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Em meio a ajuste fiscal, Chile tem queda do PIB e desemprego em alta

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Em meio a ajuste fiscal, Chile tem queda do PIB e desemprego em alta

Crise econômica no Chile: PIB em baixa, desemprego de 9,6% e alta rejeição marcam governo Kast Ajuste fiscal severo, queda na produção de cobre e inflação impulsionada pelo conflito no Oriente Médio colocam o presidente chileno sob forte pressão popular e reduzem previsão de crescimento do FMI para 0,6% em 2026. SANTIAGO — Eleito há apenas sete meses sob a promessa de enxugar a máquina pública, reduzir impostos e reativar a economia, o presidente do Chile, José Antonio Kast, enfrenta sua primeira grande crise estrutural. O país registrou no terceiro trimestre de 2026 uma taxa de desemprego de 9,6%, o que representa um aumento de 1 ponto percentual em um intervalo de 12 meses. O cenário é agravado por uma retração de 0,3% no Produto Interno PIB no mesmo período, sucedendo uma queda de 0,2% no segundo trimestre. A fórmula de austeridade adotada pelo governo, que espelha medidas implementadas por Donald Trump nos Estados Unidos e por Javier Milei na Argentina, previa inicialmente um corte bruto de 3% nas despesas estatais. No entanto, os primeiros relatórios oficiais já indicavam uma redução de despesas da ordem de 2 trilhões de pesos chilenos, o equivalente a cerca de 0,6% do PIB do país. Um levantamento realizado pelo jornal chileno The Clinic, com base em decretos de 17 das 25 pastas governamentais, apontou que o corte de gastos ultrapassou US$ 1,4 bilhão. O Ministério da Saúde foi o mais atingido, com uma redução de 413 bilhões de pesos. Outras áreas fortemente afetadas foram Habitação, com corte de 200 bilhões; Educação, com 197 bilhões; e Trabalho, com 141 bilhões, além de reduções expressivas na Previdência. A situação econômica foi agravada por fatores externos e setoriais. Diante do choque nos preços dos combustíveis provocado pelas guerras no Oriente Médio, a gestão de Kast decidiu não intervir para subsidiar os valores, priorizando a responsabilidade fiscal. Como resultado, a gasolina e o diesel encareceram, gerando um efeito inflacionário em cadeia por toda a economia chilena. Paralelamente, o principal motor econômico do país, o setor de mineração de cobre, atravessa um momento de baixa produtividade. Dados da Câmara Mineira do Chile indicam que, entre janeiro e agosto deste ano, a produção ficou 8% abaixo do patamar registrado no mesmo período de 2025. O mineral responde por até 40% das exportações chilenas. O professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e especialista em Chile, Fernando Henrique Lemos Rodrigues, explicou à Agência Brasil que o esgotamento de minas, problemas tecnológicos, eventos climáticos que dificultam o escoamento e greves por reajustes salariais criaram barreiras significativas para o setor. Para o economista, a decisão de frear os gastos públicos em um momento de conjuntura precária na mineração gera um impacto extremamente negativo sobre a atividade econômica nacional. Rodrigues argumenta que a combinação de corte de gastos públicos com a redução de impostos corporativos resulta em perda de arrecadação para o Estado sem estimular os investimentos privados. Segundo ele, em cenários de extrema incerteza e crise, os empresários tendem a retirar o capital poupado com os tributos mais baixos do circuito produtivo real, direcionando-o para aplicações financeiras. Diante do agravamento do quadro, o Fundo Monetário Internacional revisou drasticamente suas projeções para o país. Em outubro, a estimativa de crescimento do PIB chileno para 2026 foi reduzida de 1,8%, calculada em julho, para apenas 0,6%. O índice configura o segundo pior desempenho econômico na América do Sul, ficando à frente apenas da Bolívia, onde o FMI projeta recessão de 3%. Para tentar conter a retração, o governo lançou no final de setembro um programa de investimentos públicos avaliado em 1,3 bilhão de pesos chilenos. O plano tem como meta fomentar a criação de postos de trabalho por meio de obras de infraestrutura, além de oferecer subsídios para a contratação de mão de obra e financiamento para empresas. Apesar da medida, as previsões orçamentárias para 2027 indicam um crescimento limitado a 1,5% do PIB nas despesas públicas, ritmo inferior ao projetado anteriormente. Organizações sociais e fundações, como a Horizonte Cidadão — criada pela ex-presidente Michelle Bachelet —, apontam que os cortes planejados para o próximo ano devem atingir 48 programas sociais voltados à população de baixa renda, totalizando 325 bilhões de pesos a menos em investimentos sociais. A contradição entre a promessa de campanha de reduzir gastos fiscais sem penalizar benefícios sociais e a execução prática do orçamento tem gerado fortes reações. O Centro de Investigação Jornalística do Chile destacou o descontentamento popular com os cortes. Na educação, as reduções orçamentárias motivaram protestos de estudantes nas ruas, que têm sido reprimidos pelas forças policiais. Afetado pelo desgaste político da crise, o presidente José Antonio Kast acumula taxas de desaprovação superiores a 60% após os primeiros sete meses de governo.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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