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Organizações promovem ação de empregabilidade para refugiados

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Organizações promovem ação de empregabilidade para refugiados

Ação em São Paulo une capacitação e vagas para refugiados em busca de recomeço no Brasil Evento reunindo 137 migrantes de 23 nacionalidades no centro da capital paulista ofereceu revisão de currículos, suporte com documentação e foco no empreendedorismo por necessidade. Enquanto aguarda a oportunidade de formalizar sua inserção no mercado de trabalho brasileiro, o marceneiro venezuelano Victor Arce, de 65 anos, dedica-se à venda de artesanatos ao lado da esposa, Morelba Margarida Aquilar, de 64 anos, e da filha. Vivendo no Brasil há cerca de um ano, o casal deixou seu país de origem impulsionado por uma urgência médica: o tratamento de saúde da esposa, que na Venezuela apresentava custos insustentáveis. A rápida resposta do sistema de saúde brasileiro, que solucionou o problema em apenas dois meses, transformou a percepção da família sobre o país acolhedor. No entanto, o desafio seguinte passou a ser a busca por autonomia financeira e emprego formal. A história de Victor e Morelba reflete a realidade de dezenas de outros migrantes que participaram, na manhã de um sábado, da ação “Conexões que Transformam”. Realizado na sede da Aliança Brasil Cidadã, no centro de São Paulo, o evento reuniu 137 migrantes e refugiados de 23 nacionalidades diferentes em busca de workshops de empregabilidade e empreendedorismo, atendimento para revisão de currículos com tradução para o português, apoio com documentações e acesso direto a vagas de emprego. A iniciativa foi promovida pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation, estruturando-se como um suporte prático para quem precisa se adaptar rapidamente a uma nova realidade econômica e cultural. Para Victor, que busca orientações sobre como abrir uma microempresa e estruturar um negócio próprio no Brasil, a rede de apoio encontrada no país é um diferencial raro no cenário global. Dados apresentados pela organização do evento indicam que 70% dos participantes estavam desempregados no momento da ação, e mais da metade manifestou o forte desejo de empreender. Segundo Maria Helena Santuche, líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, esse movimento caracteriza-se majoritariamente como um empreendedorismo por necessidade e não por oportunidade, o que demanda orientação estruturada sobre como o mercado nacional funciona. A necessidade de adaptação abrange tanto aspectos burocráticos quanto comportamentais. Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil, destacou que o propósito central da mobilização foi possibilitar que os refugiados regularizem suas documentações, atualizem seus currículos para o padrão exigido pelas empresas locais e compreendam as dinâmicas do mercado de trabalho brasileiro. Além das palestras de orientação profissional e das oportunidades de emprego captadas, a ação também distribuiu cestas básicas e brinquedos para as crianças das famílias participantes. De acordo com Eliane Franco Figueiredo, cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil e líder do comitê temático, o público inscrito é composto predominantemente por cidadãos da Venezuela, do Congo e do Haiti. Entre os participantes encontram-se profissionais altamente qualificados, como médicos, que esbarram na morosidade dos processos de validação de diplomas estrangeiros. Essa barreira institucional força muitos refugiados a aceitarem ocupações distantes de suas formações originais, aceitando o que está disponível no mercado para garantir a própria subsistência. O contexto migratório brasileiro é amplo e complexo. Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), aponta que mais de um milhão de pessoas refugiadas ou em situação de proteção internacional residem atualmente no país, oriundas de mais de 160 nacionalidades. Enquanto as comunidades venezuelana, cubana e haitiana mantêm um fluxo histórico expressivo, a capital paulista tem recebido contingentes relevantes de afegãos, iranianos, sírios e palestinos, deslocados por conflitos geopolíticos recentes. A especialista ressalta que, embora o Estado brasileiro garanta acesso universal a políticas públicas fundamentais como saúde e educação, os obstáculos iniciais são severos. A barreira do idioma, a ausência de uma rede de apoio familiar, a falta de moradia e a urgência financeira criam um cenário de vulnerabilidade acentuada. A estes fatores soma-se a dificuldade documental, uma vez que fugas de guerras ou perseguições ocorrem de maneira abrupta, impedindo que os indivíduos organizem ou tragam traduzidos seus registros civis e acadêmicos. Diante desse panorama, iniciativas voltadas à empregabilidade tornam-se ferramentas cruciais de integração. A atuação conjunta de organizações da sociedade civil e corporações privadas visa encurtar a distância entre o potencial produtivo desses migrantes e as demandas das empresas locais, oferecendo ferramentas para que possam competir em igualdade de condições no mercado ou estruturar seus próprios empreendimentos de forma sustentável. Para os migrantes que não puderam comparecer à ação presencial em São Paulo, existem canais contínuos de apoio e orientação profissional. A Acnur disponibiliza a plataforma digital Help, ferramenta que permite filtrar por estados e municípios as organizações de atendimento humanitário e suporte à documentação e renda. Na capital paulista, a Aliança Brasil Cidadã mantém cursos profissionalizantes gratuitos abertos o ano todo, abrangendo áreas como informática, inteligência artificial e estética, além de promover a troca de informações por meio de suas redes sociais digitais. O atendimento e o direcionamento para oportunidades também podem ser buscados por meio dos canais oficiais do Grupo Mulheres do Brasil e da Konecta Brasil.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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