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A Margem do Rio e Elza vencem principais prêmios do Festival do Rio

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A Margem do Rio e Elza vencem principais prêmios do Festival do Rio

Festival do Rio 2026: A Margem do Rio e Elza levam os prêmios principais na noite de encerramento Première Brasil coroa o cinema nacional no Cine Odeon, destacando a força de produções sobre memória, diversidade e representatividade em uma edição que reuniu mais de 150 mil espectadores. O cinema brasileiro contemporâneo brilhou intensamente na noite de encerramento da 28ª edição do Festival do Rio, que consagrou o longa-metragem de ficção A Margem do Rio, dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, e o documentário Elza, comandado por Eryk Rocha, como os grandes vencedores dos Troféus Redentor. Realizada no tradicional Cine Odeon, no centro da capital fluminense, a cerimônia coroou dez dias de intensa programação cultural espalhada por salas de diferentes regiões da cidade, reafirmando a vitalidade das produções nacionais. A obra de ficção vitoriosa da noite dividiu as atenções com o ambicioso projeto documental sobre Elza Soares, que teve sua estreia mundial no festival e exigiu oito anos de filmagens. Filho do cineasta Glauber Rocha, o diretor Eryk Rocha expressou forte emoção ao receber o prêmio máximo da categoria, destacando que o filme nasceu justamente no Rio de Janeiro, cidade natal tanto sua quanto da homenageada. Segundo o cineasta, o longa constrói uma narrativa profunda a partir da própria voz da cantora, articulando memórias pessoais, música e imagens de arquivo que dialogam com a história do Brasil e a luta da mulher negra brasileira. A cerimônia no Cine Odeon também foi marcada por discursos contundentes sobre representatividade e inclusão no mercado audiovisual. Ao conquistar o prêmio de melhor ator por sua atuação no filme London — que estreou internacionalmente no Festival de Veneza —, o ator, roteirista e diretor Victor di Marco utilizou seu tempo de fala para denunciar o capacitismo. O artista relembrou os obstáculos enfrentados no início de sua carreira, quando ouviu que não possuía o chamado corpo de ator, e defendeu que a deficiência pode se transformar em uma inteligência criativa, cunhando a tese de que a inclusão é o futuro das telas. Na categoria de melhor atriz, o júri oficial optou por uma premiação ex aequo, concedendo o Troféu Redentor em conjunto a Isabel Teixeira, pelo trabalho em Diário do Fogo, e a Grace Passô, por A Professora de Francês. Ambas as atrizes possuem trajetórias consolidadas nos palcos do teatro e trouxeram força para a construção de personagens complexas. O reconhecimento da noite também contemplou talentos coadjuvantes e categorias técnicas, com destaque para Pedro Goifman, eleito melhor ator coadjuvante por A Professora de Francês, e o trio Renna Costa, Artia e Ísis Broken, que dividiram o prêmio de melhor atriz coadjuvante pelas atuações em A Margem do Rio. O grande vitorioso da noite na categoria de direção foi Gabriel Martins, premiado pelo trabalho em Vicentina Pede Desculpas, longa que também garantiu o Troféu Redentor de melhor roteiro. Na vertente documental, Camila Valença levou o prêmio de melhor direção por Cão Sem Plumas. O filme A Margem do Rio seguiu acumulando troféus ao longo da cerimônia, destacando-se ainda em quesitos técnicos fundamentais com a vitória de Luciana Baseggio na fotografia e de Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura na categoria de som, além da consagração de Ana Paula Cardoso na direção de arte por Funk, Samy Sill no figurino de London e Florencia Di Concilio na trilha sonora original de A Professora de Francês. O Prêmio Especial do Júri foi concedido a O Filho da Puta, assinado por Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite. Além das escolhas do júri oficial da Première Brasil, o público teve papel ativo na escolha dos destaques desta edição, que registrou a exibição de 101 filmes brasileiros entre longas e curtas-metragens, com 45 produções integrando as mostras competitivas oficiais. Pela preferência popular, Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, foi eleito o melhor longa-metragem de ficção, enquanto Fui Olhar Você Dormir, dirigido por Anna Azevedo, levou o prêmio de melhor longa-metragem documentário. A votação popular também contemplou produções com o Prêmio Aquisição TV Globo na Mostra Expectativa e o Prêmio Aquisição Telecine na Première Latina, garantindo importantes janelas de distribuição comercial. Ao longo da cerimônia de encerramento, realizadores, produtores e profissionais do setor aproveitaram os discursos para enfatizar a importância estrutural das políticas de fomento, das condições de financiamento e dos espaços de exibição para a sustentabilidade da indústria cinematográfica nacional. Festivais do porte do evento carioca foram apontados como plataformas indispensáveis para o encontro entre artistas, imprensa e espectadores, estimulando debates cruciais sobre linguagem, diversidade cultural e a inserção competitiva do cinema brasileiro no circuito internacional.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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