Justiça da Itália adia para novembro julgamento sobre extradição de Carla Zambelli Defesa da ex-deputada brasileira alegou falta de acesso a documentos enviados pelo Brasil sobre as condições do sistema prisional e a saúde da aliada de Jair Bolsonaro. A Justiça da Itália adiou para o próximo dia 24 de novembro o julgamento que vai definir se a deputada cassada Carla Zambelli será extraditada para o Brasil. A decisão da Corte de Apelação de Roma ocorreu após um pedido formal da defesa, que argumentou não ter tido acesso integral à documentação enviada pelo governo brasileiro sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, para onde a ex-parlamentar deverá ser encaminhada caso o retorno ao país seja autorizado. O processo de extradição tramita na justiça italiana após condenações severas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A extradição havia sido inicialmente autorizada pela primeira instância da Justiça da Itália, mas a defesa conseguiu viabilizar um novo julgamento na Corte de Cassação, sob o argumento de que faltavam informações detalhadas acerca do sistema carcerário brasileiro. Este é o julgamento que estava agendado e acabou adiado pelos magistrados romanos. Este é o segundo processo de extradição enfrentado por Carla Zambelli em território italiano. Em uma situação anterior, referente à condenação por invasão aos sistemas informáticos do Conselho Nacional de Justiça, a primeira instância também havia autorizado o envio ao Brasil, mas a decisão foi revertida na última instância de recurso da Itália. Naquela ocasião, os magistrados apontaram o que classificaram como falta de imparcialidade por parte do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Em nota oficial distribuída à imprensa, o advogado Eduardo Maurício, que representa a ex-deputada, sustentou que o julgamento não poderia prosseguir sem o fornecimento dos documentos solicitados. Segundo a defesa, a ausência de acesso aos papéis enviados pelo Brasil impede o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, especialmente no que tange à garantia de preservação da saúde da cliente. O defensor acrescentou nos autos e em declarações públicas que uma eventual extradição de Carla Zambelli ao Brasil equivaleria a entregá-la à morte, classificando o sistema prisional brasileiro como um ambiente desumano e degradante. O argumento sobre a integridade física e o perfil degradante das prisões no país tem sido a principal tática jurídica adotada pelos advogados no exterior para barrar os pedidos de repatriação. Os impasses jurídicos envolvendo a ex-parlamentar decorrem de duas condenações expressivas proferidas pela Suprema Corte brasileira em 2025. Na primeira delas, a Primeira Turma do STF condenou Zambelli a 10 anos de reclusão pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. A investigação concluiu que ela liderou uma operação em 2022 para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes nos registros do CNJ, com o suposto intuito de desmoralizar o Poder Judiciário na véspera das eleições presidenciais. No segundo processo, julgado ainda em 2025, a ex-deputada recebeu uma pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O episódio ocorreu dias antes do segundo turno das eleições de 2022, quando ela sacou um revólver e perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas da capital paulista. Após a emissão das primeiras sentenças e antes que o mandado de prisão pudesse ser cumprido pelas autoridades brasileiras, Zambelli utilizou um passaporte europeu para deixar o Brasil. Ela viajou inicialmente para os Estados Unidos e, na sequência, buscou abrigo na Itália, onde ingressou com um pedido formal de refúgio político, alegando perseguição por parte do Judiciário brasileiro. A ex-parlamentar chegou a ser presa temporariamente em Roma a pedido do STF e do governo brasileiro, que intensificaram os esforços diplomáticos pela extradição. Contudo, após o primeiro revés judicial que negou o envio em definitivo, ela foi colocada em liberdade. Desde então, Zambelli permanece na capital italiana aguardando os desdobramentos dos recursos e a nova data marcada para o julgamento que definirá seu futuro perante a Justiça brasileira.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







