–:–:–
Conecte-se conosco

Israelenses vão às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder

4 visualizações
Israelenses vão às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder

Eleições em Israel: votação histórica pode encerrar era Netanyahu e redefinir rumos do país Com cerca de 7 milhões de eleitores nas urnas pela primeira vez desde o ataque do Hamas, pleito põe à prova o futuro político do atual primeiro-ministro e opõe candidatos com visões distintas sobre democracia e segurança. Cerca de 7 milhões de eleitores israelenses comparecem às urnas nesta terça-feira (27) em um pleito legislativo histórico, realizado pela primeira vez desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A votação, que utiliza cédulas de papel e tem resultado previsto para o final desta quarta-feira (28), coloca em risco a permanência de Benjamin Netanyahu no poder, cargo que ele ocupa há um total de 19 anos à frente do partido Likud. Além do atual premiê, a disputa acirrada conta com outras duas principais forças políticas lideradas por figuras de perfil linha-dura na área militar e de segurança, marcando um momento de profunda transformação no cenário político do país. O sistema parlamentarista de Israel exige que os partidos mais votados formem maioria no Knesset, o parlamento unicameral composto por 120 cadeiras, para a criação de um novo gabinete de governo. Entre os principais concorrentes que ameaçam destronar Netanyahu estão o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e ex-general Gadi Eisenkot, à frente do partido Yashar, criado em 2025, e uma coalizão liderada por Naftali Bennett, dirigente de perfil religioso que já chefiou o governo israelense entre 2021 e 2022 pelo partido Beyahad, conhecido como Juntos. Eisenkot integrou o gabinete de guerra formado após o 7 de outubro, mas rompeu com o governo de Netanyahu fazendo duras críticas à condução das operações militares na Faixa de Gaza. O ex-general acusa o primeiro-ministro de negligenciar o resgate dos reféns e de ignorar alertas prévios sobre a ação do Hamas, falhas veementemente negadas pelo premiê. Por sua vez, a coalizão de Naftali Bennett surge como outra via conservadora capaz de unificar o descontentamento de parte da sociedade israelense com a atual gestão. Especialistas em relações internacionais apontam que, apesar das divergências táticas, os três principais favoritos compartilham de uma matriz ideológica semelhante no que tange à segurança nacional. A professora Karina Stange Calandrin, do Ibmec de São Paulo, explica que o espectro político israelense costuma dividir os partidos entre “falcões” e “pombas”. Os falcões, grupo ao qual pertencem Netanyahu, Eisenkot e Bennett, defendem uma postura inflexível contra os inimigos do Estado, rejeitando negociações e caminhos estritamente diplomáticos. Apesar da concordância na pauta de segurança, existem nuances cruciais que distanciam o atual primeiro-ministro de seus principais opositores. O professor Michel Gherman, do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destaca que a grande divergência em relação a Netanyahu reside no seu projeto autoritário para o Estado. Enquanto os adversários mantêm o foco na defesa institucional, o atual premiê apoia reformas estruturais que visam retirar a autonomia do Poder Judiciário para concentrar maiores atribuições no Executivo. A questão palestina também centraliza o debate eleitoral, com os três principais blocos favoritos rejeitando veementemente a criação de um Estado palestino, em desacordo com diretrizes do direito internacional. A professora Karina Calandrin aponta que o tema perdeu amplo respaldo na sociedade israelense após o traumático 7 de outubro, tornando a defesa de um Estado palestino uma bandeira eleitoral inviável. No entanto, há divergências sensíveis quanto à expansão dos assentamentos na Cisjordânia, impulsionados recentemente por ministros da ala de extrema-direita da coalizão governista, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich. Segundo a especialista do Ibmec, o apoio governamental a assentamentos irregulares na Área B da Cisjordânia tem agravado a violência na região, com colonos expulsando famílias palestinas sob a complacência das autoridades. A expectativa de especialistas é de que eventuais substitutos de Netanyahu freiem essa política na Cisjordânia, o que poderia amenizar o clima de confronto local. Paralelamente à votação, agências locais relatam episódios contínuos de violência envolvendo colonos e forças de segurança israelenses nos territórios palestinos ocupados. No plano das alianças regionais, Gherman observa diferenças nas abordagens dos opositores. Enquanto Netanyahu e Bennett mantêm linhas políticas mais inflexíveis, Eisenkot é visto como um ator potencialmente mais inclinado a buscar entendimentos com governos e potências árabes vizinhas, priorizando acordos diplomáticos indiretos e a reabertura de canais de diálogo internacional que hoje encontram resistência no atual gabinete, que tem rejeitado conversas mediadas pelo Catar e pelo Egito. A formação do próximo governo, no entanto, esbarra em complexos cálculos parlamentares. Analistas preveem que tanto Eisenkot quanto Bennett precisarão do apoio de legendas árabes para consolidar uma maioria no Knesset, embora os candidatos tenham manifestado resistência a essa articulação. Uma alternativa apontada por especialistas é a possibilidade de os partidos árabes optarem por não integrar a coalizão, mas votarem sistematicamente contra Netanyahu, viabilizando a formação de um governo de minoria centrado na oposição. O pleito ocorre sob o peso das profundas consequências geopolíticas e humanitárias desencadeadas pelos eventos de 7 de outubro de 2023, quando o ataque do Hamas resultou em cerca de 1,2 mil mortes e no sequestro de aproximadamente 200 pessoas. A subsequente ofensiva militar israelense em Gaza devastou a infraestrutura civil da região e gerou dezenas de milhares de mortes, desencadeando acusações internacionais de genocídio e redefinindo alianças estratégicas no Oriente Médio em meio a conflitos paralelos no Líbano, na Síria e confrontos diretos com o Irã.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

Mais em Ultimas Notícias

Ver tudo →

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.