Fim da escala 6×1: Alcolumbre homenageia Paulo Paim em promulgação histórica no Congresso Gesto de quebra de protocolo celebrou a trajetória do senador petista, que há décadas lutava pela redução da jornada de trabalho e se despede do Senado após mais de 40 anos de vida pública. Brasília – O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a Emenda Constitucional 141 de 2026, marcando o fim definitivo da escala de seis dias de trabalho por um de descanso no Brasil. Durante a cerimônia solene na capital federal, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), protagonizou um momento de forte emoção ao quebrar o protocolo oficial para homenagear o senador Paulo Paim (PT-RS), convidando-o para ocupar um assento na mesa principal ao lado de autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta. “Eu sei que o cerimonial estabeleceu esse rito constitucional de uma sessão solene, mas o meu coração não me permitiria deixar de convidar uma pessoa para a mesa para representar o povo brasileiro”, justificou Alcolumbre da tribuna, destacando a necessidade de reconhecer a biografia e a luta histórica do parlamentar gaúcho pelas pautas trabalhistas ao longo das últimas quatro décadas. Com 76 anos de idade e uma trajetória política consolidada após três mandatos como senador, quatro como deputado federal e a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas na década de 1980, Paulo Paim encerra sua carreira legislativa ao final desta legislatura. O senador decidiu não disputar uma nova vaga pelo Rio Grande do Sul nas eleições deste ano, tornando a promulgação da nova emenda o marco simbólico de encerramento de sua longa jornada no Parlamento. A relação de Paim com a redução da jornada de trabalho é antiga. Ainda em 1994, o parlamentar apresentou o Projeto de Lei 4.653 propondo a queda de 44 para 40 horas semanais, texto que acabou arquivado na época, assim como outras propostas similares protocoladas ao longo de seus mandatos. Ao conversar com jornalistas após a cerimônia, Paim comparou a emoção da conquista atual com a promulgação da Constituição de 1988, período em que a jornada máxima caiu de 48 para 44 horas semanais. “Eu me sinto realizado, de lá para cá, da constituinte, eu apresentei dez projetos”, afirmou o senador, visivelmente emocionado ao lado de colegas como a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ). Para Paim, a nova emenda constitucional representa uma conquista fundamental que vai melhorar diretamente a qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira. A Emenda Constitucional promulgada nesta sexta-feira estabelece a transição obrigatória para a escala 5×2, garantindo duas folgas semanais para todos os trabalhadores do país dentro de um prazo de dois meses. Já a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas contará com um período de adaptação mais dilatado: o limite cairá para 42 horas em sessenta dias e atingirá a meta de 40 horas semanais daqui a quatorze meses, assegurando a manutenção integral dos salários. A proposta nasceu da forte pressão das ruas, mobilizando sindicatos e trabalhadores em uma demanda por melhores condições de descanso e convivência familiar. A tramitação foi concluída na última quarta-feira (14) no Senado Federal, onde o texto obteve ampla maioria com 75 votos favoráveis e apenas um voto contrário, registrado pelo ex-vice-presidente e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Embora o governo tenha liderado a articulação em favor da medida, a votação final também refletiu uma mudança de postura da oposição. Inicialmente contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e mobilizados para barrar a votação na semana, parlamentares oposicionistas optaram por liberar a bancada após a marcação oficial da sessão, resultando em votos majoritariamente favoráveis ao fim da escala 6×1.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







