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Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado

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Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado

Planos econômicos de Lula e Flávio Bolsonaro expõem visões opostas sobre ajuste fiscal e tamanho do Estado Enquanto petista aposta em investimentos públicos e tributação progressiva, senador propõe corte de R$ 190 bilhões em despesas e desonerações para impulsionar a atividade Os projetos econômicos apresentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) colocam em evidência dois modelos antagônicos para o equilíbrio das contas públicas, a tributação e as relações de trabalho no país. Embora ambos os lados reconheçam a urgência de enfrentar a trajetória da dívida pública, a divergência central reside nos caminhos escolhidos para alcançar a estabilidade fiscal e estimular a atividade econômica. Lula aposta na continuidade da atual política econômica, sustentada pelo fortalecimento de investimentos estatais, manutenção de programas sociais e valorização da renda. O petista defende a permanência do arcabouço fiscal, buscando equilibrar o orçamento por meio da combinação entre limites de gastos, ampliação sustentada de receitas e expansão da atividade. Na esteira desse plano, o atual governo projeta aportes em infraestrutura por meio do Novo PAC, estímulos à reindustrialização, inovação e transição para energias renováveis. A avaliação da equipe governista é de que o crescimento da economia impulsionará a arrecadação tributária, gerando recursos para sustentar as políticas públicas essenciais. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro articula uma estratégia liberal voltada à retração da presença estatal, contenção mais profunda das despesas e redução de impostos. O parlamentar planeja instituir uma nova regra fiscal atrelada diretamente à trajetória da dívida pública, combinada com o enxugamento da estrutura ministerial, corte de cargos comissionados e redução de despesas administrativas. A dimensão desse aperto fiscal foi detalhada pela coordenadora econômica da campanha do senador, Daniella Marques. Em entrevista concedida à GloboNews em agosto, ela afirmou que o programa prevê um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), montante que gira em torno de R$ 190 bilhões com base nas projeções de 2025. O detalhamento prático dessas reduções e seus reflexos sobre o atendimento à população permanecem como pontos de debate entre analistas. O contraste também é expressivo na área tributária. A plataforma governista propõe aprofundar a progressividade dos impostos, exigindo maior contribuição proporcional das rendas mais altas para financiar o Estado. Já o plano de Flávio prioriza a desoneração ampla das empresas e a simplificação regulatória, apostando em cortes orçamentários para compensar eventuais perdas na arrecadação decorrentes da redução de alíquotas. No setor produtivo, o senador do PL concentra suas diretrizes no estímulo ao agronegócio. Suas metas envolvem melhorias na infraestrutura logística, ampliação da capacidade de armazenamento de safras, incentivo ao seguro rural e apoio ao aumento da produção nacional de fertilizantes. No campo do trabalho e renda, as diretrizes voltam a se afastar. Lula defende a continuidade da política de valorização real do salário mínimo e apoia a redução da jornada semanal para 40 horas sem perda salarial, com foco na manutenção de direitos. Flávio, por sua vez, prioriza a diminuição dos custos de contratação e propõe flexibilizações para faixas etárias específicas como forma de fomentar postos formais. Apesar dos contrastes conceituais, ambos os concorrentes asseguram a permanência dos principais pilares de assistência social. Lula foca na preservação e ampliação do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida, além de medidas de combate à fome. Na mesma linha, Flávio negou publicamente, no último dia 9, que pretende extinguir o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida ou o Farmácia Popular, restando a ambos o desafio de viabilizar o financiamento dessas redes sob suas metas de ajuste. O embate programático ocorre sob o pano de fundo dos resultados alcançados nos mandatos recentes. De 2019 a 2022, o governo Jair Bolsonaro enfrentou os impactos da pandemia de covid-19 e da guerra na Ucrânia, registrando crescimento médio do PIB de 1,4% ao ano. A administração encerrou aquele período com a dívida bruta em torno de 72% do PIB, cenário marcado por privatizações, concessões e o adiamento do pagamento de precatórios. Durante o terceiro mandato de Lula, entre 2023 e 2025, o PIB registrou expansão média anual de cerca de 2,9%, com a taxa de desemprego recuando a 5,6% em 2025, conforme dados divulgados pelo IBGE. No mesmo período, foram retomados investimentos em obras públicas e aprovada a reforma tributária sobre o consumo. Por outro lado, o quadro fiscal recente revelou nova pressão sobre as contas da União. A dívida pública, que havia recuado no encerramento da gestão anterior, voltou a subir no atual mandato, alcançando 82,9% do PIB em agosto deste ano. Especialistas apontam que a leitura desses índices requer considerar os diferentes cenários internacionais, as taxas de juros vigentes e as respostas emergenciais adotadas em cada período, demonstrando visões divergentes para o equilíbrio financeiro do país.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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