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Indígenas de MS denunciam casos de violência e ameaças após eleição

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Indígenas de MS denunciam casos de violência e ameaças após eleição

Violência contra indígenas no MS: ameaças de envenenamento e ataques após eleições são investigados Conselho Indigenista Missionário e órgãos federais cobram apuração rigorosa sobre tentativas de homicídio, intimidações e áudios com ameaças de morte contra a etnia Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Povos indígenas da etnia Guarani Kaiowá relatam uma onda de violência, tentativas de assassinato e graves ameaças — incluindo a contaminação de redes de abastecimento — no Mato Grosso do Sul, após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. As denúncias, que mobilizaram o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e lideranças nacionais, apontam um cenário de pânico e intimidação nos territórios tradicionais do estado, com investigações em andamento na Polícia Federal e no Ministério Público Federal. Segundo levantamento do Cimi, pelo menos cinco casos de assassinatos de indígenas na região, registrados desde o sábado anterior ao pleito, passaram a ser apurados pelas autoridades competentes. O coordenador do Cimi no Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, relatou que diversas ações coordenadas de intimidação ocorreram durante o período eleitoral. De acordo com o representante, caminhonetes circularam pelos territórios e houve agressões físicas para tentar provocar terror e impedir que os indígenas exercessem o direito ao voto. Apesar da repercussão recente, o Cimi ressalta que a violência no estado possui caráter estrutural e permanente. Para a entidade, as agressões não se limitam a um episódio isolado de disputa política, mas refletem a atuação contínua de milícias do campo na região sul-mato-grossense. O coordenador aponta que, embora os holofotes da imprensa e de órgãos estatais estejam voltados para o momento pós-eleitoral, as tentativas de homicídio contra a população Guarani Kaiowá ocorrem de forma constante ao longo dos anos. Diante da gravidade dos fatos, a Fundação Nacional dos Pueblos Indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil formalizaram pedidos urgentes de investigação ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. Entre os casos graves sob análise está um atropelamento intencional ocorrido na cidade de Coronel Sapucaia, município localizado no sudoeste do estado, na linha de fronteira com o Paraguai. Dados consolidados pela Apib indicam que, no período entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram mortos no Mato Grosso do Sul. Outro eixo central das investigações conduzidas pelo MPF refere-se a uma denúncia de tentativa de envenenamento da água consumida por uma comunidade, em suposta retaliação ao resultado da eleição presidencial. O caso veio à tona após a circulação de um áudio atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, município situado no extremo sul do estado. Na gravação, o interlocutor defende que os indígenas deveriam ser mortos por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo a contaminação dos poços com a frase “ponha veneno na água, matar essas praga na água”. O coordenador do departamento jurídico da Apib, Ricardo Terena, explicou que o acesso à água potável na região é historicamente precário e que as comunidades dependem essencialmente do abastecimento por meio de caminhões-pipa. Após a ampla divulgação dos áudios, moradores pararam de consumir a água disponível por receio de contaminação. Como desdobramento das denúncias, o Ministério Público Federal no Mato Grosso do Sul estabeleceu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru preste esclarecimentos oficiais, confirme ou negue a autenticidade dos áudios, identifique o autor das ameaças e informe quais medidas administrativas e de segurança estão sendo adotadas no município.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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