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Indústria aponta juros altos como principal barreira ao crédito

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Indústria aponta juros altos como principal barreira ao crédito

Crédito caro sufoca indústria brasileira: juros altos continuam sendo o maior obstáculo para financiamentos Levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria aponta que taxas elevadas afetam até 76% dos empresários, enquanto pequenas empresas enfrentam os maiores índices de frustração na busca por recursos. Os juros elevados continuam sendo a principal barreira para a indústria brasileira acessar crédito de curto, médio e longo prazo, de acordo com a Sondagem Especial Condições de Acesso ao Crédito em 2026, divulgada nesta sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria. A pesquisa ouviu 1.701 empresas industriais em todo o país, entre pequenas, médias e grandes, mapeando as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo nacional no mercado financeiro. Entre as empresas industriais que relataram dificuldades para obter financiamento de curto ou médio prazo, impressionantes 76% apontaram as taxas de juros como o principal entrave para o desenvolvimento dos negócios. O cenário se repete nas operações de crédito de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, onde os juros foram citados por 69% dos empresários consultados pelo levantamento da entidade. Apesar de ainda liderarem isoladamente o ranking de obstáculos para o setor industrial, as taxas de juros registraram um recuo proporcional em relação ao levantamento anterior realizado em 2025. Na ocasião, o custo do dinheiro era apontado como barreira por 80% das empresas nas operações de menor prazo e por 71% nos financiamentos de longo prazo, refletindo uma lenta e gradual adaptação do mercado financeiro. De acordo com Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, a queda dos juros básicos da economia brasileira, que recentemente atingiram 13,75% ao ano conforme decisões do Banco Central, demora um tempo considerável para se refletir de fato no custo final do crédito que chega às mãos das empresas. Além do peso expressivo dos juros, a pesquisa da CNI revelou que outras barreiras burocráticas e contratuais dificultam a injeção de recursos na economia brasileira. Nas operações de curto e médio prazo, as exigências de garantias reais aparecem como a segunda maior dificuldade, citadas por 33,4% das companhias, seguidas de perto pela burocracia bancária, mencionada por 13,6% dos empresários. Já no segmento de crédito de longo prazo, as garantias reais também representam um obstáculo relevante para 31,5% dos entrevistados, enquanto o prazo de carência considerado insuficiente foi apontado por 18,9% das indústrias como o segundo principal fator impeditivo para a consolidação de investimentos estratégicos de maior fôlego. O levantamento detalha ainda o comportamento do setor industrial diante da escassez ou do encarecimento do crédito no país. Quase metade das empresas industriais, exatos 49,9%, sequer tentou contratar ou renovar financiamentos de curto ou médio prazo durante o período analisado entre fevereiro e julho. Apenas 22,9% conseguiram acessar os recursos necessários, enquanto 7,5% tentaram sem sucesso. O cenário é igualmente desafiador nas operações de longo prazo, onde 54% das empresas optaram por não buscar financiamentos. Outros 15,5% obtiveram êxito na contratação ou renovação, ao passo que 9,2% tentaram captar recursos de longo prazo, mas esbarraram nas restrições do mercado e saíram frustradas. Considerando exclusivamente o universo das empresas que efetivamente procuraram o sistema financeiro em busca de crédito, a taxa de frustração cresceu de forma preocupante na comparação com o ano de 2025. Nos empréstimos de curto e médio prazo, o índice de insucesso subiu de 20% para 24,7%, enquanto nas operações de longo prazo a taxa de frustração saltou de 33% para 37,2%. O impacto negativo é sentido com muito mais intensidade pelas pequenas e médias empresas industriais brasileiras, que enfrentam barreiras severas de aprovação. No crédito de longo prazo, por exemplo, 48,2% das pequenas indústrias e 48,1% das médias não conseguiram obter o financiamento procurado, um contraste expressivo frente ao índice de insucesso de 29,9% registrado entre as grandes corporações. Um dado que chamou a atenção dos pesquisadores da CNI foi a destinação do crédito obtido pelas indústrias nacionais. A pesquisa identificou que um volume expressivo de empresas continua recorrendo a linhas de financiamento de longo prazo para cobrir despesas imediatas do dia a dia, como o capital de giro, que foi apontado por 28,7% das empresas como a principal finalidade dos recursos. O percentual superou inclusive os investimentos diretos em máquinas e equipamentos, que representaram 23,6% das finalidades, e a construção ou reformas de instalações, com 11,6%. Segundo a entidade, o movimento destoa da lógica financeira tradicional, na qual linhas de longo prazo deveriam financiar expansões e investimentos estruturais, enquanto o capital de giro costuma ser suprido por operações de menor duração, área onde quase 60% das indústrias concentraram suas demandas. Para tentar reverter o quadro de restrição ao crédito e estimular a retomada da produção industrial no país, os empresários apontam caminhos claros aos formuladores de políticas públicas e instituições financeiras. Para 38,4% dos entrevistados nas operações de curto e médio prazo, a redução dos custos tributários e administrativos seria a medida mais eficaz para destravar o financiamento. O alívio na carga de impostos e burocracia também lidera as preferências no longo prazo, sendo citado por 31,2% dos empresários. Outras alternativas muito bem avaliadas pelo setor produtivo incluem a ampliação de linhas de crédito públicas, defendida por 22,8% no curto prazo e 26,3% no longo, além da simplificação das exigências cadastrais e bancárias pelas instituições financeiras.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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