Polícia Federal investiga se falha na circulação de ônibus prejudicou eleitores no segundo turno Inquéritos foram abertos em Sergipe, São Paulo, Bahia, Alagoas e Piauí para apurar se a redução deliberada de frotas dificultou o direito ao voto, situação que levou à prorrogação da votação pelo TSE. A Polícia Federal abriu inquéritos policiais para investigar se problemas na circulação de frotas de ônibus no segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25), prejudicaram o trânsito e o acesso dos eleitores aos locais de votação. A apuração principal concentra-se inicialmente em Sergipe, mas há investigações em andamento também nos estados de São Paulo, da Bahia, de Alagoas e do Piauí. O objetivo da corporação é esclarecer as circunstâncias que levaram à redução repentina do número de ônibus em circulação em determinados municípios desses estados. Os investigadores buscam determinar se a situação configurou uma tentativa de impedir ou dificultar o exercício do sufrágio por parte da população. Pelo artigo 297 do Código Eleitoral brasileiro, os responsáveis por impedir ou embaraçar o exercício do voto estão sujeitos a penas que podem chegar a seis meses de prisão, além do pagamento de multa. A questão mobilizou diferentes frentes institucionais e políticas durante o dia do pleito, gerando notificações formais e críticas públicas. A Organização dos Estados Americanos acompanhou de perto as denúncias referentes à falta de transporte público no dia da eleição. No âmbito político, o Partido dos Trabalhadores chegou a notificar formalmente o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo para relatar a escassez de veículos na capital paulista, enquanto centrais sindicais também manifestaram repúdio público à situação. Durante uma coletiva de imprensa realizada no domingo, o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, Dennis Cali, pontuou que os episódios ainda estão sob análise rigorosa. Segundo ele, o órgão tem atuado de forma integrada com os tribunais regionais eleitorais, o Ministério Público Eleitoral e as demais forças policiais do país. O diretor informou que diversas diligências já estão em andamento, o que inclui a oitiva de testemunhas e suspeitos, além de levantamentos técnicos nos locais afetados pela redução dos transportes. O impacto logístico da falta de ônibus gerou repercussão direta no andamento do pleito. A situação motivou a campanha do candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva a protocolar um pedido de prorrogação do horário de votação nas localidades atingidas pela escassez de transporte. O pleito acabou sendo prorrogado por mais duas horas, com encerramento às 19h, após decisões do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral para garantir que nenhum eleitor fosse impedido de votar devido aos transtornos logísticos. Balanço parcial divulgado pela Polícia Federal até o início da noite de domingo indicou a abertura de três inquéritos específicos, a lavratura de 44 termos circunstanciados e a condução de 56 pessoas a delegacias para a apuração de infrações variadas. A maior parte das ocorrências registradas ao longo do dia envolveu crimes como violação do sigilo do voto, propaganda irregular e desobediência às normas eleitorais.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







