Retinopatia Diabética: Doença Ocular Silenciosa Atinge um em Cada Três Pacientes no Brasil Campanha nacional alerta para a importância do diagnóstico precoce e visitas regulares ao oftalmologista para evitar a perda total da visão em adultos em idade produtiva. Uma em cada três pessoas que convivem com o diabetes no Brasil vai desenvolver, em algum momento da vida, a retinopatia diabética, apontada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) como uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva. Para reverter esse cenário e conscientizar a população, a entidade médica dá início no próximo domingo (1º) à campanha 24 Dias pelo Diabetes, mobilização que segue até o final de novembro com orientações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da condição. A enfermidade ocorre quando os níveis elevados de açúcar no sangue, mantidos ao longo dos anos, provocam danos severos aos pequenos vasos sanguíneos da retina. Localizada no fundo do olho, essa estrutura é a responsável por captar a luz e enviar as imagens correspondentes para o cérebro. O grande perigo da condição está na sua evolução silenciosa, já que ela raramente provoca sintomas nas fases iniciais, o que costuma atrasar a descoberta do problema e o início do tratamento adequado. De acordo com a presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, a doença tem um impacto devastador tanto na vida pessoal quanto na esfera econômica do país. A especialista destaca que se trata de uma condição capaz de cegar e afastar pessoas do mercado de trabalho, gerando um problema grave de saúde pública que repercute diretamente nas contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de sobrecarregar as políticas públicas e econômicas do país. As estatísticas oficiais revelam que a retinopatia diabética atinge de 24% a 39% da população brasileira diagnosticada com diabetes. O risco aumenta de forma proporcional ao tempo de convivência com a doença: após duas décadas de diagnóstico, cerca de 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% daqueles com diabetes tipo 2 apresentarão algum grau de comprometimento na retina. No entanto, o CBO ressalta que, com a detecção precoce e a intervenção médica imediata, a probabilidade de o paciente evoluir para a cegueira cai para menos de 5%. Como a doença não apresenta sinais evidentes no início, a única forma segura de prevenção e controle é a realização periódica de exames oftalmológicos. A recomendação do Ministério da Saúde, detalhada no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, é a fundoscopia, amplamente conhecida como exame de fundo de olho. O procedimento permite ao médico oftalmologista examinar a retina e os vasos sanguíneos, identificando alterações antes mesmo que a visão do paciente comece a ser afetada. A avaliação pode exigir a dilatação das pupilas para otimizar a visualização das estruturas internas. As diretrizes determinam que o primeiro exame deve ser feito imediatamente após o diagnóstico para os portadores de diabetes tipo 2. Já no caso de adultos com diabetes tipo 1, o rastreamento precisa começar cinco anos após a confirmação da doença. Para crianças e adolescentes, a primeira avaliação deve ser considerada até cinco anos após o início do quadro ou com a chegada da puberdade. Pacientes sem retinopatia ou com quadros leves devem manter acompanhamento anual, enquanto casos moderados ou graves exigem revisões mais frequentes. Mulheres que têm diabetes e estão grávidas ou planejam engravidar também integram o grupo que demanda atenção especial. Nesses casos, o exame oftalmológico deve ser repetido a cada trimestre da gestação e mantido durante o primeiro ano após o parto. A exceção recai sobre mulheres que desenvolveram diabetes gestacional, condição caracterizada pelo aumento temporário da glicose durante a gravidez e que costuma desaparecer após o nascimento do bebê, não exigindo triagem específica para a retinopatia. Especialistas reforçam que uma parcela significativa do cuidado ocorre fora do consultório médico. Manter a glicemia e a pressão arterial rigorosamente controladas reduz drasticamente o risco de surgimento e progressão da doença. A lista de hábitos recomendados pelo CBO inclui uma alimentação rica em fibras, como aveia, feijão, lentilha e arroz integral, além de verduras e legumes. Também é fundamental diminuir a ingestão de açúcar, sal, alimentos ultraprocessados e embutidos, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, manter o peso corporal adequado, priorizar noites bem-dormidas e reservar momentos para o lazer e o descanso. No âmbito da assistência médica, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece porta de entrada por meio das unidades básicas de saúde (UBS) e da Estratégia Saúde da Família (ESF), que realizam o encaminhamento para a rede especializada através do sistema de regulação municipal ou estadual. Na rede privada, os beneficiários de planos de saúde contam com a cobertura regulamentada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), agendando consultas e exames diretamente com profissionais credenciados. O objetivo central da campanha é ampliar o acesso da população ao diagnóstico e integrar o trabalho de clínicos, endocrinologistas e oftalmologistas no acompanhamento contínuo dos pacientes.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







