Indústria brasileira recua 0,6% em agosto e perde fôlego no segundo quadrimestre, aponta IBGE Pesquisa Industrial Mensal revela que juros elevados pesam sobre o endividamento das famílias e o ritmo de investimentos das empresas, acumulando perdas recentes após início de ano positivo. A produção industrial do Brasil registrou uma retração de 0,6% no mês de agosto deste ano, na comparação com o mês imediatamente anterior. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal, e evidencia um cenário de perda de dinamismo do setor produtivo nacional ao longo dos últimos meses. O desempenho negativo de agosto interrompe uma oscilação pontual que havia sido observada em julho, quando o setor industrial marcou uma variação positiva de 0,1%. No entanto, o comportamento recente da economia industrial tem sido marcado por instabilidade. Antes da leve alta de julho, a indústria nacional havia acumulado perdas expressivas de 1% em maio e de 1,6% em junho. De acordo com as análises apresentadas pelo pesquisador do IBGE André Macedo, o cenário dos últimos quatro meses revela um acúmulo de perdas que chega a 3,1%. Esse saldo negativo recente acaba por reduzir de maneira significativa os ganhos de 4,3% que haviam sido acumulados pelo setor ao longo do primeiro quadrimestre de 2020. Os números divulgados pelo instituto demonstram claramente uma perda de ritmo da atividade industrial durante o segundo quadrimestre. Para o pesquisador do IBGE, um dos principais fatores que ajudam a explicar esse comportamento desfavorável da indústria brasileira é a manutenção de taxas de juros em patamares elevados na economia. Segundo a avaliação de André Macedo, a política monetária de caráter mais restritivo — embora já tenha passado por movimentos de cortes na taxa básica de juros — ainda se mantém em patamares considerados elevados. Isso gera impactos diretos e imediatos sobre os níveis de inadimplência, afetando tanto o setor empresarial quanto o orçamento das famílias, além de influenciar o endividamento geral da sociedade. O especialista ressalta que esse cenário provoca um comprometimento substancial da renda disponível das famílias brasileiras. Do lado corporativo, o peso dos juros elevados faz com que as empresas adotem uma postura de cautela, optando por adiar suas decisões de investimento em novas máquinas, expansão e capacidade produtiva. Apesar desse quadro de desaceleração, o pesquisador do IBGE pondera que o país conta atualmente com um mercado de trabalho mais resiliente. O cenário trabalhista tem apresentado marcas importantes, como um número recorde de pessoas ocupadas e o consequente crescimento na massa de rendimentos. Contudo, Macedo avalia que, mesmo com essa resiliência no emprego, o comprometimento da renda familiar e a retração nos investimentos das empresas continuam sendo determinantes cruciais para compreender a atual perda de fôlego do setor industrial brasileiro. Em uma perspectiva de longo prazo, a pesquisa do IBGE aponta que a indústria nacional ainda se encontra em um patamar 1,3% acima do nível registrado no período pré-pandemia, datado de fevereiro de 2020. Por outro lado, o setor permanece distante de seu ápice histórico: a produção atual está 15,6% abaixo do ponto mais alto já registrado pela série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, que ocorreu em maio de 2011. Ao analisar o desempenho sob outras bases de comparação, os dados mostram que, na comparação com o mês de agosto do ano passado, a indústria brasileira sofreu uma queda de 1,2%. Já no indicador da média móvel trimestral, a perda calculada é de 0,7%. Em contrapartida, quando considerados os períodos mais longos, a produção industrial ainda mantém resultados positivos: há uma alta acumulada de 0,8% no ano e um crescimento de 0,6% no acumulado dos últimos 12 meses. O levantamento detalhado do IBGE demonstra que a retração de agosto foi disseminada entre os diversos segmentos produtivos. Dos 25 ramos industriais investigados pela pesquisa, 16 apresentaram queda na passagem de julho para agosto. Entre os recuos mais acentuados, destacam-se as atividades de produtos do fumo, que despencaram 23,4%, os produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com baixa de 5,5%, e as indústrias extrativas, que registraram recuo de 0,7%. Em sentido oposto, apenas nove atividades econômicas conseguiram apresentar aumento na produção industrial no mesmo período de comparação. Entre os destaques positivos estão a fabricação de produtos alimentícios, que cresceu 1%; o agrupamento de produtos diversos, com avanço expressivo de 8,4%; a produção de produtos químicos, que subiu 0,9%; e o setor de metalurgia, que registrou alta de 0,8%. Quando o panorama é observado sob a ótica das quatro grandes categorias econômicas que compõem a estrutura da indústria, o resultado generalizado foi de recuo entre julho e agosto deste ano. As principais quedas mapeadas pelo IBGE ocorreram nos segmentos de bens de consumo semi e não duráveis, que encolheram 1,7%, e de bens de consumo duráveis, cuja produção caiu 1%. No setor de bens de capital — categoria que engloba as máquinas e os equipamentos diretamente utilizados no processo produtivo —, a queda foi de 0,6%. Por fim, o segmento de bens intermediários, que compreende os insumos industrializados empregados ao longo da cadeia produtiva, registrou um recuo de 0,2% no período analisado.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







