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Perfil mais conservador deve mudar agenda do Congresso, diz professor

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Perfil mais conservador deve mudar agenda do Congresso, diz professor

Congresso mais conservador deve redesenhar pautas e ritmo de votações, aponta especialista Avanço de bancadas de direita nas eleições legislativas altera prioridades em Brasília, com foco em segurança pública e reformas institucionais, enquanto disputa presidencial acirrada define o tom do segundo turno. O avanço expressivo de partidos com perfil conservador na composição do Congresso Nacional e nos governos estaduais deve reescrever a agenda legislativa brasileira a partir de 2027. A avaliação é do economista, doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos, que aponta os resultados das urnas como um recado direto do eleitorado sobre as demandas do cotidiano. Segundo o especialista, as campanhas regionais que elegeram senadores, deputados federais, estaduais e governadores deixaram evidente a centralidade de temas como segurança pública, custo de vida, valores tradicionais e família. Para o professor da UnB, essas pautas se consolidaram nas urnas porque responderam às expectativas reais da população, evidenciando uma lacuna na forma como o governo federal vinha abordando essas mesmas temáticas. O impacto dessa nova configuração de forças no Parlamento já começa a gerar expectativas sobre o andamento de projetos cruciais. A pauta trabalhista mais debatida do ano, o fim da escala de trabalho 6×1, tem votação prevista para esta semana no Senado Federal, conforme confirmado pelo presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). No entanto, o professor avalia que a mudança expressiva na correlação de forças entre deputados e senadores pode desacelerar o ritmo de tramitação. Diante do novo quadro político e das incertezas inerentes à transição de forças, é comum que as casas legislativas adotem uma postura de cautela até que os blocos partidários e as principais lideranças definam suas posições estratégicas. Por essa razão, a votação do fim da escala 6×1 poderá encontrar um cenário de maior deliberação e tomar um pouco mais de tempo antes de ser levada ao plenário. No radar do novo Legislativo também estão os atritos institucionais recentes. Para o cientista político, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) pesou de forma secundária na decisão do eleitorado durante a votação para o Parlamento e o Executivo estadual, uma vez que a Corte não é um cargo submetido ao sufrágio. Apesar disso, o tribunal deve voltar ao centro das discussões parlamentares nos próximos anos. Com a maioria conservadora consolidada no Senado Federal, a agenda legislativa tem potencial para promover alterações no desenho institucional do STF, incluindo debates sobre a extensão dos poderes individuais dos ministros e a eventual implementação de limites para os mandatos na Suprema Corte. O direcionamento definitivo das pautas a partir de 1º de fevereiro de 2027, data de posse da nova legislatura, dependerá diretamente do desfecho da disputa presidencial. Os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmaram que a corrida pelo Palácio do Planalto será decidida em segundo turno entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), registrando a menor diferença já contabilizada em um primeiro turno na história recente do país, com uma vantagem de cerca de 2,22 milhões de votos, equivalentes a 1,87 ponto percentual, favorável ao candidato do PL. Para o professor Jeferson Ramos dos Santos, o cenário permanece inteiramente aberto e altamente competitivo para o pleito marcado para o dia 25 de outubro. A avaliação é sustentada pela margem estreita entre os concorrentes e pela abstenção recorde registrada nas urnas, fator que deixou dezenas de milhões de eleitores sem posicionamento prévio consolidado. Com o retorno do horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio previsto para esta sexta-feira e a propaganda autorizada até o dia 23 de outubro, a corrida presidencial ganha um novo capítulo. O resultado desse confronto nas urnas funcionará como um eixo determinante para a dinâmica institucional do país. Uma vitória que consolide um perfil mais alinhado à direita poderá empurrar a agenda do Congresso ainda mais nessa direção, priorizando valores morais e segurança pública em detrimento de pautas trabalhistas, enquanto um eventual reequilíbrio dependerá da articulação política do próximo chefe do Executivo federal para negociar com a nova maioria parlamentar.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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