Em sabatina na TV Globo, Flávio Bolsonaro nega golpe de 8 de janeiro e defende repasses de ex-banqueiro Candidato do PL à Presidência rejeitou reeleição, defendeu fim da escala 6×1 após resistências e apresentou dados incorretos sobre queimadas e cargos públicos O candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, foi sabatinado na noite desta sexta-feira (16) pela TV Globo. Ao longo de pouco mais de 40 minutos de entrevista, o postulante ao Palácio do Planalto adotou tom defensivo ao negar a tentativa de golpe de Estado nos atos de 8 de janeiro de 2023, justificar solicitações financeiras milionárias a um banqueiro atualmente preso e apresentar promessas fiscais com base em prazos divergentes dos órgãos oficiais. Durante a sabatina, o senador afirmou que a invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, não representaram uma tentativa de ruptura institucional com o objetivo de manter seu pai no poder. Flávio classificou como “farsa” a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, afirmando que a história demonstrará que o processo teve o propósito de afastar o ex-presidente da vida política. Na tentativa de minimizar o episódio no qual milhares de indivíduos agrediram policiais e vandalizaram o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, o candidato alegou que idosos com Bíblias nas mãos não seriam capazes de executar um golpe. O postulante também abordou o futuro dos seus familiares caso vença as eleições de outubro. Embora já tenha declarado em ocasiões anteriores que concederá indulto ao pai, Flávio negou ter conversado com Jair Bolsonaro sobre a ocupação de ministérios ou outros cargos no Poder Executivo. Ele também assegurou que seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, não assumirá o Ministério das Relações Exteriores. Eduardo vive atualmente nos Estados Unidos e tem condenação pela Justiça brasileira por coação no curso do processo, acusado de incentivar sobretaxas comerciais norte-americanas contra produtos nacionais caso o pai fosse condenado. Outro ponto central da sabatina tratou da ligação do congressista com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra detido. Flávio alegou que não viu irregularidades em solicitar R$ 130 milhões ao empresário, acrescentando que os cerca de R$ 60 milhões já destinados ao financiamento do filme “Dark Horse” representam uma questão solucionada. Segundo o candidato, o contato com Vorcaro decorreu da prospecção de múltiplos investidores na época em que o Banco Master não enfrentava contestações jurídicas, embora tenha continuado a cobrar aportes financeiros mesmo após as suspeitas de fraude no banco virem a público. Questionado sobre a área da segurança pública, o candidato do PL garantiu que classificará as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, mas não forneceu detalhes sobre as mudanças operacionais que a medida traria. Ele insistiu na flexibilização do Estatuto do Desarmamento para ampliar a posse de armas por cidadãos, ao mesmo tempo em que evitou se aprofundar sobre o seu projeto de lei que retira a obrigatoriedade da marcação de cápsulas de munições usadas pelas forças policiais, ferramenta técnica amplamente empregada na elucidação de desvios e homicídios. Ainda no campo da segurança, o postulante declarou surpresa ao ser interpelado sobre os elos de aliados políticos do Rio de Janeiro, como o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o deputado eleito Márcio Canella, com lideranças do Comando Vermelho. O parlamentar ponderou que os correligionários devem ter amplo direito de defesa no Judiciário, ressaltando que eventuais culpados não devem ser poupados pela lei. No segmento econômico e trabalhista, Flávio justificou sua recente mudança de posicionamento sobre o encerramento da jornada de trabalho 6×1. O senador declarou que, após passar meses se opondo ao texto aprovado pelo Senado e promulgado nesta data, decidiu apoiar o fim do modelo após ouvir demandas das bases trabalhistas, garantindo que o direito de escolha do trabalhador pressupõe o fim dessa escala e que manterá todos os direitos da legislação trabalhista em vigor. Ao tratar do equilíbrio fiscal da União, o candidato prometeu reduzir o endividamento federal em R$ 200 bilhões por meio da alienação de imóveis públicos desocupados e estimou uma arrecadação imediata de R$ 100 bilhões com a bacia da margem equatorial. O cronograma oficial divulgado pela Petrobras, contudo, estabelece que os trabalhos de exploração na área petrolífera só devem ter início efetivo a partir de 2033. Em contraposição às alegações do candidato, dados públicos desmentiram duas de suas afirmações durante a entrevista. Flávio Bolsonaro declarou que o mês corrente registrava o pior índice histórico de queimadas na Amazônia, mas o monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) contabilizou 9.544 focos de calor até 15 de outubro, patamar consideravelmente distante dos recordes da série iniciada em 1989. O parlamentar também reiterou que o governo de seu pai extinguiu postos de livre nomeação, ignorando levantamento checado pelo UOL que aponta salto de 31,8 mil cargos comissionados em 2019 para 46,2 mil ao fim de 2022. No plano institucional, Flávio afirmou que seu plano de governo prevê o fim do instituto da reeleição para o Poder Executivo, aplicando o veto imediato para si próprio caso seja eleito. A iniciativa, segundo o senador, deixaria a definição do prazo dos mandatos para o Congresso e vedaria candidaturas sucessivas de parentes até terceiro grau. Ao rebater críticas sobre apego à estrutura governamental, o candidato sustentou que a trajetória de 23 anos nos parlamentos estadual e federal não anula a defesa dessa limitação. O clima em torno da transmissão na emissora também foi marcado por bastidores políticos. Horas antes de ir ao ar, o senador almoçou com o presidente do Grupo Globo, José Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, Paulo Tonet. Após o episódio se tornar público, a rede de televisão informou que o diálogo se tratou de uma visita institucional de praxe, sem participação de membros da cobertura de jornalismo. O encontro gerou queixas de Luiz Inácio Lula da Silva, rival direto no pleito, que participou da sabatina no dia anterior sem compromissos com a cúpula do canal.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







