–:–:–
Conecte-se conosco

Unesco reconhece três lugares de memória da escravidão no Brasil

5 visualizações
Unesco reconhece três lugares de memória da escravidão no Brasil

Unesco reconhece Cais do Valongo, Sociedade Protetora dos Desvalidos e Serra da Barriga como marcos da escravidão Inclusão inédita na Rede internacional de Lugares de Memória destaca a resistência negra no Brasil e reforça a luta contra o racismo estrutural. O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador, e a Serra da Barriga, em Alagoas, foram oficialmente inscritos na Rede de Lugares de História e Memória Relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco. O anúncio foi celebrado pelo Ministério das Relações Exteriores, que destacou a importância da titulação para a preservação histórica e a educação das novas gerações. A candidatura brasileira foi apresentada pelo Itamaraty para integrar a iniciativa global criada em 2024, no âmbito do Programa Rotas dos Escravizados: Resistência, Liberdade e Patrimônio. Com os novos ingressos, esses sítios passam a compor a rede internacional ao lado do Museu da Inconfidência, em Minas Gerais, e dos Museus Casa da Hera e da República, ambos no Rio de Janeiro. O objetivo da Rede é conectar marcos históricos de diferentes países para promover o intercâmbio de experiências, cooperação internacional e o desenvolvimento de iniciativas educativas e de pesquisa. A diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, apontou que a chancela vai além do resgate histórico e busca combater os efeitos duradouros da escravidão nas sociedades contemporâneas. Segundo a representante, a inclusão transforma esses espaços em lugares vivos de conhecimento, diálogo intercultural e promoção dos direitos humanos. A iniciativa também visa auxiliar na compreensão do racismo estrutural e das desigualdades que persistem, permitindo que os gestores desses locais compartilhem boas práticas e ampliem a visibilidade de suas histórias internacionalmente. Na avaliação do doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivanir dos Santos, a chancela internacional representa uma oportunidade crucial para questionar as narrativas tradicionais da formação da sociedade brasileira. O pesquisador e babalaô destacou que os três locais simbolizam diferentes dimensões da experiência e da luta da população negra no país. O Cais do Valongo, localizado na região portuária fluminense e inscrito na Lista do Patrimônio Mundial desde 2017, evidencia a violência brutal do tráfico transatlântico de africanos escravizados, servindo como lembrança física dos vestígios do principal ponto de desembarque nas Américas. Já a Serra da Barriga, onde funciona o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em União dos Palmares, consolida-se como o grande símbolo máximo da resistência à escravidão e da busca histórica por liberdade, autonomia e autodeterminação dos povos quilombolas. Por fim, a Sociedade Protetora dos Desvalidos, fundada em 1832 na capital baiana, representa a força da organização coletiva e da solidariedade. Sendo a primeira instituição civil negra do Brasil em funcionamento contínuo, a entidade carrega um histórico de resistência que ecoou em revoltas fundamentais como a dos Búzios, em 1798, e a dos Malês, em 1835. Para Ivanir dos Santos, esses patrimônios dialogam diretamente com as demandas contemporâneas do movimento negro por reparação histórica e igualdade racial. No entanto, o especialista pondera que o reconhecimento institucional precisa vir acompanhado de políticas públicas efetivas de preservação, fomento à educação antirracista e participação ativa das comunidades negras na gestão desses espaços.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

Mais em Ultimas Notícias

Ver tudo →

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.