinar uma criança. O petista também confrontou o parlamentar sobre uma suposta proximidade com assassinos da vereadora Marielle Franco, o voto contrário à marcação numerária de cápsulas de munição e a rejeição à extensão da licença-maternidade em votação antiga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Flávio evitou responder diretamente aos pontos levantados e contra-atacou ao mencionar Fábio Luís, filho de Lula, investigado por suspeita de tráfico de influência. O candidato do PL também atribuiu à gestão petista a culpa por irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sem contextualizar que os desvios tiveram origem no governo Jair Bolsonaro e foram combatidos pela atual administração, que iniciou o ressarcimento aos aposentados lesados. No campo das diretrizes para a segurança pública, Flávio afirmou que pretende enquadrar facções criminosas na tipificação de narcoterroristas, além de prometer a abertura de 500 mil vagas no sistema carcerário. Lula rebateu com a defesa da criação do Ministério da Segurança Pública, pasta desenhada para articular o papel de municípios, estados e da União no combate ao crime. No segundo bloco, os mediadores colocaram o Sistema Único de Saúde (SUS) no centro das discussões. Flávio defendeu a indicação do médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, para chefiar o Ministério da Saúde, argumentando que sua gestão implantaria um “padrão Einstein” na rede pública. Lula reagiu afirmando que o oponente fala sobre o SUS sem nunca ter utilizado o atendimento público e questionou um suposto plano de privatização da saúde. O presidente relembrou a condução da pandemia de Covid-19, associando os mais de 716 mil mortos a atrasos na compra de vacinas e à falta de respaldo científico na gestão anterior. Durante a fala de Lula, Flávio interrompeu o presidente fora de seu tempo regulamentar, o que demandou a intervenção da jornalista Adriana Araújo. Na sequência, o postulante do PL declarou que a crise sanitária mundial era algo novo que ninguém sabia exatamente como conter, ressaltando que o governo de seu pai fez o melhor que pôde diante da situação. O tema penitenciário voltou ao palco quando Flávio citou os assassinatos de Renata Teles, ocorrido em dezembro de 2023, e de um sargento da Polícia Militar em Minas Gerais para criticar as saídas temporárias de presidiários. O candidato acusou o governo de privilegiar condenados e questionou a posição do adversário. Em resposta, Lula se posicionou favorável ao benefício apenas para detentos de bom comportamento em processo de ressocialização, excluindo expressamente condenados por estupro, crimes graves e violência contra a mulher. Em contrapartida, Lula acusou Flávio de articular um eventual indulto a Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Ainda no segundo bloco, Flávio abordou a extinção da escala de trabalho 6×1, pauta apoiada pelo atual governo e recentemente chancelada no Congresso Nacional. O senador justificou sua mudança de postura, admitindo que era contrário à medida, mas passou a apoiá-la após ouvir manifestações de trabalhadores. Lula explorou o desgaste do recuo e atacou a proximidade do rival com a rotina da população trabalhadora. O petista afirmou que o senador conhece o transporte coletivo e a classe operária apenas pela literatura e disparou que o concorrente nunca trabalhou. O terceiro bloco registrou um momento de alta tensão quando Lula desafiou o oponente a autorizar a quebra de sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares perante as autoridades competentes antes da votação. Flávio declarou não ter nada a esconder, mas não formalizou a adesão à proposta e acusou o presidente de manter recursos fora do sistema financeiro, sem apresentar provas. Na discussão sobre relações exteriores, Lula questionou a subordinação aos interesses norte-americanos e a salvaguarda da soberania nacional sobre reservas de minerais críticos. Flávio rebateu afirmando buscar cooperação internacional contra o crime e negou atuar para prejudicar exportações brasileiras, apesar dos movimentos de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que se encontra autoexilado nos Estados Unidos e apoia sanções a produtos nacionais. A tecnologia aplicada à segurança encerrou os temas temáticos. Flávio defendeu o uso massivo de câmeras de reconhecimento facial no território brasileiro e penas mais severas. Lula sustentou os resultados de sua gestão com o aplicativo Celular Seguro para bloqueio de roubos e criticou o concorrente por apresentar ideias vagas ou já implementadas. Logo após a transmissão, a segurança da emissora acionou o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar paulista para checar uma suspeita de artefato explosivo em um automóvel pertencente à equipe de Flávio Bolsonaro, estacionado no pátio interno. Profissionais de imprensa e convidados aguardaram retidos até a conclusão da varredura técnica, que descartou o perigo e liberou o local.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







