Estudantes voltam às ruas em momento decisivo da eleição presidencial, afirma presidente da UNE Em entrevista, Bianca Borges defende mobilização nacional em apoio a Lula, alerta para riscos à universidade pública e detalha pautas da juventude para o segundo turno Milhares de estudantes universitários e secundaristas voltaram a ocupar as ruas das principais capitais e cidades brasileiras às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A mobilização, articulada por grêmios, diretórios acadêmicos e entidades representativas, busca atuar de forma decisiva na disputa política nacional e na defesa da educação pública e das instituições democráticas. Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, destacou que a atual conjuntura exige a presença ativa da juventude nas ruas. Segundo a dirigente, a entidade avalia que a eleição presidencial representa uma encruzilhada para o país, o que motivou a decisão de apoiar expressamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se opor à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A onda de manifestações ganhou força logo após a divulgação do resultado do primeiro turno. O primeiro ato expressivo ocorreu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, onde uma assembleia estudantil reuniu mais de mil participantes e transbordou para uma passeata pública. A partir dessa fagulha inicial, novos protestos foram organizados em diversos pontos do território nacional. No Rio de Janeiro, no dia 7 de outubro, milhares de manifestantes marcharam da Candelária até a Cinelândia, em uma convocação puxada inicialmente por secundaristas do Colégio Pedro II. Já no dia 13 de outubro, a mobilização tomou a Esplanada e a área externa do Museu da República, em Brasília, reunindo estudantes e representantes da classe trabalhadora em um dos maiores atos recentes registrados na capital federal. Ao traçar um paralelo histórico, a presidente da UNE comparou a indignação e o engajamento atuais a marcos como a Passeata dos 100 Mil, realizada em 1968 durante a ditadura militar, além de rememorar episódios como a campanha O Petróleo É Nosso, as Diretas Já e os movimentos pelo impeachment de Fernando Collor e contra o governo de Jair Bolsonaro. Para Bianca Borges, a candidatura de Flávio Bolsonaro traz a perspectiva de retrocessos e medidas autoritárias. Entre as maiores preocupações apontadas pela entidade está a proposta do candidato do PL de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pasta que detém orçamento consideravelmente menor. A dirigente afirma que o plano visa subordinar o meio acadêmico exclusivamente aos interesses de mercado, enfraquecendo o tripé de ensino, pesquisa e extensão. Em contraponto às críticas da entidade estudantil, o candidato Flávio Bolsonaro tem declarado publicamente e em seu programa de governo que manterá os investimentos e o piso constitucional da área. As propostas da campanha incluem a reformulação do ensino técnico em sintonia com o setor produtivo, a expansão das escolas cívico-militares e a aproximação das universidades federais com a pasta de Ciência e Tecnologia. A disputa eleitoral também avançou sobre a esfera jurídica. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou recentemente um pedido protocolado pela campanha de Flávio Bolsonaro que tentava barrar publicações de 54 dirigentes sindicais, de movimentos sociais e de entidades estudantis, grupo que incluía lideranças da própria UNE. Além da atuação na corrida presidencial, a presidente da UNE enfatizou a cobrança por medidas estruturais para a educação. A entidade reivindica o fortalecimento e a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil com orçamento robusto, garantia de permanência de alunos de baixa renda, cumprimento da meta de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor e a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permita repasses federais a universidades estaduais, hoje afetadas por forte subfinanciamento. Outro ponto levantado por Borges diz respeito à segurança da comunidade acadêmica. A líder da UNE relatou que diversas universidades receberam ameaças de ações criminosas em redes sociais ao longo da campanha. Dois incêndios ocorridos na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão atualmente sob investigação para apurar a possibilidade de atos criminosos. Eleita para conduzir a UNE no mandato de 2025 a 2027, Bianca Borges tem 25 anos, nasceu em Itapevi e cresceu em Praia Grande, no litoral paulista. Graduada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde ingressou em 2017 e liderou o Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre) e o Centro Acadêmico XI de Agosto, ela atualmente cursa Letras no Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Antes de chegar ao comando nacional da entidade, presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e atuou na Organização Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae). Dirigindo-se aos jovens desencantados com o sistema político, a presidente da UNE sustentou que a luta coletiva continua sendo o único instrumento eficaz para garantir conquistas sociais. Ela citou avanços históricos de inclusão no ensino superior promovidos por gestões de Lula, o programa federal Pé-de-Meia e pautas trabalhistas de apelo direto para a nova geração, como o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1. De acordo com a liderança estudantil, a organização das bases universitárias e secundaristas terá de prosseguir de maneira contínua, independentemente do desfecho das urnas no segundo turno. A dirigente afirma que o papel dos estudantes será pressionar por melhorias caso o governo Lula seja renovado ou manter uma postura de firme resistência institucional se a oposição sair vitoriosa.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







