Sobrevivente do câncer de reto enfrenta sequelas severas e custos altos quatro anos após diagnóstico Professora de Gravatal em remissão da doença relata noites mal dormidas, dores intensas e gastos mensais de R$ 6 mil com tratamentos particulares que o SUS não cobre. Quatro anos após receber o diagnóstico de câncer de reto, a professora Elizângela Candido Vargas, de 43 anos, residente em Gravatal, superou a fase mais agressiva da doença, mas ainda lida com sequelas diárias que afetam o sono, o trabalho e a convivência com os dois filhos, Arthur, de nove anos, e Sara, de sete. Em remissão, a educadora conhecida como Eli passa noites inteiras no banheiro devido a alterações intestinais decorrentes da retirada do órgão, acumulando dores, cansaço e uma despesa média de R$ 6 mil mensais com acompanhamento médico particular, medicamentos e terapias complementares que não são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde. A história de Eli integra o encerramento da série especial de reportagens Por mais tempo, produzida pelo portal Sul In Foco, que ao longo de três capítulos detalhou os medos da professora durante o tratamento, a luta pela sobrevivência e o impacto emocional da doença na família. No primeiro capítulo da série, a moradora de Gravatal relatou ter implorado por ajuda médica quando temia morrer e deixar os filhos pequenos. O segundo capítulo relembrou a perda da prima Júlia Cândido Zappelini, que faleceu aos 27 anos em decorrência de um câncer, deixando uma filha também de sete anos. O diagnóstico de Eli ocorreu em 2022, quando ela tinha 39 anos. A partir daí, enfrentou sessões de quimioterapia, radioterapia, cirurgias complexas e permaneceu por um ano e três meses utilizando bolsa de colostomia. Houve períodos em que a debilidade física era tanta que a professora mal conseguia caminhar. Embora a fase mais crítica tenha ficado para trás, as intervenções cirúrgicas deixaram marcas permanentes. Sem o reto, o organismo passou a responder com crises intestinais imprevisíveis que irrompem tanto na madrugada quanto no meio do expediente, comprometendo tarefas cotidianas e a rotina profissional. Para quem lutou arduamente pela vida, a recuperação impôs um novo conjunto de desafios invisíveis para quem observa de fora. A professora conseguiu afastar o risco iminente de morte, mas ainda não recuperou a autonomia de planejar o dia a dia sem o receio de uma reação súbita do próprio corpo. A exaustão física somada aos episódios de diarreia durante a noite impede que ela desfrute de um descanso contínuo, interferindo diretamente na energia necessária para cuidar dos filhos e retomar plenamente as atividades laborais. Além das limitações físicas, o fator financeiro tornou-se outra fonte de preocupação constante. Desde 2023, Eli realiza um acompanhamento médico particular focado no que define como tratamento metabólico do câncer, modalidade que busca auxiliar na recuperação do peso e no bem-estar geral. Os custos mensais somam cerca de R$ 6 mil, englobando consultas, exames, medicamentos, injeções e produtos à base de cannabis medicinal. A professora reforça que esses procedimentos complementares não substituem a oncologia convencional, mas ajudam a preservar a qualidade de vida reconquistada, apesar do peso expressivo que os gastos representam no orçamento familiar diante das atuais restrições de trabalho. O medo mais profundo que acompanhou Eli durante toda a fase aguda da doença era o de não ver os filhos crescerem. Nas manhãs em que precisava se deslocar para Criciúma para realizar as sessões de radioterapia, Arthur, então com cinco anos, e Sara, com três, choravam no portão de casa. Hoje, com Arthur completando nove anos e Sara com sete, a mãe consegue estar presente nos aniversários, no ambiente escolar e nas descobertas cotidianas da infância, cumprindo a promessa íntima de acompanhar o desenvolvimento dos dois. Apesar de a rotina não ter retornado aos moldes anteriores à doença, a professora destaca que a vitória reside na oportunidade de continuar construindo memórias ao lado da família, mesmo convivevendo com despesas elevadas e dias de intenso desgaste físico. Para conseguir arcar com os custos mensais do acompanhamento particular e garantir a continuidade dos cuidados com a saúde, a família disponibilizou uma chave Pix em nome de Elizângela Candido Vargas, por meio do CPF 032.843.029-30, para receber contribuições voluntárias de qualquer valor.
Fonte: Sul in Foco







