Mercado financeiro eleva projeções para inflação, juros e dólar, e reduz estimativa do PIB Relatório Focus do Banco Central aponta pessimismo na economia após eleições presidenciais, com juros básicos projetados em 13,5% ao final do ano e inflação acima do teto da meta. O mercado financeiro revisou para cima as projeções para a inflação oficial, a taxa básica de juros e a cotação do dólar, ao mesmo tempo em que reduziu, pela terceira semana consecutiva, a estimativa de crescimento da economia brasileira para este ano. As novas previsões foram divulgadas nesta semana pelo Banco Central por meio do Boletim Focus, principal relatório semanal que compila as expectativas de instituições financeiras para os rumos da macroeconomia nacional. No primeiro levantamento divulgado após a conclusão das eleições presidenciais, a mediana das projeções para a taxa Selic ao final deste ano passou de 13,25% para 13,5%, retomando o mesmo patamar que era estimado há quatro semanas. Atualmente, a taxa básica de juros está fixada em 13,75% ao ano, o que sinaliza que os agentes econômicos ainda trabalham com a expectativa de um corte moderado de 0,25 ponto percentual na taxa até o encerramento do calendário anual. Para os anos seguintes, o mercado projeta que a Selic encerre 2027 em 12,5% e 2028 em 11%. A taxa Selic funciona como o principal mecanismo utilizado pelo Banco Central no combate às pressões inflacionárias. Quando o Banco Central eleva os juros, o crédito torna-se mais caro para empresas e consumidores, o que desestimula o consumo, arrefece a demanda agregada e ajuda a conter a escalada dos preços, embora traga como efeito colateral o risco de frear a atividade produtiva e o dinamismo do Produto Interno Bruto. Por outro lado, a redução dos juros estimula o investimento e o consumo, mas eleva o risco de pressões sobre a inflação. No front inflacionário, medido oficialmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, as estimativas do mercado financeiro também sofreram deterioração. A projeção para o IPCA subiu de 5,19% para 5,22%, distanciando-se ainda mais do centro da meta estabelecida. Há quatro semanas, a expectativa para o índice estava em 5,01%. Para 2027, o mercado financeiro projeta uma inflação de 4,76%, enquanto a expectativa para 2028 permanece ancorada em 4%. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostraram que a prévia da inflação oficial, o IPCA-15, registrou variação de 0,32% em outubro. Com esse resultado, o acumulado em 12 meses atingiu 4,62%, patamar que se situa acima do teto da meta de inflação perseguida pela autoridade monetária. A desaceleração observada em relação ao mês anterior, quando o índice havia alcançado 0,70%, decorreu principalmente do alívio na conta de luz dos consumidores. A queda na tarifa de energia elétrica foi impulsionada pela adoção da bandeira tarifária verde no mês de outubro, que encerrou um ciclo de cinco meses consecutivos sob bandeira vermelha ou amarela. Em contrapartida, a maior pressão de alta sobre o custo de vida das famílias continuou vindo do setor de alimentação, com destaque para disparadas expressivas nos preços de itens essenciais como o tomate, que subiu 24,54%, a cebola, com alta de 13,63%, a batata-inglesa, registrando elevação de 10,96%, e o arroz, que encareceu 5,80%. Refletindo o ambiente de juros altos e inflação persistente, a projeção para o Produto Interno Bruto sofreu nova retração, marcando a terceira semana seguida de revisões para baixo no Boletim Focus. A estimativa de crescimento da economia para este ano recuou de 1,8% para 1,76%. Para o horizonte de 2027, o mercado financeiro antecipa uma expansão econômica mais modesta, da ordem de 1,2%, projetando uma recuperação para 1,8% no ano de 2028. No mercado de câmbio, a estimativa para a cotação do dólar no encerramento deste ano sofreu uma alta considerável, passando de R$ 5,05 para R$ 5,34. Para o próximo ano, a expectativa dos analistas é de que a moeda norte-americana encerre 2027 cotada a R$ 5,40, patamar que se mantém estabilizado também para as projeções referentes ao ano de 2028.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







