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Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio

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Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio

ONU aprova resolução contra bloqueio a Cuba em meio à pressão dos EUA e menor apoio em três décadas Resolução que condena o embargo econômico norte-americano recebeu 130 votos favoráveis na Assembleia Geral, mas campanha do governo de Donald Trump reduziu significativamente o placar histórico da ilha caribenha. A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou, nesta terça-feira (29), uma nova resolução contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de seis décadas. O texto recebeu 130 votos favoráveis, incluindo o do Brasil, além de 17 contrários e 25 abstenções. Apesar do resultado favorável, o pleito registrou o placar mais desfavorável a Havana em 30 anos, reflexo direto de uma intensa campanha diplomática liderada pelo governo de Donald Trump para pressionar países aliados a rejeitarem a condenação ao embargo. Em entrevista concedida à Agência Brasil na embaixada do país em Brasília, nesta quinta-feira (29), o embaixador cubano Victor Manuel Cairo Palomo celebrou o resultado como uma grande vitória do povo cubano. Segundo o diplomata, em um cenário global em que os Estados Unidos lideram novas práticas de caráter fascista por meio de chantagens, ameaças a nações menores e imposição de guerras econômicas e tarifas, o governo de Cuba conseguiu manter o respaldo da imensa maioria da comunidade internacional. Apesar da comemoração diplomática, a votação na ONU evidenciou uma erosão significativa no apoio global à causa cubana. Nos últimos trinta anos, a resolução costumava somar mais de 190 votos favoráveis na Assembleia Geral. A queda acentuada neste ano está diretamente relacionada às movimentações de Washington para convencer governos parceiros a mudarem de posição. Enquanto em 2024 apenas Israel e os Estados Unidos votaram contra a proposta, o bloco dos contrários saltou para 17 países em 2025, incluindo nações como Argentina, Colômbia, Paraguai, Ucrânia, Hungria e Emirados Árabes Unidos. Além do crescimento dos votos contrários, o número de abstenções também disparou. Enquanto no ano anterior houve apenas uma abstenção, 25 países optaram por não votar na atual edição, entre eles nações latino-americanas como Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, que historicamente costumavam registrar voto favorável a Cuba nas resoluções da ONU. Durante o encontro com a imprensa em Brasília, o embaixador Victor Manuel Cairo Palomo enfatizou o custo humano severo decorrente da política de Washington, classificando o embargo como uma medida ilegal perante o direito internacional. O diplomata relatou que mais de 1.500 crianças morreram em Cuba em decorrência da falta de acesso a medicamentos específicos e da escassez de combustível necessária para manter o funcionamento de incubadoras para recém-nascidos prematuros ou com baixo peso. Dados apresentados pelo representante diplomático apontam que, entre 2025 e 2026, paralelamente ao endurecimento das sanções promovido pelo governo Trump, a taxa de mortalidade infantil em Cuba dobrou, saltando de 4,4 óbitos a cada mil nascimentos para 9,9. Para o embaixador, esses dados não representam apenas estatísticas frias, mas vidas ceifadas pelas restrições econômicas impostas à ilha caribenha desde a retaliação à Revolução Cubana de 1959. Cairo Palomo argumenta que o bloqueio econômico não constitui um problema restrito ao território cubano, mas uma questão que afeta toda a humanidade, sob o argumento de que a postura norte-americana pode servir de precedente para qualquer outra nação que desagrade aos interesses de Washington. O diplomata criticou a doutrina externa da gestão de Donald Trump voltada para a América Latina e o Caribe, apontando que a Casa Branca busca controlar o destino da região, restringindo inclusive parcerias comerciais, como as relações diplomáticas e econômicas com a China. O representante do governo cubano detalhou ainda o impacto operacional das sanções secundárias, que penalizam empresas internacionais que mantêm negócios com Cuba. Segundo o embaixador, mais de 7 mil contêineres adquiridos por empresas cubanas encontram-se retidos em portos ao redor do mundo porque as companhias de transporte marítimo recusam-se a realizar a entrega por receio de sofrer represálias econômicas e jurídicas por parte das autoridades dos Estados Unidos. Desde o retorno de Donald Trump à presidência norte-americana em janeiro de 2025, o cerco econômico tem sido intensificado de forma contínua. As novas diretrizes incluíram um bloqueio energético rigoroso com ameaças diretas a países que comercializem petróleo com a ilha. A medida provocou um corte drástico no suprimento, deixando Havana sem receber nenhum carregamento de óleo por três meses consecutivos e gerando apagões diários que superam dez horas na capital cubana. A asfixia econômica escalou para outros setores estratégicos, resultando na redução drástica de voos internacionais para o país, na retirada de redes hoteleiras estrangeiras e na suspensão das operações da empresa de cartões Visa, o que causou impactos profundos no turismo, principal motor da economia cubana. Recentemente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob a liderança do secretário de Estado Marco Rubio, implementou novas restrições direcionadas a empresas de tecnologias sensíveis que possuam qualquer tipo de vínculo com a ilha, enquanto a Justiça norte-americana decretou a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro. Como resposta institucional ao avanço das sanções, o governo de Cuba implementou um conjunto de reformas econômicas voltadas para reestruturar o mercado interno e dinamizar a produção nacional. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo avaliou que ainda é prematuro mensurar o alcance total das mudanças, mas destacou que análises internas preliminares apontam para perspectivas favoráveis ao incremento produtivo. Entre as prioridades estratégicas citadas pelo diplomata estão a transição acelerada da matriz energética para a solar, com o apoio técnico e financeiro da China, e o fortalecimento da segurança alimentar, definida como prioridade absoluta diante da persistência do embargo norte-americano.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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