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Como uma espécie de mosca pode mudar o rumo das pesquisas sobre antidepressivos no Brasil

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Como uma espécie de mosca pode mudar o rumo das pesquisas sobre antidepressivos no Brasil

Pesquisa da UFSC com moscas-da-fruta abre caminhos para novos antidepressivos no Brasil Estudo conduzido na Universidade Federal de Santa Catarina desde 2005 utiliza pequenos insetos para avaliar o potencial de um fármaco inédito no combate à depressão. Uma linha de investigação científica iniciada há quase duas décadas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pode redefinir o futuro dos tratamentos psiquiátricos no país. Utilizando moscas-da-fruta como modelos biológicos, pesquisadores brasileiros estão testando o potencial de um novo fármaco para que ele possa vir a se tornar, no futuro, um medicamento antidepressivo eficaz para humanos, unindo a inovação farmacológica à neurociência comportamental. O trabalho de investigação, que teve início em 2005 nos laboratórios da instituição catarinense, aposta na simplicidade genética e neurológica da espécie Drosophila melanogaster para acelerar etapas críticas do desenvolvimento farmacêutico. Embora pareça distante da realidade humana à primeira vista, o pequeno inseto compartilha uma porcentagem significativa de genes com os mamíferos e possui sistemas de neurotransmissores que respondem a compostos químicos de maneira análoga, permitindo a observação rápida de efeitos comportamentais e toxicológicos. A escolha de iniciar os testes com as moscas-da-fruta responde a uma necessidade histórica da indústria farmacêutica e da academia: filtrar compostos promissores com maior agilidade e menor custo antes de avançar para testes em modelos animais mais complexos, como roedores. No laboratório da UFSC, os pesquisadores monitoram como a exposição ao fármaco investigado altera as respostas das moscas a estímulos que simulam quadros de estresse e apatia, comportamentos correlacionados à depressão em humanos. A longevidade do estudo, que completa quase vinte anos de dedicação científica, reflete a complexidade inerente ao desenvolvimento de novas terapias para a saúde mental. Encontrar moléculas que não apenas atuem sobre os neurotransmissores corretos, mas que também apresentem um perfil seguro de efeitos colaterais, é um dos maiores desafios da medicina moderna. A pesquisa conduzida em Florianópolis representa um esforço contínuo para ampliar o arsenal terapêutico disponível contra transtornos de humor, que afetam milhões de brasileiros. Apesar dos avanços obtidos ao longo dos anos de experimentação, os responsáveis pela investigação ressaltam que o caminho até que o fármaco chegue às farmácias ainda é longo e repleto de etapas regulatórias obrigatórias. Após a fase atual com modelos alternativos, qualquer substância promissora precisa passar por rigorosos testes pré-clínicos adicionais e, posteriormente, pelas fases de ensaios clínicos em humanos, processos que demandam tempo, validação internacional e investimentos robustos em ciência e inovação no Brasil.

Fonte: Saúde SC

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