Eleições 2022: Apenas 2 km separam atos de Lula e Flávio Bolsonaro no centro de Brasília na véspera do pleito Manifestações de apoiadores dos candidatos à Presidência tomaram a Esplanada dos Ministérios com trios elétricos e Hino Nacional, marcando o último dia de campanha com forte polarização e apelos à democracia. Apenas dois quilômetros separaram, no centro de Brasília, as multidões de simpatizantes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, neste sábado, véspera das eleições. O clima na Esplanada dos Ministérios foi de intensa mobilização, com registros de provocações pontuais entre os dois lados no meio do caminho, quando eleitores de matrizes ideológicas opostas se cruzaram nas ruas da capital federal. Apesar da proximidade física e do reconhecimento por parte dos adeptos de que se formou uma distância intransponível entre os grupos, a palavra democracia ecoou de maneira uníssona nos dois acampamentos. Ambas as manifestações contaram com a presença de trios elétricos, reprodução de jingles de campanha e a execução do Hino Nacional. Enquanto o grupo majoritariamente vestido de vermelho concentrou-se nas imediações do Museu Nacional, os eleitores de amarelo ocuparam as redondezas da Torre de TV. Entre os manifestantes, o sentimento de divisão nas relações pessoais e familiares esteve presente nas rodas de conversa. De camisa vermelha e ostentando a imagem do atual presidente, a arquiteta Hanna Brandini, de 33 anos, ouviu gritos de opositores do outro lado da rua, mas garantiu não ter se incomodado em sua primeira grande experiência em atos públicos. Para ela, a campanha foi marcada por muita desinformação, e os desentendimentos recentes podem ser apenas momentâneos. Na mesma calçada, vestindo a camisa da seleção brasileira, o bacharel em direito que preferiu se identificar apenas como Leonardo, de 36 anos, relatou ter desfeito muitas amizades ao longo do período eleitoral. Reconhecendo a existência de intolerância em todas as esferas, ele classificou como condenáveis os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, mas desabafou ter se sentido discriminado nos últimos anos. Ele expressou a expectativa de que o próximo governo, eleito neste domingo, receba o respeito devido mesmo por parte de quem sair derrotado nas urnas. A busca por refúgio em círculos sociais de mesma preferência política também apareceu nos relatos de eleitores da periferia do Distrito Federal. As amigas Lana Wendy Rodrigues, monitora de creche de 29 anos, e Dayane Gomes, vendedora de 32 anos, moradoras de Sobradinho 2, afirmaram não ter enfrentado resistências por integrarem uma bolha de preferências à direita. Ambas compareceram ao ato na Torre de TV levando uma bandeira do Brasil. Contudo, a dinâmica familiar nem sempre seguiu o mesmo alinhamento. Irmãos de Lana e Dayane, o bancário Samuel Nascimento, de 26 anos, e a consultora Julia Nascimento, de 34, optaram por não vestir amarelo e definiram-se como contrários aos extremismos. Para Samuel, a alternância de poder precisa ocorrer de forma pacífica, com o respeito mútuo entre vencedores e vencidos. O pleito deste ano também mobilizou eleitores estreantes e diferentes gerações. Vendendo leques, bonés e camisetas com a imagem do candidato Flávio Bolsonaro, a estudante secundarista Maria Eduarda Nascimento, de 18 anos, demonstrou empolgação com o primeiro voto. Influenciada pelo pai e por amigos da igreja evangélica que frequenta na Ceilândia, a jovem pretende cursar biomedicina. A dois quilômetros dali, o entusiasmo com o primeiro voto também era evidente entre as irmãs gêmeas Laila e Melissa Lacerda, de 16 anos. Alunas do segundo ano do ensino médio, elas celebraram a participação juvenil nos atos em apoio à reeleição de Lula. Laila destacou que pautas como a defesa do ensino público gratuito e o desarmamento unem seus círculos de amizade, ressaltando a rejeição à circulação de mais armas nas ruas. A mobilização na Esplanada reuniu figuras históricas e histórias de mudança de opinião motivadas por eventos dramáticos recentes. O economista aposentado Murilo da Cunha, de 73 anos, percorreu o local em uma cadeira de rodas devido a uma doença neurológica rara. Apoiador entusiasta de Lula, ele comparou a atmosfera aos grandes movimentos cívicos do passado, como as Diretas Já, nos anos 1980, e os cara-pintadas, em 1992, embora tenha lamentado o distanciamento de familiares por divergências políticas. Próximos dali, o casal José Pedro Oliveira, de 61 anos, e Ana Carolina Campos, de 48, explicou que a adesão ao ato petista ocorreu após uma reviravolta pessoal. Eleitores de Jair Bolsonaro em 2018, eles mudaram de posição depois que o filho adolescente ficou à beira da morte em uma UTI com covid-19. Profundamente decepcionados, passaram a defender a rejeição ao negacionismo para a preservação de vidas, o que também custou o afastamento de parentes e amigos. As pautas de direitos humanos e o combate aos discursos de ódio nas plataformas digitais mobilizaram grupos de universitários e profissionais liberais. Os estudantes Nathália Rocha, de 25 anos, e Eduardo Couto, de 28, acompanhados da advogada Sophia Barbosa, de 28, enfatizaram a urgência da regulamentação das redes sociais, apontadas por eles como responsáveis por aprofundar o abismo entre os brasileiros e ameaçar a estabilidade democrática. O clima de encerramento da campanha não se restringiu à capital federal. Em Maceió, apoiadores de Lula realizaram uma corrida matinal com largada antes do amanhecer, às 5h13. Em Fortaleza, a mobilização incluiu atletas de surfe, natação e remo em um ato no mar sob o slogan “A Praia é Nossa”. Do outro lado, simpatizantes de Flávio Bolsonaro concentraram atos matinais em Goiânia, além de registros de manifestações em Cuiabá, Dourados, Vitória e diversas outras cidades do país. No encerramento da agenda de campanha, Lula participou de atos públicos pela manhã em Copacabana, no Rio de Janeiro, e à tarde na Avenida Paulista, em São Paulo. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro acompanhou uma motocarreata em Belo Horizonte, Minas Gerais, e seguiu para um comício na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







